sábado, 21 de novembro de 2009
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Amigos! ASSISTAM!
Interessante oportunidade de assistir ao documentário sobre a precursora da astrologia no Rio Grande do Sul, a Dona Emma de Mascheville. Direção de Rene Goya Filho.
Guilherme Pilla
- “Luz e Sombra no Paralelo 30” é uma história emocionante, da precursora da Astrologia no Rio Grande do Sul - explica o diretor, Rene Goya Filho.
Assistam no Histórias Curtas deste sábado, 21 de novembro, as 12h20, mais um documentário do Núcleo de Especiais da ESTAÇÃO ELÉTRICA. Agora é a vez de LUZ E SOMBRA NO PARALELO 30, dirigido por Rene Goya Filho. (Confira outros horários e canais além da equipe técnica no flyer anexo!)
A história de Emma de Mascheville, astróloga alemã que veio para Porto Alegre em 1930 e viveu na cidade até a sua morte, em 1981. Com uma vasta obra humanitária e intelectual, Emma criou teorias e é precursora da astrologia no Rio Grande do Sul. A partir de um estudo profundo da natureza humana e dos planetas, ela tornou-se conselheira de muitas pessoas. O documentário traz trechos de uma entrevista inédita da astróloga e depoimentos de alunos, parentes e amigos.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Como não escrever um roteiro – ou Apertem os Cintos que Deu a Louca no Império dos Super-Comics

(Parte I de 3)
Com quanta canoa se quebra o pau com a Marvel Comics?
Podemos começar com uma figura mais conhecida, V, aquele livro aberto botando o terror num sistema horroroso. A lenda ilustrada conta que ele mantinha uma galeria subterrânea repleta de cartazes, discos... ah, e livros, é claro. Com a dinâmicas das fixações nos artigos que se chamavam de culturais, atualizava seu repertório. Analogamente, a leitura do próprio seriado ou álbum é um caminho atravessado de informações. Só não deveriam restringir drasticamente o nosso horizonte – essa linha, nem tanto ao céu, nem tanto à terra, disputada e controversa. A decoração, composição de estímulos e lembranças, criava janelas, rotas de fuga e brechas para novos combates.
Decorar pode não ser bolinho, mas ler Histórias em Quadrinhos era deleite pelo qual me balançava com alguma informação, me aculturava no estrangeiro e me alfabetizava em línguas maternas e estrangeiras. Pois se não conheci a “terra do sol nascente” e do mangá, estive no hemisfério norte do “velho” e do “novo” mundo, pegando o bonde da escolaridade andando, aproveitando acervos públicos (e privados, familiares) de Bandas Desenhadas (como dizemos as nossas HQs no velho mundo), e ainda recomendo alguns estilos dessas leituras, nem que seja para a apreciação e o conhecimento de repertórios de uma língua – assim informada por tais e quais produções. Se estranhava, é verdade, a compenetração suscitada por uma literatura apoiada em imagens “prontas”, com tanta bagagem literária para se aprumar. Estranho o estranhamento buscando rebatê-lo com informação sem fronteiras, apanhados dela e composições, acercando-me de potenciais elos instigantes de um curso deste mundo da vida presentes na tortuosa formação de uns quantos hábitos de leitura e quiçá relações.
Um desses “elos” ou agentes culturais pelos quais um olhar inquisitivo poderia fazer algumas descobertas é outro que faleceu de tanto fumar, aos 60 anos, em Las Vegas, quando aguardava um transplante (10 de fevereiro de 2008). A longa e importante trajetória de Stephen Ross Gerber traz alguns méritos bem relevantes à discutível história dos Quadrinhos norte-americanos (os famosos Comics), reciclando e criando personagens, e zelando por uma etiqueta com respeito às suas escalações, com repercussões que seguem para mais além das próprias obras ficcionais e narrativas que escreveu. Mas a mais notória delas, não por acaso coincide com um de seus personagens próprios mais característicos e populares, passando por olímpicas intrigas palacianas que deram-lhe fama de arredio num sistema proprietário que acabou tendo de enfrentar judicialmente por uns quatro anos, após ter se tornado talvez digno de um posto de editor-chefe, ou de decliná-lo, se tivessem lhe oferecido. Foi em 1978 despedido por se dispor a batalhar direitos frente aos Sindicates (distribuidores de tiras para aqueles os jornais que foram o berço das HQs modernas, segundo a bem oficializada história deles, tão frequentemente adotada e globalizada por brasileiros) na justiça. Em 1982 Steve iria finalmente entrar num acordo “pessoal” com a “casa das idéias” Marvel, mas não antes de unir forças com Jack Kirby (o lendário-inigualável campeão-industrioso-olímpico dos desenhos sequenciais da tal linha de pretensa “super-ação”) na produção de Destroyer Duck arrecadando fundos para as batalhas judiciais por seus próprios personagens.
A conveniência de se conhecer e divulgar esta luta por dignidade e condições de trabalho também envolve o interesse por uma opinião profissional menos reverente e mais próxima à figura de Stan Lee (aquela tradicionalmente “apresenta” as narrativas da editora, talvez se interessando mais verdadeiramente por esta forma de mídia do que Walt Disney, que sabidamente se importava mesmo era com desenhos animados e os dispositivos mecânicos de seus notáveis brinquedos cenográficos). Tal curiosidade foi bastante satisfeita no desenvolvimento de uma entrevista de Philippe Garnier para uma legendária revista rockeira de “Bandas Desenhadas”, a métal hurlant (esta métal “berrante” é a publicação que daria origem à mais conhecida “Heavy Metal”) fundada por quatro aficionados da Ficção Científica e da HQ auto-intitulados “os humanóides associados”. Druillet, Moebius, Dionnet e Farkas, entre outros realizadores de narrativas gráficas, resistiram ideologicamente por mais de década aos pós-68, “imaginando”, calando fundo, imprimindo. Eram cem páginas de qualidades cada vez mais desiguais por edição, com um povo botando bronca em banca e os desenhistas querendo conhecer e dando conta de recados, não apenas de suas marcas “tribais”, referências profissionais, idiossincrasias e preferências íntimas, embora logicamente a banda também não se furtasse a passar por aí, bem pelo contrário. Algumas páginas chamavam graficamente a atenção para textos operando ganchos principalmente sob aspectos visuais e editoriais, mas também narrativos e até “publicitário”, bastante notáveis, valendo-se de gírias a granel e dos desenvolvimentos estilísticos mais sintéticos e midiáticos, jornalísticos mesmo, de então. A entrevista encontra-se no número 38, de fevereiro de 1979, com a capa divulgando o retorno de Gir-Moebius às produções do tenente Blueberry entre índios de far-west. A segunda capa veicula um manifesto, junto a mais seis importantes casas editoriais daquelas revistas ilustradas ditas recomendáveis a leitores adultos (incluindo as prestigiosas Casterman (A Suivre), Dargaud (Pilote) e Editions du Square (Charlie, B.D.), entre outras mais notavelmente humorísticas, como a Editions du Fromage (Echo des Savanes) e Editions Audie (Fluide Glacial), além da Elvifrance de Sam Bot, etc.) denunciando mordaças tirânicas de uma pesada proibição legislativa (de 1949, e apenas levemente atenuada em 1973) exercida em nome de uma suposta vigilância às publicações “infanto-juvenis” na França. Talvez nos interessassem mais aqueles artistas, que levavam jeito de tratar, de entoar, de desenhar, refletir, etc., naqueles tempos em que protestar era condição de possibilidade e defesa do direito humano a batalhar uma expressão mais livre e consistente ou consequente. Na página 26, “Réquiem para um Pato ou: Pato no Sangue” – parte dois da entrevista de Philippe Garnier a Steve Gerber em Hollywood – vinha desnudando até o cerne uma famosa corporação multinacional dos enlatados de papel. No epicentro do fenômeno, o pato Howard “aprisionado num mundo que ele jamais construiu!” antes mesmo de ter sua satírica figura de comédia – hoje casualmente em propriedade da Disney Company, com as demais personagens vinculadas ao conglomerado editoral da Marvel – cinematografada. Por sinal, eu soube da transação com a Disney, que oficialmente visa “conteúdo de marcas de qualidade, inovação tecnológica e expansão internacional”, numa coluna de jornal local ilustrada pelo irritadiço Howard avançando decididamente por supostos corredores em que cruzaria com outro pato maluco, agora seu colega, o tiozão, por assim dizer, Donald. Naturalmente que esta notícia me desencadeou uma pequena série de associações recordativas, isto e aquilo dando o estalo de queimar as pestanas e inicializando presentes considerações sobre ficções nossas de cada dia estendendo a palavra ao operário exemplar – e talvez ilustre desconhecido por estas paragens – Steve Gerber.
Ele tentara escapar de lugares manjados como Hollywood e Nova Iorque para a “cidade 24horas” de Las Vegas – voltando, portanto, aos anos 70, parecia interessante, para os seus famosos esquemas excêntricos de horário (famosos por conta de seus cochilos literais, lógico, que contrastavam com sua articulação expressiva com metáforas e competências narrativas destacadas). Um não-lugar? Cura para uma depressão nervosa? O entrevistador Philippe Garnier questiona a verdadeira tentativa de Steve morar ali mais por ter lido o então considerado melhor livro escrito sobre tal cenário, “Vegas”, onde o autor (John Gregory Dunne) relata ter se mudado para lá por um ano a fim de curar justamente sua depressão nervosa.
Encontrar Steve Gerber em Hollywood fora de uma facilidade infantil. O próprio Howard respondera na secretária eletrônica, “ou ao menos uma voz aquática do tipo”. Seguiram-se apenas duas horas de espera. Steve não estava muito cansado de lidar com a imprensa, em grandes crise ou coisa do tipo. Ao menos Philippe Garnier o encontrou muito amigável e tranquilo, além de (por que não dizer?) criativo, autêntico, humano.
A história com a Marvel é que, naquelas alturas, ela tinha tantos títulos que era possível passar um argumento ao artista sem mostrá-lo ao secretário de redação. Exatamente assim nasceu o Howard, em dezembro de 1973 na revista Adventure into Fear # 19: Roy Thomas só foi avisado quando já era tarde. Sobre a clara derramada, ele teria dito: tudo bem, vamos experimentar este número. Mas logo pediram que Steve Gerber desse um jeito de se livrar do personagem, o que ele fez à moda Marvel, ou seja: liquidando-o sem que ficasse morto “de verdade”. Os correios de leitores reagiram de forma surpreendente. A redação chegou a receber um animal morto, por exemplo, de um leitor do Canadá, com uma nota relativa à morte do pato tratando-os por “assassinos”. Obrigaram-se a devolver Howard à circulação das idéias editoriais e à “vida”. Em 1976 ganhou revista própria, que teve seus primeiros 26 números escritos pelo próprio Steve Gerber.
Como um empregado que teria sido o estopim daquela situação excêntrica acabou na prática do controle sobre a revista de linha (“comic-book”) Howard the Duck? Novamente em vista da situação, ninguém sabia precisamente o que se tinha em mente para a personagem, e em função do caráter industrial da Marvel, Gerber chegou à direção de quase todos os aspectos da publicação. “Stan Lee, que na época dava muitas conferências nas Universidades, não parava de perguntar à redação: como é que ele se chama mesmo, o pato de vocês?”
Uma ou duas dificuldades, que dizem respeito à censura: o número dois tinha um diálogo do casal protagonista sob lençóis. Quem gritou mais alto foi o pessoal do “código de ética” (que trabalha(va) só para isso mesmo), e foi preciso redesenhar o painel, de modo que ela permanecia sob cobertas e ele sobre elas (as cobertas), desnudo, mas sobre as cobertas. Como esse pessoal do gibi norte-americano realmente parece ter dado todo um novo sentido à palavra “patético”, vamos pular outro “episódio” desse tipo – cujo antecedente seria “les Stones” no provocativo rock´n Roling: “Let´s Spend the Night Together” (lançado em janeiro de 1966). Mas o curioso é que se esperava que a natureza de pato permitisse dessas liberdades, segundo o seu autor, já bem pouco apelativas para a época. Ele próprio nem se interessava realmente, na verdade, pelo que poderia haver por trás da relação do casal, como “pelas mesmas razões” nunca mostrou o país ou universo paralelo do qual vinha o protagonista.
O entrevistador (Philippe Garnier) repara que os roteiros de Steve Gerber enveredam frequentemente por trilhas inter-galácticas e pergunta se ele gosta de fazer essas coisas ou se é por trabalhar na Marvel. Na resposta há uma convicção de que as coisas neste formato são ideais para apenas “estes dois tipos de história”, decididamente não sendo a praia ideal para o meio de campo dos westerns, policiais ou histórias de guerra, por exemplo – apesar de eventuais produções luxuosas, de textos fartamente ilustrados, já saírem por aí a fora. “Tendo a preferir a história que chega das ruas, e acho que por um momento a Marvel também tomou este rumo, mas com a Marvel precisa sempre atenuar as coisas e dar a elas essa dimensão fantástica. Francamente não sei onde me situo. Estranho por estar absorto em projetos bem diversos, de quadrinhos, filme, livros, etc., mas nalgum sentido são estes projetos que me ajudam a me desembaraçar um pouco destes problemas.” Livros muito orientados ao fantástico, o filme não, mesmo que contenha elementos do fantástico, se passando em Las Vegas, que já é muito fantasiosa, complicando as coisas. Se o roteiro é encomendado? Não: “Nesta cidade, todo mundo sabe, precisa ter algo a se mostrar, então vou mostrar isso. Por sorte a mulher com quem vivo conhece todo mundo e sabe como as coisas acontecem por aqui, o que talvez me impeça de ficar demente.” Indagado pelas produções do velho mundo em “Banda Desenhada”, e mais particularmente a francesa, confessa não encontrar enredo tão atrativo como o possível interesse visual, mas diz estar mal situado para julgar, devolvendo educadamente a pergunta.
Aí chega o questionamento de um método que poderia parecer obviedade para o homem “que trabalha nisso há seis anos, mas para nós é um pouco misterioso, principalmente o lado esteira-de-produção de Marvel. Não há equivalente entre nós, talvez tirando os Studios Hergé nalguma época. Tecnicamente, como se escrevem roteiros de comics?” A usina marvete, em seus bastidores? “Primeiro se escreve uma sinopse, seis ou sete páginas, eventualmente mais. Isto depende com quem se trabalha; quando você conhece o sujeito que vai desenhar a história, você sabe mais ou menos o que ele vai colocar... Depois a sinopse vai para o pencilman, o desenhista que elabora toda a história a lápis conforme tuas instruções; ele acrescenta o seu toque pessoal ou não, conforme a personalidade dos colaboradores. Ele geralmente deixa um terço do quadro desocupado, para a inserção de balões. Depois disto a história volta ao writer, que dialoga. Mas, na prática, este diálogo depende da qualidade do desenho. Se o desenhista é dos bons, ele contou toda a história, então eu só preciso refinar e acrescentar minha própria contribuição, que é o diálogo, e o diálogo não deveria ter que contar a história; por exemplo com (Gene) Colan eu podia me permitir sutilezas que eu não podia com outros... Uma história deve ser desenhada de modo a ser imediatamente legível. O modo com que os quadros são divididos e dispostos é muito importante; é um pouco como a montagem para um filme.” O entrevistador se lembra de diagramações muito particulares de (Frank) Brunner, logo nos primeiros números da revista; e outra vez, com Colan, quando Bong e Howard afundam o assoalho do banheiro e aterrizam sobre os vizinhos de baixo em plena partida de poker: eles passam de quadro para quadro, como uma casa em plano de recorte. O exemplo é de história bem conduzida, mas existe o caso contrário, que chama a atenção para inverossimilhanças como no episódio (parece que) 21, do Soofi, quando Colan deixou o serviço e ele foi finalizado por um tapa-furos interino antes que Mayerik retomasse “a coleira”, um tal de Carmine Infantino, “filipino”. Numa página vê-se Soofi pegar Howard com uma mão; um quadrinho abaixo ele é arremessado pela outra. Por cúmulo, a máquina de lavar em que ele o joga abre de dois lados diferentes, os trincos da porta não estão do mesmo lado nos dois quadros. Quando isto ocorre na mesma página, fica muito ruim. Este é um caso de história não apenas nada inspirada, como um exemplo de história mal contada. Mal conduzida. Quando te chega um negócio desses, é muito difícil contar a história; é preciso costurar, explicar o que acontece. O melhor era não precisar fazer isso. É um pouco como no cinema, quando o/a continuista não faz o serviço, sim, mas para voltar ao processo de fabricação dos gibis, uma vez dialogados, a história e os painéis vão para o arte-finalista (que “dá as tintas”). Eu escrevo os diálogos dizendo página tanto, balão um, dois, três... Mas existe um letreirista para realizar os balões. Que são bastante limitados, quando se pensa a respeito: os balões não mudaram por anos; você tem o balão estático, com os estalactites; o balão relâmpago-explosão, o balão pensador, etc...” (de fato, quando pintam uns balões com personalidade, marcam náipes e estilo de uma revista Sandman, já nos anos 90, na outra editora cosmológica de comics, a DC – criando o selo “Vertigo”) “Voltamos ao que se dizia sobre os limites do gênero: as imagens não se movem, o lugar é muito limitado, o processo de impressão é tão nojento que, mesmo se os artistas fossem capazes de desenhar mais de cinco ou seis expressões, a sutilidade se perderia de qualquer maneira com as chapas – que são de plástico. Acredite em mim se quiser, mas chegaram a tentar fazer chapas de papel para economizar... Não funcionava... E antes, os comics tinham vinte páginas de cartoons; agora estamos reduzidos a dezessete. O que é de longe a pior extensão para contar uma história, eu te garanto que é.”
Redação e traduções para nosso Português: Ethon S. A. da Fonseca
Na próxima parte: o plasma do Kiss tem poder (nas HQs)? Chaves, fechaduras e trânsitos das cidades, seus proprietários e guardas zelosos (principalmente Stan Lee: descobrimo-lhe um autêntico surto de crise da consciência na famosa jogada publicitária com sangue derramado em que se viu envolvido!). Aguardem...
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Mais um desenhista desabafa:
Olá a todos.
Recebi hoje, o link para um blog onde estava postado um comentário muito interessante a respeito de algo que eu e, acredito, a grande maioria de ilustradores que conheço, sofre desde o início da carreira. Em geral, as pessoas admiram muito nosso talento. Gostariam "de saber desenhar assim". Mas as pessoas esquecem que, quando se desenha, se desenha desde os 06 anos de idade, praticando todos os dias; observando uma maçã e a reproduzindo mil vezes até chegar num bom resultado; cursando uma faculdade de artes; fazendo vários cursos para administrar diferentes técnicas; que se gasta investindo em bons papéis; em bons pincéis; em computadores com estrutura suficiente para rodar os programas que damos jeito de aprender a usar, para podermos realizar, com cada vez mais competência, a nossa 'PROFISSÃO'. As pessoas esquecem que talentos precisam ser desenvolvidos e que merecem ser não apenas elogiados, mas também pagos. Perdi as contas de quantas pessoas acham que "é fácil" me sentar e desenhar um rosto em segundos. Ou ainda, de quantos "acham" válido pegarmos trabalhos de risco, ou mesmo não remunerados, só para ganharmos "visibilidade". A única coisa que explica essa atitude pra mim, é o fato de que as pessoas não entendem que desenhar é TRA-BA-LHO, ou seja: que além de prazeiroso é também árduo, exaustivo e que consome horas de dedicação como todo tipo de trabalho faz. Graças a Deus, eu e muitos dos meus colegas de área não estamos dispostos a não sermos devidamente valorizados e/ou remunerados.
Abaixo, o texto do link que recebi, bem como o próprio link, para quem quiser visitar o blog do autor do texto.
Abraços,
Tatiana Tesch
Recebi hoje, o link para um blog onde estava postado um comentário muito interessante a respeito de algo que eu e, acredito, a grande maioria de ilustradores que conheço, sofre desde o início da carreira. Em geral, as pessoas admiram muito nosso talento. Gostariam "de saber desenhar assim". Mas as pessoas esquecem que, quando se desenha, se desenha desde os 06 anos de idade, praticando todos os dias; observando uma maçã e a reproduzindo mil vezes até chegar num bom resultado; cursando uma faculdade de artes; fazendo vários cursos para administrar diferentes técnicas; que se gasta investindo em bons papéis; em bons pincéis; em computadores com estrutura suficiente para rodar os programas que damos jeito de aprender a usar, para podermos realizar, com cada vez mais competência, a nossa 'PROFISSÃO'. As pessoas esquecem que talentos precisam ser desenvolvidos e que merecem ser não apenas elogiados, mas também pagos. Perdi as contas de quantas pessoas acham que "é fácil" me sentar e desenhar um rosto em segundos. Ou ainda, de quantos "acham" válido pegarmos trabalhos de risco, ou mesmo não remunerados, só para ganharmos "visibilidade". A única coisa que explica essa atitude pra mim, é o fato de que as pessoas não entendem que desenhar é TRA-BA-LHO, ou seja: que além de prazeiroso é também árduo, exaustivo e que consome horas de dedicação como todo tipo de trabalho faz. Graças a Deus, eu e muitos dos meus colegas de área não estamos dispostos a não sermos devidamente valorizados e/ou remunerados.
Abaixo, o texto do link que recebi, bem como o próprio link, para quem quiser visitar o blog do autor do texto.
Abraços,
Tatiana Tesch
Não deixem de ler esse texto do Maringoni!!!
Tocaia, quadrinhos e elitização da cultura
Gilberto Maringoni
Acabo de lançar um livro de histórias em quadrinhos. Chama-se "Tocaia", tem 110 páginas (algumas coloridas) e 14 histórias. Custa 45 reais. Não vou ficar aqui falando do que penso serem as qualidades do livro, o que seria o cúmulo do cabotinismo. Todo autor gosta de ter seu livro vendido, lido e comentado. Espero que todos comprem o livro.
Meu livro não é barato. Cada vez mais os quadrinhos deixam de serem veiculados em gibis e ganham as páginas de livros. Mais que uma mudança de forma, o que está em pauta é uma alteração no mercado de entretenimento, que se elitizou ao longo das últimas três décadas.
Um aficionado por histórias em quadrinhos dos anos 1980 que tomasse um túnel do tempo e fosse catapultado para uma grande banca de jornais dos dias de hoje, estranharia muita coisa. A primeira delas seria estar diante de uma pequena loja de conveniências. Doces, brinquedos, sorvetes, refrigerantes, CDs, DVDs e bugigangas várias teriam quase o mesmo destaque das publicações em papel. A segunda é que quase não encontraria gibis para adultos. Constataria o virtual desaparecimento daquelas publicações baratas, geralmente em branco e preto e impressas em papel jornal. Caso desejasse outras opções, além de quadrinhos infanto-juvenis, teria de ir atrás de uma livraria e gastar algo como dez vezes o que desembolsaria em um gibi.
O espantado leitor de 1980 descobriria que os gibis, com preços equivalentes a uma passagem de ônibus e tiragens acima de 100 mil exemplares, estariam basicamente limitados às edições dos personagens Disney e Mauricio de Sousa. Se formos rigorosos, veremos que apenas este último mantém acesa a velha tradição. É, disparado, o campeão de vendas. Mônica, Cebolinha e sua turma, cada qual em gibis próprios, tiram individualmente mais de 150 mil exemplares por mês, enquanto as revistinhas do criador de Mickey e cia. mal alcançam dez mil cópias cada uma.
Para tentar compreender a profundidade das mudanças, é preciso recuar um pouco mais. Peguemos emprestado o túnel do tempo daquele leitor.
Mercado editorial
O Brasil criou um mercado editorial em expansão quase constante entre 1930 e 1980, coincidente com o mais longo ciclo de crescimento da economia brasileira. Apesar da grande entrada de material dos Estados Unidos, as demandas e ofertas dos dois países não estavam sintonizadas. O maior exemplo disso aconteceu na década de 1950, quando surgiram gibis de terror, suspense e mistério. Enquanto nos EUA, o macartismo ensejou uma feroz censura às revistinhas, criando um código de ética que impediu o desenvolvimento de produções voltadas para o leitor adulto, relegando o gênero à eterna adolescência, aqui ocorreu o inverso.
Com a quebra da produção estadunidense, de repente, as editoras nacionais se viram desabastecidas de conteúdo e tiveram de apelar para artistas nacionais. Desenvolveu- se, entre o início dos anos 1950 e o final dos anos 1970, embora precariamente, o que se poderia chamar de uma escola brasileira de história em quadrinhos. No âmbito do terror, conseguiu-se sair das vertentes góticas europeizantes e gerar adaptações coladas à mitologia popular brasileira, farta em almas penadas, lobisomens, botos etc. Estes conviviam nas bancas com patos, ratos e heróis mascarados.
A partir do início dos anos 1980, contudo, o crescimento avassalador da indústria de entretenimento estadunidense se impõe em todo o mundo, ao mesmo tempo em que a economia brasileira fica estagnada por um longo período. Gibis chegavam aqui com o filme, os brinquedos e com toda uma parafernália de produtos retratando os heróis prediletos da garotada. O mundo editorial brasileiro ficou a reboque do mercado norte-americano. A vertente de quadrinho popular adulto é esmagada pela concorrência assimétrica.
A grande beneficiária das mudanças é a editora Abril. Em 1981, ela domina o mercado, detendo os direitos dos super-heróis das grandes editoras dos EUA, dos personagens Disney e Maurício, além de outros títulos. O padrão era o formatinho (13,5 X 19 cm.), com revistas muito baratas e de altas tiragens. Nessa época, título que vendesse abaixo de 40 mil exemplares era cancelado pela empresa dos Civita.
Por influência das tendências do mercado dos EUA, na segunda metade da década de 1980, aprofunda-se a mudança nos rumos editoriais do gênero no Brasil.
Gibis de luxo
A série de quatro revistas O cavaleiro das trevas, uma releitura de Batman feita pelo norte-americano Frank Miller, um autor nitidamente de direita, torna-se a marca da época, vendendo cerca de 60 mil exemplares.
O plano Collor teve um efeito devastador no mercado editorial brasileiro. Houve uma queda abrupta no poder aquisitivo da população e as vendas desabaram. As redações de quadrinhos das grandes editoras são extintas. Somado a isso, o próprio mercado internacional enfrentava novos concorrentes. A chegada de outras mídias, voltadas para o público infanto-juvenil – como jogos eletrônicos, internet, o DVD e outros – reduziu o interesse desse segmento para histórias em quadrinhos. Praticamente acabam as revistas em formatinho – a exceção são os títulos infantis – e o preço nas bancas sobe significativamente. Há uma clara opção das editoras por um público mais elitizado, o que sustenta tiragens menores, por volta de 10 a 12 mil exemplares.
Para os grandes monopólios da mídia, aos quais as editoras dos Estados Unidos estão vinculadas, o interesse maior é o de ter as revistas como ponto de venda e campos de experimentação para os filmes de ação, que vêm caracterizando a produção hollywoodiana. O paradoxo é que, apesar das fantásticas bilheterias de películas do gênero, a vendagem das revistas empacou.
Elitização do lazer
A elitização do mercado de quadrinhos acompanha uma tendência que se verifica no cinema e no teatro. Os preços dos ingressos aumentaram cerca de cinco vezes em termos reais nos últimos 30 anos, buscando uma equivalência com os valores pagos nos países ricos. Assim, a migração do leitor adulto das bancas para as livrarias, consumindo álbuns de tiragens de dois a três mil exemplares, é decorrência dessa mudança de perfil. Migração que passa por um apertado funil econômico, é bom lembrar.
Qual a saída para um público crescente, de baixo poder aquisitivo, ávido por produtos culturais? Tem sido a busca de outras mídias, especialmente músicas e filmes, que podem ser baixados da Internet ou pirateados. Os DVDs vendidos por camelôs custam exatamente o preço de uma passagem de ônibus ou metrô, a referência do gibi e do cinema de outros tempos.
Possivelmente aquele leitor de 1980, mencionado no início desta matéria, deixasse de lado as bancas e se animasse com o farto comércio informal das calçadas. E chegasse à conclusão que as cruzadas contra a pirataria são parte da elitização do mercado de entretenimento.
Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).
Gilberto Maringoni
Acabo de lançar um livro de histórias em quadrinhos. Chama-se "Tocaia", tem 110 páginas (algumas coloridas) e 14 histórias. Custa 45 reais. Não vou ficar aqui falando do que penso serem as qualidades do livro, o que seria o cúmulo do cabotinismo. Todo autor gosta de ter seu livro vendido, lido e comentado. Espero que todos comprem o livro.
Meu livro não é barato. Cada vez mais os quadrinhos deixam de serem veiculados em gibis e ganham as páginas de livros. Mais que uma mudança de forma, o que está em pauta é uma alteração no mercado de entretenimento, que se elitizou ao longo das últimas três décadas.
Um aficionado por histórias em quadrinhos dos anos 1980 que tomasse um túnel do tempo e fosse catapultado para uma grande banca de jornais dos dias de hoje, estranharia muita coisa. A primeira delas seria estar diante de uma pequena loja de conveniências. Doces, brinquedos, sorvetes, refrigerantes, CDs, DVDs e bugigangas várias teriam quase o mesmo destaque das publicações em papel. A segunda é que quase não encontraria gibis para adultos. Constataria o virtual desaparecimento daquelas publicações baratas, geralmente em branco e preto e impressas em papel jornal. Caso desejasse outras opções, além de quadrinhos infanto-juvenis, teria de ir atrás de uma livraria e gastar algo como dez vezes o que desembolsaria em um gibi.
O espantado leitor de 1980 descobriria que os gibis, com preços equivalentes a uma passagem de ônibus e tiragens acima de 100 mil exemplares, estariam basicamente limitados às edições dos personagens Disney e Mauricio de Sousa. Se formos rigorosos, veremos que apenas este último mantém acesa a velha tradição. É, disparado, o campeão de vendas. Mônica, Cebolinha e sua turma, cada qual em gibis próprios, tiram individualmente mais de 150 mil exemplares por mês, enquanto as revistinhas do criador de Mickey e cia. mal alcançam dez mil cópias cada uma.
Para tentar compreender a profundidade das mudanças, é preciso recuar um pouco mais. Peguemos emprestado o túnel do tempo daquele leitor.
Mercado editorial
O Brasil criou um mercado editorial em expansão quase constante entre 1930 e 1980, coincidente com o mais longo ciclo de crescimento da economia brasileira. Apesar da grande entrada de material dos Estados Unidos, as demandas e ofertas dos dois países não estavam sintonizadas. O maior exemplo disso aconteceu na década de 1950, quando surgiram gibis de terror, suspense e mistério. Enquanto nos EUA, o macartismo ensejou uma feroz censura às revistinhas, criando um código de ética que impediu o desenvolvimento de produções voltadas para o leitor adulto, relegando o gênero à eterna adolescência, aqui ocorreu o inverso.
Com a quebra da produção estadunidense, de repente, as editoras nacionais se viram desabastecidas de conteúdo e tiveram de apelar para artistas nacionais. Desenvolveu- se, entre o início dos anos 1950 e o final dos anos 1970, embora precariamente, o que se poderia chamar de uma escola brasileira de história em quadrinhos. No âmbito do terror, conseguiu-se sair das vertentes góticas europeizantes e gerar adaptações coladas à mitologia popular brasileira, farta em almas penadas, lobisomens, botos etc. Estes conviviam nas bancas com patos, ratos e heróis mascarados.
A partir do início dos anos 1980, contudo, o crescimento avassalador da indústria de entretenimento estadunidense se impõe em todo o mundo, ao mesmo tempo em que a economia brasileira fica estagnada por um longo período. Gibis chegavam aqui com o filme, os brinquedos e com toda uma parafernália de produtos retratando os heróis prediletos da garotada. O mundo editorial brasileiro ficou a reboque do mercado norte-americano. A vertente de quadrinho popular adulto é esmagada pela concorrência assimétrica.
A grande beneficiária das mudanças é a editora Abril. Em 1981, ela domina o mercado, detendo os direitos dos super-heróis das grandes editoras dos EUA, dos personagens Disney e Maurício, além de outros títulos. O padrão era o formatinho (13,5 X 19 cm.), com revistas muito baratas e de altas tiragens. Nessa época, título que vendesse abaixo de 40 mil exemplares era cancelado pela empresa dos Civita.
Por influência das tendências do mercado dos EUA, na segunda metade da década de 1980, aprofunda-se a mudança nos rumos editoriais do gênero no Brasil.
Gibis de luxo
A série de quatro revistas O cavaleiro das trevas, uma releitura de Batman feita pelo norte-americano Frank Miller, um autor nitidamente de direita, torna-se a marca da época, vendendo cerca de 60 mil exemplares.
O plano Collor teve um efeito devastador no mercado editorial brasileiro. Houve uma queda abrupta no poder aquisitivo da população e as vendas desabaram. As redações de quadrinhos das grandes editoras são extintas. Somado a isso, o próprio mercado internacional enfrentava novos concorrentes. A chegada de outras mídias, voltadas para o público infanto-juvenil – como jogos eletrônicos, internet, o DVD e outros – reduziu o interesse desse segmento para histórias em quadrinhos. Praticamente acabam as revistas em formatinho – a exceção são os títulos infantis – e o preço nas bancas sobe significativamente. Há uma clara opção das editoras por um público mais elitizado, o que sustenta tiragens menores, por volta de 10 a 12 mil exemplares.
Para os grandes monopólios da mídia, aos quais as editoras dos Estados Unidos estão vinculadas, o interesse maior é o de ter as revistas como ponto de venda e campos de experimentação para os filmes de ação, que vêm caracterizando a produção hollywoodiana. O paradoxo é que, apesar das fantásticas bilheterias de películas do gênero, a vendagem das revistas empacou.
Elitização do lazer
A elitização do mercado de quadrinhos acompanha uma tendência que se verifica no cinema e no teatro. Os preços dos ingressos aumentaram cerca de cinco vezes em termos reais nos últimos 30 anos, buscando uma equivalência com os valores pagos nos países ricos. Assim, a migração do leitor adulto das bancas para as livrarias, consumindo álbuns de tiragens de dois a três mil exemplares, é decorrência dessa mudança de perfil. Migração que passa por um apertado funil econômico, é bom lembrar.
Qual a saída para um público crescente, de baixo poder aquisitivo, ávido por produtos culturais? Tem sido a busca de outras mídias, especialmente músicas e filmes, que podem ser baixados da Internet ou pirateados. Os DVDs vendidos por camelôs custam exatamente o preço de uma passagem de ônibus ou metrô, a referência do gibi e do cinema de outros tempos.
Possivelmente aquele leitor de 1980, mencionado no início desta matéria, deixasse de lado as bancas e se animasse com o farto comércio informal das calçadas. E chegasse à conclusão que as cruzadas contra a pirataria são parte da elitização do mercado de entretenimento.
Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).
terça-feira, 3 de novembro de 2009
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Ethon avisa:
Carlos, guerreiro, vou ser direto. Até parece que quando tomas uma atitude que pode ser apreciada como "blasé", o povo se coça, mas de fato o negócio é que estou precisando publicar eletronicamente para botar a pilha nas turmas fazerem as coisas, e tudo o que reflito de mais estimulante costuma passar pelos universos quadrinísticos (re)visitados, além de ser muito fodido me pensar como leitor sem considerar seriamente as linhas da gibizada. Estou acumulando para serializar alguns textos e montar uns rolos. Fui orientado a me inserir em grupos que já tem leitores a granel, num tal de sistema de indexação. Bem antes já estava pensando em como fazer referência à blogada e outros sítios do pessoal, e quero fazer algo na linha do estilo "publicado originalmente em..." para o meu rolo eletrônico. Tua blogolândia de "Arquiteto das Sombras" tá um bicho bem curioso, né? Cheia de bem marcantes elaborações diversas e video-"curiosidades". Pena fugir da "regra #1" de regularidade na atualização, mas o importante é que está acumulando um referencial, e ao qual gostaria, inclusive, de agregar uma modesta contribuição a partir de um formato básico de 3X2páginas (cada parte da "mini-série" tendo ao menos mais de uma página) que combinaria inicializar no teu blogue por outra coisa além da linha temática que leva no título e seu registro de aldeia internacional, de um possível retorno para gente já conhecida: elaborar um ponto da minha fama que não entendi ao certo, uma espécie de imagem de ideólogo "anti-heróis-marvel-unidos". Desencavei o artigo da "métal hurlant", que mais me botou pilhas neste sentido inclusive, de entrevista com o criador de Howard the Duck, Steve Gerber, e o estou elaborando. Originalmente é só a "parte 2", mas já entorna um caldo legal para os derivativos industriosos do ramo, me apresentaria como um carinha com algum material curioso ligado, iniciaria uma experiência na manha da aranha, enquanto arrumo uma casinha de leituras canônicas e aproveitamentos temático-curriculares na área. Não deixa de ser um material do bagulho chapa-quente de barato lento da indústria e do barulho, um olhar crítico devassando os bastidores da suprema Marvel dos anos 70, mas dá algumas letras, que me esforço em não avacalhar ainda mais, a quem interessar possa. Quem sabe no próximo final de semana já me animo a te passar um algo disso aí, para tua apreciação? Graficamente tem alguma coisa bacana para acompanhar, que posso fazer escanear, é lógico. Até como início de amostras visuais disso e daquilo, quem sabe, um tempero a mais. Não digo um ingrediente para o bolo, mas um início de resposta a "o teu lugar é aqui" do Rafael Sica, uma participação mais organizada para a pilha de fazer "bolos", certo? Quanto às tuas fornadas, fico sempre num aguardo meio doidão, que tu também é phoda, nunca dá para saber com que te vais sair da próxima, vídeo, foto, reportagem, hq, opinião, indicação (tipo de leitura), tese de projeto, divulgação, o escambau. Minha torcida está bem mais previsível, a partir de meu recuo com as chorumelas waltereanas e o grande mistério de "Spectrus" (a propósito, a explanação de Steve à questão de como se produz o quadrinhos industrial versa exatamente sobre o trabalho de dialoguista ser mesmo pós-desenhos) e de sua condição estacionária (mesmo após um certo "sinal verde" de NY). Não quero nem vou melecar-me com esse "assunto" que nem é meu (e demorei tanto para visualizar). O certo é que torço para sempre teres bastante coisa para desenhar e também para desengavetar, why not?, e que o faças, decididamente, combinando bem boas coisas. Tipo "Outubro" seria e é emblemático disso, já começastes, cadê as dosagens homeopágicas, digo homeopáticas, imprimindo solução de continuidade nos rolos? De minha parte quebrei muitas resistências às diluições pretensamente alquímicas e vou aprendendo a trabalhar um pouco tipo contando regressivamente, do fim e tal. Se a vida corre, também não somos de ficar parados. Admito ter muitas travas, aos tratos com mídias, por parte do meu s ramos, ainda confusão com parceria s nele, mas tão aí minhas posições, e desta vez elas prometem: algum tipo de cadência consequente compondo nos silêncios ou rolos das porras dos barulhos, mas phoder-se é por aí que vou, por horas escassas e alternadas loucuramas desde sempre, mas dando sinaizinhos de vidas do que há por aí. Fui claro?
Lembranças à "adorável vida em família" toda, grande amplexo e até mais!
Lembranças à "adorável vida em família" toda, grande amplexo e até mais!
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Sombra

Capa da Revista Fierro ilustrada por Salvador Sanz
Amigos, boa tarde!
Tenho boas notícias...foi confirmado hoje que outro projeto em quadrinhos está se encaminhado para o forno. Sim, deliciosos quadrinhos...Falo de Sombra, uma história de Boxe. Vou deixar no suspense, em outra vida até passei informações sobre esse quadrinhos, mas aquelas informações ainda eram um brainstorm vago e o alvorecer da verdadeira aurora do Sombra se firma no horizonte com uma relação de trabalho que se confirma.
Eu que no post passado havia dito que vou me centrar nos meus projetos autorais em autônomia, também eu tinha dito que os poucos projetos em parceria iriam mudar, e mudaram.
Salvador Sanz, um dos melhores artistas da nova geração do quadrinhos argentino, assume agora os desenhos do Sombra. Um projeto que vou falar mais tarde sobre como vai ser produzido. Uma promissora parceria unindo Brasil e Argentina para uma nova marca histórica nos quadrinhos latinos.

Carlos Ferreira e Salvador Sanz.
domingo, 18 de outubro de 2009
Renasce a narrativa gráfica Outubro!
Novela Gráfica para 2012 com texto e desenhos de Carlos Ferreira
Quando eu saio da minha ordinária rotina entro em um processo de introspecção. Revejo a minha vida, as minhas decisões e tomo um novo conhecimento sobre mim mesmo. Uma nova visão surge. Eu fiz escolhas e não sei se essas foram escolhas erradas, mas a verdade é, quando desejamos ter a consciência sobre o que realmente somos precisamos adentrar na floresta negra e encarar os nossos mais crueis demônios.
Sou uma pessoa difícil, desajustada e até problematática. Mas não sou uma pessoa sem noção, ou fechada, ou alienada e raza. Sou crítico e até sarcático quando necessário. Uma coisa que tomei noção sobre o meu eu é que não há outro culpado sobre as decisões incorretas a não ser eu mesmo. E vejo que eu erro muito na forma que me relaciono com o tempo.
Tá aí um projeto antigo para quadrinhos que não me deixa mentir...falo da narrativa gráfica, ou novela gráfica chamada Outubro.
Eu concebi Outubro há dezenove anos. E só hoje eu percebo que nunca deveria ter feito o que fiz com esse argumento, assim como muitos outros argumentos...O que fiz foi passar o roteiro para uma dupla de amigos e desenhistas realizarem os desenhos dessa história em quadrinhos. Na época ( e até a duas semanas atrás) eu menti para mim mesmo que essa histórias em quadrinhos seria finalizado por essa dupla dinâmica, mas temos assuntos mais urgências para resolver nessa vida mundana e o trabalho pode ficar para o pós vida. Eu cheguei aos meus 39 anos para aprender que o fluxo de energia com o meu tempo de trabalho, com alguns argumentos e roteiros possivelmente pode ir direto para o limbo, caso essa dependência (quase química) por ter fé em outros parceiros quadrinhistas não mude. Sim, aposto fichas e mais fichas há anos na realização de dezenas de textos que escrevi para os quadrinhos e o vagabundos não desenham. Apostei mais na artes de muitos do que na minha própria por pura insegurança. Eu poderia fazer uma lista de nomes aqui, mas não é o caso. A verdade é que eu pisei na bola comigo mesmo e perdi quase duas décadas nessa fila de espera. O que hoje eu vejo como postura e realização na nona arte, com um suposto mercado e atitudes por uma gama de artistas, eu já idealizava lá no início dos anos 90. Tá aí, a Peek-a-Boo (Picabu) para comprovar.
Vou ser Arrogante com "A" maíusculo, mas talvez isso sirva para você, e para você não sirva, mas diretamente essas idéias que eu tinha sobre quadrinhos autorais possa ter influenciado você indiretamente ou não. É assim que o jogo funciona. Exemplo: O autor e amigo Rafael Sica hoje é o artista que mais me influência, não só pelo seu traço mas por sua elegência autoral de pegar com as suas próprias mãos, nanquin e pincéis e produzir sem muletas o seu universo gráfico de forma tão coerente e verdadeira. Eu quero essa energia para mim.
Outra razão das parcerias nos quadrinhos é: Sou um grande apaixonado por desenho, curto muito os desenhos que os meus amigos e que os meus supostos amigos fazem. São na maioria, gênios, e quando escrevia certos textos idealizava o visual dos seus desenhos nos meus argumentos.
Não acabo aqui com todas as minhas parcerias, mas mudo o código dessas relações. Os Sertões,como exemplo, foi um parto dolorido e houve conflitos no processo de criação entre o Rodrigo Rosa e eu, mas nunca perdemos a amizade e o respeito e concluímos o livro. Não tenho nada contra a conflito criativo, acho necessário, justo quando os artistas buscam por uma boa e honesta qualidade na obra. Foi isso o que Rosa e eu buscamos com Os Sertões. Mesmo tendo claro as nossas posições autorais no livro intervimos muito no território do outro por uma busca de maturidade na obra. É possível que outros quadrinhos venham dessa parceria, quadrinhos que tenho como autoria o argumento há 20 anos, outros mais recentes, vamos ver...
Há casos, como o projeto HQ8, que a gestação de idéias e trabalho em grupo não funcionaram por ignorâcia e egos. Isso fez o meu sangue ferver e botei a boca no trambone, acho que foi bem positivo fazer isso, aqueles que eram reacionários com as minhas idéias parecem seguir o meus dogmas, mudam do formato de estúdio industrial dos quadrinhos, para idenpedentes e recentemente abandonam essa máscara para um caminho que acho honesto...o triàngulo do poder diz ser autoral. Autores industrias é muita pós modernidade para mim. Mas...
O grupo Bestiário é um grupo naturalmente estranho e isso é ótimo... Há meses nós não conseguimos nos encontrar, mas estamos conectados e logo a Picabu 5 vai nascer...
Mas agora, estou recolhendo o que é meu, o que estava no limbo, e dando um novo sopro fazendo as brasas virarem labaredas para ver o circo pegar fogo!
Pois assim como tratavam os meus textos eu seguiria para o mesmo destino filha-da-puta com outros roteiristas quando esses me contatavam e pediam para eu ilustrar os seus textos, um infernal anel de moebius. Isso também vai mudar e as chamas vão para o céu. Luz contras as trevas!
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Mentes ligadas na mesma estacao de rádio!
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Castigo!
sábado, 10 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Quadrinhos?
Confesso aqui que ando em uma fase totalmente anti-quadrinhos...sim, amigos, brochei! Sigo desenhando e escrevendo, mas o meio, as funcoes, os resultados...seriamente, amigos...sim, hoje é muito mais fácil fazer, publicar uma hq, fazer com estilo, tá aí uma pá de hqs e revistas que mostram que tem coisa boa por aí. Mas o problema é o momento, senhores. O universo e o tempo, na minha visao, tem a estética de um peido pop.
Sim, estou em um momento de desajustado, até parece que figuro em um filme punk que tanto foi cultuado entre amigos, falo de Sid and Nancy...
Se podesse faria um moecano agora, várias guspidas em diversos manés, eu, carlos "bob guspi" ferreira, com uma panca e caminhadas desajeitadas. Duro e durango andando nas calles de Buenos Aires, entre classes de cine e historietas...
Sim, estoy en Buenos Aires...
Solo e pensando em muitas coisas sobre as historietas, comics e quadrinhos.
As vezes essa história de hqs lembra religiao.
Há que ter fé...
Sim, estou em um momento de desajustado, até parece que figuro em um filme punk que tanto foi cultuado entre amigos, falo de Sid and Nancy...
Se podesse faria um moecano agora, várias guspidas em diversos manés, eu, carlos "bob guspi" ferreira, com uma panca e caminhadas desajeitadas. Duro e durango andando nas calles de Buenos Aires, entre classes de cine e historietas...
Sim, estoy en Buenos Aires...
Solo e pensando em muitas coisas sobre as historietas, comics e quadrinhos.
As vezes essa história de hqs lembra religiao.
Há que ter fé...
terça-feira, 29 de setembro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Walter Pax

Walter Pax é um hospedeiro e parasita de si mesmo. Hoje é aniversário do Walter Pax e como o prometido eu vou revelar a verdade sobre o artista. A metáfora que uso nao é uma ofensa, mas uma analise crítica e cientifica. Eu o conheco há quase duas décadas e vi o monstro se desenvolver sem deixar de ser o genio. Eu o conheci na casa do Ethon, e seus desenhos me impressionaram. Pareciam prazerosos quando eram criados, nao importavam onde eram desenhados ou o que eram desenhados, eram os donos do mundo, carismáticos e soltos. Nao foi por acaso que eles conquistavam premios em saloes e festivais de quadrinhos. Conquistavam amizades e mulheres. Sim o carisma dos desenhos do Walter tinham o mesmo charme do Walter, mas assim como os seus desenhos tinham luz um contraste nefasto descobriu o potencial das suas sombras e criaturas possuiram a partir dali a alma do Walter Pax. Eu me considero meio responsable por isso.
A maldicao comecou quando eu apresentei o roteiro “Acogueiro”. Escrevi esse texto com um subtexto, um ritual mistico com palabras secretas e alquimicas para capturar um demonio. Contei para Walter só parte da história, escondi a minha verdadeira intencao com o texto: aprisionar Brulefer, demonio dos artistas. Parte do ritual era trasmutar as palabras secretas em imagens, mas Walter subverteu algunas cenas e a merda foi feita, o demonio encontrou no corpo do Walter a sua morada e boom.
Depois desse momento comecou a decadencia, nao do artista, mas da histórias das histórias em quadrinhos gaúchas e em consequencia a historia dos quadrinhos nacionais e Mundial. Voces já repararam que uma das principias referencias dos quadrinhos mundial é um mago? Alan Moore disse recentemente 25% da industria do quadrinhos norteamericana é nutrido do seu trabalho. Em um tabuleiro do tao isso revela parte da verdade escondida nas hqs: é tudo ego.
Esses dias Mateus “Santolouco” Figueró comentou comigo que uma amizade dele perguntou que guerra é essa que rola no sul entre os quadrinhos autorais contra os industriais(super hero). Ele disse que nao rola guerra nenhuma, eu assino embaixo o tratado de paz. Também a terceira guerra mundial nao existe. Estamos o mundo inteiro em paz unidos contra a crise mundial. Crisis nas infinitas terras foi o que proliferou na cabeca do Walter Pax desde a PeekaBoo 1 até hoje. O cara literalmente comeu o pao que o diabo amassou e deu muito vomito para nos, os amigos beber, mas a amizade tambem é para isso, Ouvir o pior dos amigos. Tomar no cu pela pica de um amigo teu. E se há uma verdade sobre as amizades… fodem com todos ou a mulher de um camarada teu.
Falar sobre o artista Walter Pax é mais que necessario porque nesta época que quadrinhista quer ser tratado como rock star, ou top model, ou acha que é Michael Bay e que todo quadrinho tem que ser também filme-croma em Hollywood, faz com que farelos pensem que um porra louca (que mesmo por uma certa inveja daqueles que estao faturando uma puta grana, enquanto o cara justifica que nem tem grana para pagar as contas) só tá queimando o filme, dando um tiro no seu proprio pé. Agora nao é o momento de brigar com os fodoes que estao publicando la fora, nao por interesse, ok, mas agora é o melhor momento de estar bem pertinho desses quadrinhistas, ou melhor desse quadrinhista que tanto o Walter reclama mas que virou um Karma e viceversa. Despluguem o Walter dos seus blogs o cara tá louco!
Sim, o cara tá louco mas nao tá careta, os seus quadrinhos refletem o vazio que nao é so dele, mas de uma época, uma geracao inteira. É cru, borrado, manchas e podreira. Quem aquí suja as maos.
Os quadrinhos nao precisavam ser essa guerra inteira, uma guerra de egos, mas é o que rola aquí, hermano.
Nao defendo nenhuma parte dessa saga, mas ouvi uma frase interessante sobre o artista necessitar imperar o seu ego (na maioria das vezes ele produz para fora, mas devia produzir para o seu interior.), usar das suas armas que as vezes nao sao claras, sao amorais e nada eticas. Determinar quem merece entrar no “mercado” ou nao. Tem de tudo um pouco por ai. E como eu disse, o demonio trapaceou. Nao é casual que os tops gauchos entraram no mercado editorial dos heros. Walter tentou, mas nao entrou nessa, desviou o seu caminho para uma jornada interna, nunca completa as hqs com roteiros de outros quadrinhistas. Acredito que essa trilha do meimufado o leva a resgatar a sua alma atormentada. Walter pode ser uma pedra no rim, mas só tem um caminho, amigos. A morte. E no fim o que tu preferes, fazer quadrinhos para os donos puñeteros dos super heros, ou para si mesmo? A trilha é quem escolhe. Quem é mais feliz?
Longa vida, Walter. Para ti e os teus quadrinhos.
Te cuida!
Mas para de viajar na maionese! Aguardo uma hq porrada sem metal, seu lutador frango!
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
sábado, 19 de setembro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
sábado, 5 de setembro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Menina Morango por Rodrigo Rosa

Amigos, retorno a postar mais uma capítulo da Menina Morango no blog. A demora de vermos mais um hq aqui foi que eu precisava descobrir o paradeiro dessa aventura que ganhei como presente de aniversário do meu amigão Rodrigo Rosa.
Não tinha título esse quadrinhos e acabo de batizar de "Menina Morango e Cao". Rodrigo desenhou e escreveu essa hq depois de uma vez que resolvemos os dois partir para brainstorm maluco onde escrevi e ele desenhou uma hq como se fosse tudo em um plano contínuo.
Putz, não sei se fui muito claro, mas o que eu quis dizer foi que uma vez fomos até a casa do Rodrigo e no caminho eu contava as minhas idéias para ele sobre o universo da Menina Morango. Quando chegamos na "Rosacave" iniciamos a história "Dia dos Mortos" (essa hq fecha um arco, a primeira saga da Menina Morango, nasceu antes da "Menina Morango e Cao", influenciou o Rodrigo a escrever e desenhar solo uma hq da Menina Morango e quando eu fiz 23 anos ele me deu os originais de presente. )
Reli a pouco essa "Menina Morango e Cao". Foi uma viagem ao passado. Voltei aos meus 22 anos, para as tardes ensolaradas do inverno de 92 onde vivi em um outro universo acompanhando uma sensual e maga menina com gosto de morango. Agora posto aqui e compartilho com todos a visão que o Rosa tinha desses meus delírios.
Tudo aqui no link abaixo:
http://cristinameninamorango.blogspot.com/2009/08/menina-morango-e-cao-texto-e-desenhos.html
Boa leitura.
Carlos Ferreira.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Ethon e seu peculiar verbo sobre a Picabu 4:
Lançar quadrinhos é lançar marcas no tempo, por isso é tão bom juntar forças e se coordenar quando as histórias são feitas. Foi esta a realização da Peek-a-boo#4 também, mas em narrativas completas, trazendo para o desenho questões de incomunicabilidade, sob pretexto de tratar do corpo
humano, de nossos movimentos cotidianos, com linguagens ligadas aos usos tecnológicos e costumes adquiridos e/ou drasticamente perdidos, maiores enxugamentos e embaralhamentos textuais, grande diversidade (duas narrativas por autor, uma ilustração por narrativa). Questões de convívio, incidentes de percurso, coreografias e parábolas particularizando universos e universalizando traços equívocos e nem tanto assim, do princípio ao fim, entretendo aliás, imaginário eletrônico para além de bastidores e ensaios, peças de divulgação e notícias de eventos, numa interface mais condizente com as relações em curso e inserções sociais almejadas. Um dos sete integrantes do grupo participa exclusivamente com argumentos para os traços de dois colegas, Rodrigo Rosa volta às cargas d´água em tintas clássicas de humor cronista da aldeia, Fabiano Gummo agrega sua equipe em eventos por fora e entra com tudo flertando com absurdos e dando o que falar e calar, em histórias cujas ilustrações também rendem até capa do bojudinho volume que satisfaz deixando gostinho de quero mais. Outras resenhas se obrigam a contextualizar certa publicação em praças esquisitas ou advertir sobre condimentos mais picantes para as convenções de mercado, por algo que também faz lembrar de experiências maiores e desde São Paulo. Como partícipe das edições anteriores e redator de doidivanas profecias propagandistas não tenho como afetar neutralidade: finalmente cada participação é como a aquisição de um time, que ainda leva o nome Cortazareano de Bestiário, conta com Rafael Sica, Moacir Martins, uma de cujas ilustrações foi para o trono da capa e o próprio Carlos Ferreira, que carrega em tintas de climas que podem não ficar atrás dos da “Rotina na Terra das Risadas”, seu (grande) feito da edição anterior, do início dos anos de 1990 e lendas da menina morango. Não seria pela sabotagem da gráfica naquele 3o número, mas pelo desenvolvimento de estilos artísticos na parábola muda “ondas” e na adaptação de conto do Leandro Adriano revelando preferências anatômicas pouco suspeitas. Os papos da narrativa seguir muito de rolos televisivos e cinematográficos também se verifica com bandas desenhadas que nunca precisaram ficar remoendo velharias, mas vão se equacionando nos percursos independentes de projetos conseqüentemente diferenciados e crescidos, ainda que se tenha decidido manter o título oral da desbotada (por força de sabotagem, e que fique bem escuro, sim?) “revista independente” (como fomos batizados pela própria Panacéia desde São Paulo e entre outros prêmios). Nick Neves também volta, e de viagens, novos trabalhos, e nem tão novos, mas não menos brilhantes, de ilustração, artes e partes eletrônicas, para dar formas a idéias do Leandro Adriano ganhando ilustração bônus (de Moacir) e etc. Para fechar com chave de ouro (e página vermelha) o tijolinho, mais Rafael Sica. Depois de algumas risadas em terras de rotinas (poucas), um lançamento desses pode mexer com as estruturas de um desses que vos falam. Talvez faça bem. Sei lá, dessas espontaneidades de baterias de escolas que não combinam demais com seus astros para sustentá-las nas pulsações de prosas, fluentes e/ou consistentes, da linguagem em jogo, siamesa do cinema, mas filha do jornalismo com artes gráficas em busca de um bom partido estético e narrativo.
Como disse, e sem ter sido o primeiro, estou envolvido nessa até os miolos, de modo que essa acaba sendo boa candidata a uma dessas publicações mágicas cuja mera abertura já constitui verdadeiro evento na vida de um. Esperem mais um pouquinho que vou dar uma conferida nisso e aquilo. Mais um pouquinho...
Pronto. Ah, fazia tempo mesmo, e era quase conveniente estacionar ali, para dar o tempo que tivemos de dar: projeto gráfico em desenhos do Alemão Guazzelli, edição temática, arranjo de narrativas razoável com uma reimpressão aludindo a uma “geração” anterior de publicações em “Morbidez & Desejo”, encarte de contos ilustrados, anúncios conceituais (só faltava a gráfica não “pifar” nos próprios prazos e serviços). A quarta edição, quer dizer, publicação da revistinha costurando produções, esta com figuras colando as peças assombrosamente diversas numa pilha de páginas trazendo aparições de personagens misteriosos, olhos, passos, mãos, reúne olhares sobre as tosqueiras da vida com questões diversas do próprio visual, vida de fazer questão, diversa da estética do feio, mas encarando brutalidades mais chocantes que as obsolescências tecnologicamente programadas e internas aos próprios lares nossos de cada dia desses. Ah, sim, rever é preciso, curtindo os tais procedimentos de estilo, as tintas carregadas com força no P&B deste número desde a capa com direito a picadeiro estrelado e ícones sem rosto, poucas e boas letras abrindo com o chavão de John Archibald Wheeler, que esse povo dos “quadrinhos”, aliás “histórias em quadros” como se lê na mesmíssima capa, se notabiliza mesmo por ler, e publicamente manifestar o que está achando, contando ou não, de histórias, diálogos, (des)falas, em apresentação de papéis em telas por blogues para todos os lados e essa juntada dos destinos provisórios, de cenários, no que for ser a revista, de encontros e/ou desencontros? Sim, sim, rola isso por aí mesmo, por sinal minha questão na festa era justamente a respeito do processo combinativo do pretexto temático. Viagem? Na verdade, uma “equação” está sendo programada: estrada + viagem = Jornada. Algo assim, para não estragar surpresa, que uma química com liga não está fácil de achar, nem nos bolos do dia a dia. O olho mergulha, cola, derrapa, aciona memória, se emociona, dança. Até a próxima! “Em qualquer campo, descubra a coisa mais estranha e depois explore-a.” J. A.W. Ah, nem vou comentar mais o índice, que no próximo número pode ser mais “útil”, como guia para itinerâncias da leitura, mas seria parte dos rostos de que demos falta nalguns quadros de mais de um autor e ilustrador. Celebrar é preciso?
humano, de nossos movimentos cotidianos, com linguagens ligadas aos usos tecnológicos e costumes adquiridos e/ou drasticamente perdidos, maiores enxugamentos e embaralhamentos textuais, grande diversidade (duas narrativas por autor, uma ilustração por narrativa). Questões de convívio, incidentes de percurso, coreografias e parábolas particularizando universos e universalizando traços equívocos e nem tanto assim, do princípio ao fim, entretendo aliás, imaginário eletrônico para além de bastidores e ensaios, peças de divulgação e notícias de eventos, numa interface mais condizente com as relações em curso e inserções sociais almejadas. Um dos sete integrantes do grupo participa exclusivamente com argumentos para os traços de dois colegas, Rodrigo Rosa volta às cargas d´água em tintas clássicas de humor cronista da aldeia, Fabiano Gummo agrega sua equipe em eventos por fora e entra com tudo flertando com absurdos e dando o que falar e calar, em histórias cujas ilustrações também rendem até capa do bojudinho volume que satisfaz deixando gostinho de quero mais. Outras resenhas se obrigam a contextualizar certa publicação em praças esquisitas ou advertir sobre condimentos mais picantes para as convenções de mercado, por algo que também faz lembrar de experiências maiores e desde São Paulo. Como partícipe das edições anteriores e redator de doidivanas profecias propagandistas não tenho como afetar neutralidade: finalmente cada participação é como a aquisição de um time, que ainda leva o nome Cortazareano de Bestiário, conta com Rafael Sica, Moacir Martins, uma de cujas ilustrações foi para o trono da capa e o próprio Carlos Ferreira, que carrega em tintas de climas que podem não ficar atrás dos da “Rotina na Terra das Risadas”, seu (grande) feito da edição anterior, do início dos anos de 1990 e lendas da menina morango. Não seria pela sabotagem da gráfica naquele 3o número, mas pelo desenvolvimento de estilos artísticos na parábola muda “ondas” e na adaptação de conto do Leandro Adriano revelando preferências anatômicas pouco suspeitas. Os papos da narrativa seguir muito de rolos televisivos e cinematográficos também se verifica com bandas desenhadas que nunca precisaram ficar remoendo velharias, mas vão se equacionando nos percursos independentes de projetos conseqüentemente diferenciados e crescidos, ainda que se tenha decidido manter o título oral da desbotada (por força de sabotagem, e que fique bem escuro, sim?) “revista independente” (como fomos batizados pela própria Panacéia desde São Paulo e entre outros prêmios). Nick Neves também volta, e de viagens, novos trabalhos, e nem tão novos, mas não menos brilhantes, de ilustração, artes e partes eletrônicas, para dar formas a idéias do Leandro Adriano ganhando ilustração bônus (de Moacir) e etc. Para fechar com chave de ouro (e página vermelha) o tijolinho, mais Rafael Sica. Depois de algumas risadas em terras de rotinas (poucas), um lançamento desses pode mexer com as estruturas de um desses que vos falam. Talvez faça bem. Sei lá, dessas espontaneidades de baterias de escolas que não combinam demais com seus astros para sustentá-las nas pulsações de prosas, fluentes e/ou consistentes, da linguagem em jogo, siamesa do cinema, mas filha do jornalismo com artes gráficas em busca de um bom partido estético e narrativo.
Como disse, e sem ter sido o primeiro, estou envolvido nessa até os miolos, de modo que essa acaba sendo boa candidata a uma dessas publicações mágicas cuja mera abertura já constitui verdadeiro evento na vida de um. Esperem mais um pouquinho que vou dar uma conferida nisso e aquilo. Mais um pouquinho...
Pronto. Ah, fazia tempo mesmo, e era quase conveniente estacionar ali, para dar o tempo que tivemos de dar: projeto gráfico em desenhos do Alemão Guazzelli, edição temática, arranjo de narrativas razoável com uma reimpressão aludindo a uma “geração” anterior de publicações em “Morbidez & Desejo”, encarte de contos ilustrados, anúncios conceituais (só faltava a gráfica não “pifar” nos próprios prazos e serviços). A quarta edição, quer dizer, publicação da revistinha costurando produções, esta com figuras colando as peças assombrosamente diversas numa pilha de páginas trazendo aparições de personagens misteriosos, olhos, passos, mãos, reúne olhares sobre as tosqueiras da vida com questões diversas do próprio visual, vida de fazer questão, diversa da estética do feio, mas encarando brutalidades mais chocantes que as obsolescências tecnologicamente programadas e internas aos próprios lares nossos de cada dia desses. Ah, sim, rever é preciso, curtindo os tais procedimentos de estilo, as tintas carregadas com força no P&B deste número desde a capa com direito a picadeiro estrelado e ícones sem rosto, poucas e boas letras abrindo com o chavão de John Archibald Wheeler, que esse povo dos “quadrinhos”, aliás “histórias em quadros” como se lê na mesmíssima capa, se notabiliza mesmo por ler, e publicamente manifestar o que está achando, contando ou não, de histórias, diálogos, (des)falas, em apresentação de papéis em telas por blogues para todos os lados e essa juntada dos destinos provisórios, de cenários, no que for ser a revista, de encontros e/ou desencontros? Sim, sim, rola isso por aí mesmo, por sinal minha questão na festa era justamente a respeito do processo combinativo do pretexto temático. Viagem? Na verdade, uma “equação” está sendo programada: estrada + viagem = Jornada. Algo assim, para não estragar surpresa, que uma química com liga não está fácil de achar, nem nos bolos do dia a dia. O olho mergulha, cola, derrapa, aciona memória, se emociona, dança. Até a próxima! “Em qualquer campo, descubra a coisa mais estranha e depois explore-a.” J. A.W. Ah, nem vou comentar mais o índice, que no próximo número pode ser mais “útil”, como guia para itinerâncias da leitura, mas seria parte dos rostos de que demos falta nalguns quadros de mais de um autor e ilustrador. Celebrar é preciso?
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Entrevista antiga no site Alan Moore senhor do Caos
Quadrinista CARLOS FERREIRA (Revista CAOS)
por José Carlos Neves
“Carlos Ferreira, editor do saudoso (mesmo!) fanzine Peek-a-Boo, é um quadrinista com cancha em salões Brasil afora, volta e meia conquistandoprêmios. Seu trabalho é bastante autoral, o que, no Brasil, sempre reflete em uma redução brutal de visibilidade. Ver uma história sua publicada, porém, sempre dá satisfação ao leitor.
Em Caos, sua empreitada mensal, Ferreira evoca os trabalhos mais autorias e autobiográficos de Alan Moore, como The Birth Caul, em que o aspecto simbólico toma conta da história até o sufoco do leitor. Não por acaso, um texto do criador de Do Inferno e Watchmen encerra a série. Certamente também não é coincidência a semelhança física de Cao com Carlos Ferreira.
Em casos como este, o leitor é convidado a acompanhar a trama - com uma ressalva: é preciso disposição para entrar no ambiente sinuoso da história. Como sempre, há recompensas para os bem-aventurados. A começar pela arte que, exceto no epílogo, distribui a história em quadros únicos que ocupam as páginas integralmente. O traço de Carlos Ferreira está bem fino o tempo todo, gerando um branco incomum e perturbador, que contrasta com o enredo entrevado - se a escuridão impede a visão apenas temporariamente, o excesso de luz pode cegar para sempre.”
Esta “apresentação-e-resenha-crítica” de Eduardo Nasi (também nosso Entrevistado), no inigualável site UniversoHQ, me fez interessar instantaneamente pelo material de Carlos Ferreira e contata-lo, para o “papo” que se segue.
-Vamos lá, Ferreira, hands-up e entregue: idade, onde nasceu, cresceu e vive atualmente, estado civil, filhos? Formação acadêmica e profissão?
A minha idade é trinta e três, nasci em Porto Alegre e foi aqui que cresci e vivi quase toda a minha, mas vivi uns anos em Buenos Aires, por volta de três anos. Sou casado e tenho um filho. Sou artista, formado em quadrinhos, autodidata, mas trabalho como diretor, roteirista, diretor de arte, ilustrador, músico, professor, publicitário (infelizmente já fui e às vezes sou obrigado a ser) e editor. Um verdadeiro faz tudo, um biscateiro como diz a minha mãe.
-O quê e quando iniciou seu interesse pelos Quadrinhos e Artes Plásticas em geral?
Os quadrinhos sempre de alguma forma estiveram presentes na minha vida, eu lembro da primeira revista que ganhei da minha mãe, eu tinha quatro ou três anos, passamos por uma banca de revista e pedi um revistinha do gordo e magro. Lembro que eu desenhava muito que eu via na tv, ultramen, ultraseven, naves espaciais e monstros. Mas lembro também um momento que eu tinha uma total aversão dos quadrinhos, isso com os meus dez anos. Eu odiava história de super-heróis e faroeste. Tenho as imagens na minha memória dos meus tios lendo um gibi do homem-aranha, algum gibi do Tex, um amigo que era um puta desenhista me mostrando a sua coleção de horror com a Kripta, Calafrios e Batman da Ebal. O nome desse meu amigo é Junior e ele queria transformar um outro amigo, Leandro, num super-herói. Mesmo sendo fã do desenho do homem aranha, eu odiava os quadrinhos de super-herói. Mas a coisa começou a mudar de figura com os meus treze anos, ou quartoze anos. Quando eu ia caminhado para o colégio e passava por uma banca de revista que tinha a venda à revista Espada Selvagem de Conan. Era a edição número três, com capa do Bill Sienkievicz como fiquei sabendo depois. Nessa época eu estava com um problema de saúde um pouco parecido com o da personagem Elijah do filme Um Corpo Fechado. O meu fêmur esquerdo teve uma fratura que nunca cicatrizava, tive que fazer uma cirurgia e quase perdi a perna. Comprei aquela revista do Conan com os meus treze, mas a li meses depois com quatorze não podendo caminhar direito, com dores e repousando na cama, lembro de tirar a revista debaixo da mesa da tv no meu quarto e começar a ler. O meu mundo apartir dali mudou.
-Na infância você lia muito, tanto HQ quanto Literatura mainstream? Pode citar autores e obras que o influenciaram?
Eu já tinha uma inclinação por ficção na infância. A tv era o meu elo com a arte, e a televisão na década de setenta oferecia programas mais interessantes do que hoje, mesmo que hoje tenhamos programas e série com mais qualidades técnicas e dinheiro, naquela época ainda experimentavam mais e por isso eram mais criativos. Hoje olhamos parte desses programas e os achamos ingênuos, mas se deixássemos de lado as limitações dessas séries, veriam que cada uma tinha uma identidade muito própria. Lembra do Túnel do Tempo? O Homem de Seis Milhões de Dólares? Além da Imaginação? Kung Fu? Patrulha Estelar? James West? Johnny Quest? E vai pedrada...
Eu também vi muitos filmes clássicos na tv, Hichtcock, filmes do John Ford, Roman Polanski, filmes Noir, terror e outras maravilhas. A tv foi uma das maiores escolas para narrativa e enquadramento. Inacreditável como o nível hoje caiu. Podia se tirar muito proveito com dois ou três canais, mas hoje esse veículo realmente é burro. O cinema era um luxo para mim, vi Super-Homem, Império Contra Ataca e mais coisas...
A literatura nasceu depois dos quadrinhos, eu já lia o Demolidor de Frank Miller na Revista Super Aventura Marvel, o que eu gostava nos quadrinhos era o que para mim, era cinema no papel. Frank Miller, John Buscema, John Byrne passavam essa atmosfera. Lendo esses autores eu queria saber o que se passava na cabeça deles e como aprenderam a desenvolver as suas narrativas, quais eram as suas influências e como surgiram.
Eu já tinha dezesseis anos quando me recuperei da minha perna e fiz novos amigos que por coincidência também gostavam de quadrinhos. Esses amigos são Trein e Drégus. Nesta fase começou a aprendizagem de ler muita literatura principalmente Raymond Chandler, Poe, Lovecraft e Borges. As obras que me influenciaram foram O Longo Adeus, Histórias Extraordinárias, Um Sussurro nas Trevas e O Aleph.
-Conte nos a gênese da CAOS,suas motivações , repercussão...
A CAOS nasceu de uma necessidade enorme de eu querer me encontrar. Acho que no período antes do CAOS eu estava dentro de um vórtice e sem controle sobre a minha vida. As coisas e confusões aconteciam. Uma chuva de eventos me empurrava há um descontrole sobre as minhas decisões e práticas. Eu provoquei muitos acidentes e deturpei muitos relacionamentos sem intenção direta. A base dos quadrinhos que eu faço tem como nascença a minha vida dos meus dezoito anos aos trinta e poucos. CAOS se passa quando eu tinha vinte nove. Eu desenhava uma seqüência inspirada na série Millennium, Frank Black (Will Black) sendo atacado por dragões imaginários enquanto dirigia. Essa seqüência não existia na série, mas eu queria aprofundar de alguma forma na personagem. Tudo por que eu identificava coisas minhas na personagem. A vida da personagem tinha muitos nós, era como eu via a minha. E quem fez esses nós seria uma força invisível dotada de consciência. Eu queria ver essa força, eu queria identificar os seus movimentos e interagir com ela. Provoquei uma série de eventos e fui ludibriado. Precisei expor tudo na CAOS, que não é um relato literal mas é um registro do que tudo aquilo significou para mim.
-Você se interessa, além da curiosidade, pela fascinante Teoria do Caos, seus fractais e grande potencial criativo?
Eu tenho um interesse na Teoria do Caos e o que ele gera. É tudo mais Caos do que ordem na minha opinião. O fato de eu estar aqui falando sobre o Caos, devido a uma história chamada Caos, há um site com nome de O Senhor do Caos é a própria comprovação do Caos.
-Quais obras (quadrinhos, literárias, cinema) que julga melhor ter aplicado o Caos como metáfora?
Na literatura o que vem na minha cabeça agora é o conto Aleph, do Borges. Nos quadrinhos adaptação da Cidade de Vidro por Mazzuchelli. No cinema falamos do ¶, do Darren Aranafosky. Hoje são desses que falo, mas amanhã eu poderia citar outros nomes.
-Fale-nos sobre os contos e arte relacionados ao Caos que esse fanzine publica. Como você “recruta” os autores e seleciona o material? – baseado em que requisito?
A maior parte das colaborações na CAOS foi pedida por mim aos amigos que já conheciam o Universo Ferreteria. Walter Pax é a colaboração mais ativa por que somos vizinhos e conversamos muitos sobre a CAOS, tem até um sonho que ele teve comigo ilustrado ali. Mateus é outro que esteve acompanhando o projeto, eu pedi para ele desenhar um demônio saindo da tv, depois ele desenhou o próprio Frank Black. O Scott leu os dois primeiros e pediu para colocar um conto, foi total produto do acaso eu gostei disso foi o único conto e é bem Scott. Tem um desenho do meu sobrinho que é o primeiro desenho dele publicado, estou falando de um desenho do Gabriel Ferreira, esse ainda vai contar muitas histórias. O Mena me enviou uma colaboração depois de ter lido os três primeiros. O Moacir quis brincar de ser Carlos Ferreira é obvio que sempre ele vai ser Moacir Martins. O Pilla me presenteou com um desenho e eu publiquei. O mesmo aconteceu com a Roberta. Do Daniel eu tinha aqueles postais há anos e enquanto eu rodava as CAOS olhava esses desenhos e via que, sem querer, eram dentro do universo da série. William Blake era indispensável. Todos expressaram livres, sem uma orientação de como seguir nos seus estilos. Eu gosto das diferenças e divergências gráficas que estão ali marcadas.
-O que você tem feito atualmente no gênero? Quais seus novos projetos?
Bom, eu tenho feito diversas coisas. Tenho desenhado páginas de diferentes histórias e me decidido para qual vou seguir com mais velocidade. Estou desenvolvendo histórias curtas e longas. Estou revendo antigos roteiros e arquitetando uma linha de produção mais rápida. Vou lançar um livro de contos, que de certa forma é uma continuação do Caos, estou na pré de um longa em digital que também quero fazer uma versão em quadrinhos. Estão todas essas histórias relacionadas com o Caos.
-O que é mesmo a “Ferreteria Quadrinhos”, sua própria Editora? Partiu para a “auto-publicação” por opção ou por desinteresse das outras editoras?
Sim, a Ferreteria Quadrinhos é a minha própria editora. Sou muito dominador do que eu faço, tenho uma postura bem objetiva sobre como quero e o que eu quero. Ter uma outra editora interessada em publicar as minhas histórias é algo que até já tá em negociação. Mas eu tenho muito prazer em editar. Gosto de provocar o objeto como uma revista ou um livro e ver ele virar matéria, se divulgar e circular pelo mundo.
-Porque você parou com o seu famoso “Peek-a-Boo”? O que de melhor, ao seu ver, esse zine publicou? E porquê?
A Peek-a-Boo parou por discordância e preguiça. Foi como uma banda que tinha um gás e energia para fazer rock. Nós queríamos provocar, mudar o mundo contando histórias em quadrinhos. O time era bem bacana Walter Pax e Jack Kaminski, Rodrigo Rosa, Fábio Zimbres, Leandro Adriano, Eloar Guazzelli, Ethon Fonseca e outros. Nós tínhamos os fixos e os convidados e a cada número elaborávamos temáticas, mas esses temas tinham que aparecer sutis. O primeiro era sobre crimes, o segundo sobre realismo mágico, o terceiro sobre amor e morte. Essas histórias não se encaminhavam para gêneros comuns. Eram todas muito climáticas e algumas de humor negro. Foi uma trilogia impressa. Acabamos ganhado uma admiração de fãs e somos considerados um clássico. Acho isso muito engraçado por que vejo os limites e defeitos na Peek, mas a energia de rock estava lá era bacana. Hoje eu teria condições técnicas para o retorno da Peek, mas não sei.
-O que você acompanha em Quadrinhos hoje?
Eu acompanho algumas coisas, sou compulsivo com os quadrinhos. Dos quadrinhos industriais, gosto do selo Vertigo, mas a minha batida é buscar autores, não importa se são em fanzine, internet, álbuns ou revistas. Eu também tenho o hábito da releitura. Estou sempre relendo Corto Maltese do Hugo Pratt, Allack Sinner do Sampayo e Muñoz, Mort Cinder do Osterheld e Breccia que são os meus preferidos.
-Você sabe que neste site, tudo praticamente gira em torno do cultuado autor e roteirista inglês Alan Moore. Que ele foi o criador da obra From Hell , para os Quadrinhos, depois desperdiçada por Hollywood. E que ele,” para vencer a crise existencial dos 40 anos”, resolveu se tornar um mago. Estudou muito Aleister Crowley, Austin Osman Spare, participou de experiências e acontecimentos no mínimo “fora-do-script”, como ele gosta de descreve-los. Voce acredita na Magia, na Cabala e outros desdobramentos, ou tenta também - como o James Randi tupiniquim, Padre Oscar Quevedo - "explicar tudo à luz da Parapsicologia" ?
Eu sou meio Molder (Arquivo-X), Dale Cooper (Twin Peaks), Frank Black (Millennium). Deixo vivo o meu lado Peter Pan. Tenho mente aberta e levo a minha sensibilidade em relação ao mundo muito a sério, mas sou totalmente cético a certas convenções, terminologias, e religiões.
-O que você pensa da Magia? Lê a respeito? Acredita nos seus “efeitos práticos”, na “sigilização”, por exemplo?
O que eu penso sobre Magia, é que a realidade é andar na calçada, magia é caminhar do meio da rua e ser sujeito a um atropelamento. Leio algumas coisas, geralmente ensaios mais antropológicos. Eu acredito no efeito disto na mente de todos e somos todos loucos. Isso traz uma certa conseqüência real. Afinal, a realidade é o que está na cabeça de cada um. Às vezes essa realidade pode ser bem distorcida é o que acontece na cabeça do Bush, por exemplo.
-Quando foi seu primeiro contato com o trabalho de Alan Moore e qual obra lhe causou algum impacto especial?
O meu primeiro contato com Alan Moore veio de uma conversação sobre um roteiro que eu tinha escrito e mostrado ao Drégus. Eu contei para Drégus algumas idéias que eu tinha para quadrinhos e o tipo de histórias que eu queria contar. Drégus dizia que não tinha mais como contar histórias novas de Horror. Era um gênero acabado, isso era por volta de 1886. Mas o que ele leu no roteiro que tinha escrito o deixou perturbado. Tu escreve histórias muito estranhas. Da onde tu tira isso?¨, ele me dizia com uma cara de assustado. A segunda opinião dele foi com uma ligação dizendo que eu deveria ler uma hq que ele tinha acabado de ler, era Lição de Anatomia, a primeira história do Monstro do Pântano. Eu não parei de ler Moore. Sem dúvida é um dos autores que mais gosto. Watchmen, V for Vendetta, Miracleman estão bem enraizadas dentro de mim. Eu aprendi muitas coisas lendo essas obras, coisas que transcende aos quadrinhos e se refletem na minha relação com o mundo. Do Inferno para mim, é a obra perfeita. Lembro que eu tinha terminado de escrever e desenhar a CAOS e comprei os tomos publicados pela Via Lettera. Eu li tudo de uma vez só e senti uma certa conexão com a CAOS. Tem muitos elementos próximos. Não quero me comparar a Moore, mas tenho alguns hábitos parecidos com ele. Quero provocar, contar uma história, evocar a memória do inconsciente coletivo, tocar na ferida e expurgar a mentira que nos colocam goela abaixo com a política cultural. Quando falo política cultural isso engloba a tudo, tudo é política. Religião, arte, relações humanas e etc.
-Qual trabalho do mago bardo de Northampton que você considera sua obra-prima e porquê?
A obra prima do Moore na minha opinião é a própria vida dele, vai parecer até fanatismo da minha parte... Eu não sei se Cristo existiu, mas Alan Moore sim, e esse está fazendo milagres. Ele está costurando um mundo que já se foi (rodeado de mitos e idéias mais desenvolvidas sobre o homem e o seu papel no universo) com cultura pop. Essa é a magia de Moore, transmutar a força da mitologia primitiva em modernidade. Através das suas obras se pode enxergar muito além do que nos é permitido.
-Ao seu ver, quais foram as inovações mais importantes do autor? Especificamente sobre Watchmen e sua instigante forma narrativa – já apelidada de O Cidadão Kane da Nona Arte – o que tem a nos dizer?
Antes de qualquer inovação técnica que veio com a obra do Moore, eu vejo a inovação humana. O comportamento e a moral de Moore é uma inovação ao mundo. Ele é um dos poucos senhores íntegros do planeta, é uma pena não termos na presidência desses paísinhos ricos. Eu prefiro ter um cara cheio de haxixe na cabeça, do que merda e uma curra mal resolvida do pai o que deve explicar o Bush. Mas da sua forma, Moore vai comandando o mundo.
-Você acha que ainda existe espaço para seres musculosos e com super-poderes, metidos em colantes, na verdadeira Cultura Pop, mais madura? Pergunto porque muitos fãs dos super-heróis, ao mesmo tempo que admiram Alan Moore, o detestam por considerar que ele praticamente destruiu o gênero com Watchmen. E você?
Cara, eu não sei o que pensar desses super-heróis. Sei que eles são ridículos e isso pode gerar muita carta na manga. Eu adoraria ser pago por essas megas editoras e ajudar ainda destruir mais esse gênero. Vejamos por um lado, tu sairia com uma capa, máscara e cuecas para bater na malandragem? Mas se tivesse a capacidade de voar e ficar invisível não seria uma maravilha? O que eu gosto neste tipo de quadrinhos é o flerte com o gênero fantástico. Mas a moral do bem contra o mal não é comigo. Principalmente essa histeria estranha por corpos musculosos e armas. Eu acho isso muito gay. É aí onde extravasa que o mundo é gay. Acho que isso é de um apelo sexual bem básico. Eu tenho um amigo que era fã do Conan e fã de heavy metal, ele tinha toda aquela pose representada nesse estilo. Musculoso, com cabelos compridos e couro. Em algum momento o cara entendeu o subtexto disso tudo e evolui. Aceitou a atração que tinha por tudo aquilo e por outros homens, aceitou que há uma supervalorização sexual e que precisava disso. De enrustido, inteligentemente aceitou sua opção sexual e não lê mais o Conan. Faz parte do pacote que é vendido nos super-heróis. Não são sós as mulheres peitudas vendem, são homens de cuecas com super sacos a maior quantidade produzida e vendida.
-E From Hell, você acha que Moore conseguiu atingir plenamente seu intento de forjar em uma HQ o caldeirão que nos preparou o Século XX, com toda sua paranóia, conspirações, contradições, horror e beleza?
Eu acho que todos os objetivos de Moore estão bem estruturados ali. O principal dele é contar uma história, contar o que ainda não tinha sido contado e contar bem contado. É isso que um escritor busca. É um dialogo entre o escritor e obra, onde uma platéia (que é o público) acompanha e é transformada com aquilo. Isso acontece com Do Inferno.
-O que pensa da Magia?
Eu penso que às vezes deveríamos esquecer palavras como magia, Deus e poderes ocultos. Deveríamos pensar mais sobre relação, solidão e limites. Buscar entender o significado dessas palavras. Depois se movimentar no mundo e praticar o que pode ser praticado com elas. Nós porcamente nos relacionamos, não admitimos que estamos sós e não aceitamos que temos limites. Isso para mim tem mais substância. Antes de querer ficar invisível e voar. Eu quero saber quem sou e o que sou.
-Mas, ainda nesta direção metafísica, qual é a sua concepção do Tempo? Considera-o a Quarta Dimensão do Espaço, como teorizou Einstein ou tem outra visão?
O tempo é o que também sou. O tempo é a minha memória.
-Como você imaginaria um ser da 4ª dimensão se pudesse ser visualizado por nossos sentidos tridimensionais (ou seja, da mesma forma que representamos num papel, uma superfície bidimensional, um objeto de três dimensões, ao desenharmos um cubo em perspectiva)?
Imagino que esses seres seriam todas as nossas fantasias. Nós redigimos o mundo deles, eles o nosso.
-Você chegou a ler aquela que seria a magnum-opus de Moore, BIG NUMBERS, pela qual sou absolutamente fissurado (que o digam os inúmeros Artigos neste site)? Em caso afirmativo, o que pensa que Alan Moore tentaria “dizer” com esta obra seminal?
Moore mostra nessa série que estamos todos interligados, somos todos um organismo vivo. O padrão de uma consciência. O caos.
-Voltando à sua produção, o quê você fez que considera o melhor até agora?
Caos é o mais parecido comigo. O mais próximo com o que virá.
-Você é indubitavelmente, um dos batalhadores por um autêntico Quadrinho nacional. Ele existe?
Eu acredito que sim. Aqui no Brasil nós fazemos um tipo de quadrinhos que eu não sei se existe no restante do mundo. Vejamos os americanos, por exemplo, eles como trabalhadores são sérios e profissionais, mas ao meu ver o que é produzido é frio e duro. Há exemplos de gênios e momentos na história dos quadrinhos
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americanos excepcionais, com produção autoral com A maiúscula, é o caso de Will Eisner, Robert Crumb, Frank Miller, Daniel Clowells, David Mazzuchelli e outros. Mas essa forte indústria caminha contra. Eles não saem desse bosta de universo de super-heróis! Chega, gente. Vamos deixar as cuecas de lado e incutir o terror! No Japão eu acho que existem coisas mais interessantes, muito do que não é exposto nos quadrinhos americanos, como sexualidade, certos tipos de conflitos, personagens mais humanos são visto em alguns quadrinhos, como é o caso de Evangelion, mas esse mercado também tem os seus baixos devido a grande produção.
O que acho que vou aprendendo no decorrer da minha carreira é que nos países como o Brasil existe um tipo de produção pioneira, uma devoção de poucos que vão lapidando um estilo que é seja miserável, morra de fome, mas faça quadrinhos. Fazer quadrinhos aqui, na América Latina, nos países pobres é ter uma puta devoção a arte. Eu sou narrador, um contador de história, não me importa se desenho bem o mal, se escrevo bem o mal, sou um doente, um compulsivo por histórias. Dedico a minha existência a ver, ouvir e criar narrativas pode ser num conto, numa hq, ou em um filme.
-O que você acha que dificulta para o quadrinista brasileiro sobreviver de sua arte? Falta de talento ou de mercado?
O que não existe no Brasil é indústria de quadrinhos. O mais próximo que estamos disso é a turma da Mônica, não temos DC, Marvel e Walt Disney. Mas há mercado se estamos aqui conversando sobre quadrinhos nacionais é por que há um mercado. Eu já comprei quadrinhos nacionais, tu já compraste. Muitos que estão aqui lendo já compraram. Mas é um tipo de mercado comparável ao mercado de drogas, eu sou um viciado por quadrinhos. Quem compra o quadrinho nacional é um viciado por quadrinhos. O que falta é legalizar esse mercado. Quem produz profissionalmente quadrinhos neste país é quase visto como marginal, eu não digo que pelo meio, mas pelo que está fora do meio. Quem compra quadrinhos também meio que se esconde. Só que todo mundo quer ver o Homem-Aranha no cinema.
-Como um profissional, também considera que o nosso artista “se vende” quando passa a publicar no Exterior, nos EUA principalmente, adequando-se ao estilo e mudando até mesmo de nome?
Eu também quero se comprado pelas editoras. Principalmente a Vertigo, mas trocar o nome e adequar o meu estilo, não obrigado! Custou-me muito ter o estilo que tenho, a postura que eu tenho, maturidade que ainda busco. Ser autor de quadrinhos foi uma opção de estilo de vida e filosofia. Quando narro uma história estou sempre atento aos erros e acertos, imprimo um senso de autocrítica e tento dar uma forte personalidade no que estou produzindo, imagina um mané chegando e dizendo: olha acho que essas mãos poderiam estar mais dramática, quem sabem tu deixa o peito dele mais grande, mais Jim Lee, Alex Ross, ou Marc Falrane. Pica! É o que eu diria. Quem sabe tu muda o teu nome de Carlos Ferreira para Charles Ferreira. Hahahaha! É a minha resposta.
-Ainda nesta área, conhece e o que acha do trabalho de Mike Deodato, atual campeão no desenho de super-heróis emblemáticos, da Marvel/DC?
O Deodato Borges Filho, mais conhecido como Mike Deodato. Impressionavam-me muito na sua fase brasileira, já as fases americanas eu estou aguardando para ver o seu Hulk que me parece uma busca por uma identidade própria, sem os clichês americanos.
-E os artistas brasileiros da “velha guarda” como Jayme Cortez, Ignácio Justo , Walmir Amaral, Salatiel de Holanda, Igayara, Colin, Shima, Edmundo Rodrigues, conheceu o trabalho deles?
Colin é o que tenho maior admiração e respeito. Eu sou um grande fã dele é o nosso Hugo Pratt.
E a “geração Vecchi/Grafipar? (Franco, Rodval Matias, Mozart Couto, Watson Portela, Cláudio Seto, Olendino e tantos outros)?
Mozart Couto foi o primeiro autor brasileiro que eu comprei. Eu gostaria muito de escrever um roteiro para ele.
-Você concorda que, depois de uma onda iniciada, ao meu ver, na Image, o desenho de super-heróis tem optado por uma arte mais realista – em termos de visual e não de temática.Melhor explicando: seres de músculos anabolizados impossíveis não são realistas. Mas sua representação no papel, quase sempre iluminados por no mínimo duas fontes de luz – uma mais forte e no lado oposto a esta, outra mais fraca, ou de luz rebatida, torna as figuras mais realistas, mais tridimensionais, se me entende – como faz Dale Keown e principalmente o italiano Paolo “Druuna”Serpieri. Concorda que existe esta tendência?
Eu não acompanho muito esse quadrinho, há quadrinhos bacanas na Image que infelizmente não estão saindo no Brasil. São histórias bem diferentes nos desenhos e textos. Sobre o realismo nos quadrinhos de super-heróis, eu acho impossível de existir textualmente, mas existem uns desenhistas realistas que eu curto, o Mike Allred é um exemplo. Tem um puta domínio de anatomia e naturalismo.
-O que você pensa do desenho anatômico do italiano Paolo Eleuteri Serpieri, criador da voluptuosa Druuna, principalmente em termos do uso da iluminação bi-lateral que ele faz e também de sua arte-final em traços cruzados, de diversas formas, para interpretar os vários tons de sombreamento no desenho?
Eu sei que é uma puta gostosa a dona desenhada, mas esse não é o meu tipo de quadrinhos. São desenhos superbem trabalhados e tal, mas falta uma energia e verdade ali. É um desenho para consumir punhetas, mas a minha batida vai, além disso. Sou mais o despertar das mentes adormecidas!
-Quais dos nossos autores e artistas você julga mais em condições de produzir uma obra de fôlego?
Tenho admirado o trabalho do nosso Carl Barks, André Diniz. Samuel Cassal, Rodrigo Rosa, Vinícius Martins. Lourenço Muttarelli é um autor que deveria ser exemplo para muitos. Fabio Zimbres é sempre bom. E Guilherme Pilla.
-E nas Artes Plásticas em geral, qual dos trabalhos que tem visto – HQs, ilustrações, esculturas, maquetes, etc - julga o melhor ou pelo menos promissor? Acha que temos um mercado para esta delimitada forma de Arte?
Guilherme Pilla, Rodrigo Rosa o grupo Upgrade do Macaco. Um é Artista Plástico, o outro é ilustrador e o grupo é um evento gráfico místico e urbano aqui de Porto Alegre.
-E você, o que tem feito em termos de Pintura? Quais os “salões” eu participou, premiações...?
Pintar ainda é um mistério para mim. Eu gosto de acrílica e aquarela, mas pinto muito pouco. Já participei de vários Salões como Piracicaba, Desenho de imprensa de Porto Alegre, Piauí e outros que não vou lembrar os nomes e locais.
-Como o leitor interessado pode adquirir seus Quadrinhos e quadros, quais os que estão disponíveis?
É só mandar um e-mail para ferreteria@brturbo.com e pedir a CAOS. Logo vou começar divulgar as próximas edições da Ferreteria.
-Experiências até do Pentágono, comprovaram a eficácia expressiva dos Quadrinhos em transmitir qualquer idéia por atingir, através do somatório sinérgico de imagens com texto, os dois hemisférios cerebrais. Será isto talvez que explique o grande sucesso do gênero nos paises do Oriente (China, Japão,Coréia principalmente), já que seus alfabetos ideogramáticos (os caracteres representam imagens e não sons) têm o mesmo efeito? Conhece algum estudo abalizado sobre o assunto? – a propósito e exemplificando, vários manuais de utilização e manutenção de armamentos e equipamentos militares, e ate´ uma certa “cartilha de ação guerrilheira” em “republiquetas latino-americanas” da CIA são produzidos justamente em forma de Histórias em Quadrinhos.
É o quadrinho o que move o mundo. Os cinemas, por exemplo, já não sobrevivem sem adaptações dos quadrinhos.
-Acha que as chamadas artes populares e de entretenimento, como o Cinema e os Quadrinhos, tem também esta capacidade de, através de seu experimentalismo formal, metalinguagem e outros recursos estilísticos, mas sobretudo de conteúdo humano, que realmente nos enleve, nos atingir em cheio como as obras literárias ? Pode mencionar exemplos?
A arte quando é real como arte nos constrói. É o que aconteceu comigo, sou o resultado de somas literárias, cinematográficas, quadrinhística. Sou filho de Hugo Pratt, Alan Moore, Muñoz, Orson Wells, David Lynch e Jorge Luis Borges. São ideais dessas personalidades e outras que me fizeram a buscar a minha perspectiva e as minhas próprias idéias não só como artista, mas como ser humano.
-Aproveitando a deixa, o que você achou de “Cidade de Deus” em termos formais e também no retratamento de uma realidade cruel, sim, mas que representa apenas uma das miríades de facetas de nossa realidade?
Eu só consigo ver o filme Cidade de Deus o que ele é, um filme de um apaixonado por cinema. É um western, um filme de gangster, uma reinvenção do cinema. Nós brasileiros também somos bons contadores de histórias, ou melhor não existe essa fronteira na arte, não existe uma geografia de mapa. Que é um bom contador é um bom contador, um bom filme é um bom filme. Agora eu não poderia analisar os aspectos sócias do filme por que não me cabe como artista.
-Retornando a temas mais filosóficos, que você acha que é a consciência em si?
A consciência em si é uma reunião inconsciente de muitas consciências que revelam uma única consciência em padrões infinitos.
-E a Inteligência Artificial, que tem tantos apologistas, como você acha que um córtex artificialmente criado – ainda que orgânico – pode desenvolver uma “consciência” digamos assim, como querem muitos autores de ficção?
Na série Matrix perderam a chance de contar algo com proporções de Kubrick. Era para o Neo despertar no final descobrindo ser uma inteligência artificial que vai ser a Matrix. Mas não rolou. Uma Inteligência Artificial teria que sonhar, reinterpretar o mundo para depois viver nele.
-O que acontece com a consciência após a morte?
Eu nunca poderia responder essa pergunta. Eu ainda não sei.
-Quais foram os eventos mais importantes que já ocorreram em sua vida?
Nascer, descobrir o desenho, quase perder a perna, optar ser um artista, me apaixonar involuntariamente, a morte do meu avô, dirigir filmes, o nascimento do meu filho, a morte do meu pai e beber o Ayhuaska.
-Qual foi a experiência mais louca que você já experimentou na vida?
Tomar um lsd e andar pelas ruas da Porto Alegre.
-Qual foi o sonho mais louco que você já teve?
Sonhei uma vez que eu era o um minotauro.
-E atualmente, o que lhe é realmente imprescindível, seminal?
Continuar vivo.
-Quais sites da web você visita com freqüência?
Blog de desenho, Marca Diabo e Universohq e agora o Alan Moore Senhor do Caos.
-Quase finalizando, o que tem a dizer sobre nosso modesto site, criticas e sugestões para aperfeiçoá-lo?
Digo-te para continuar a buscar respostas nessas investigações metafísicas e que vou acompanhar a tua busca pela verdade. É bom, ver que tu filtra isso com os quadrinhos. Longa vida ao teu site e para ti. Abraços.
-Obrigado, Amigo.
por José Carlos Neves
“Carlos Ferreira, editor do saudoso (mesmo!) fanzine Peek-a-Boo, é um quadrinista com cancha em salões Brasil afora, volta e meia conquistandoprêmios. Seu trabalho é bastante autoral, o que, no Brasil, sempre reflete em uma redução brutal de visibilidade. Ver uma história sua publicada, porém, sempre dá satisfação ao leitor.
Em Caos, sua empreitada mensal, Ferreira evoca os trabalhos mais autorias e autobiográficos de Alan Moore, como The Birth Caul, em que o aspecto simbólico toma conta da história até o sufoco do leitor. Não por acaso, um texto do criador de Do Inferno e Watchmen encerra a série. Certamente também não é coincidência a semelhança física de Cao com Carlos Ferreira.
Em casos como este, o leitor é convidado a acompanhar a trama - com uma ressalva: é preciso disposição para entrar no ambiente sinuoso da história. Como sempre, há recompensas para os bem-aventurados. A começar pela arte que, exceto no epílogo, distribui a história em quadros únicos que ocupam as páginas integralmente. O traço de Carlos Ferreira está bem fino o tempo todo, gerando um branco incomum e perturbador, que contrasta com o enredo entrevado - se a escuridão impede a visão apenas temporariamente, o excesso de luz pode cegar para sempre.”
Esta “apresentação-e-resenha-crítica” de Eduardo Nasi (também nosso Entrevistado), no inigualável site UniversoHQ, me fez interessar instantaneamente pelo material de Carlos Ferreira e contata-lo, para o “papo” que se segue.
-Vamos lá, Ferreira, hands-up e entregue: idade, onde nasceu, cresceu e vive atualmente, estado civil, filhos? Formação acadêmica e profissão?
A minha idade é trinta e três, nasci em Porto Alegre e foi aqui que cresci e vivi quase toda a minha, mas vivi uns anos em Buenos Aires, por volta de três anos. Sou casado e tenho um filho. Sou artista, formado em quadrinhos, autodidata, mas trabalho como diretor, roteirista, diretor de arte, ilustrador, músico, professor, publicitário (infelizmente já fui e às vezes sou obrigado a ser) e editor. Um verdadeiro faz tudo, um biscateiro como diz a minha mãe.
-O quê e quando iniciou seu interesse pelos Quadrinhos e Artes Plásticas em geral?
Os quadrinhos sempre de alguma forma estiveram presentes na minha vida, eu lembro da primeira revista que ganhei da minha mãe, eu tinha quatro ou três anos, passamos por uma banca de revista e pedi um revistinha do gordo e magro. Lembro que eu desenhava muito que eu via na tv, ultramen, ultraseven, naves espaciais e monstros. Mas lembro também um momento que eu tinha uma total aversão dos quadrinhos, isso com os meus dez anos. Eu odiava história de super-heróis e faroeste. Tenho as imagens na minha memória dos meus tios lendo um gibi do homem-aranha, algum gibi do Tex, um amigo que era um puta desenhista me mostrando a sua coleção de horror com a Kripta, Calafrios e Batman da Ebal. O nome desse meu amigo é Junior e ele queria transformar um outro amigo, Leandro, num super-herói. Mesmo sendo fã do desenho do homem aranha, eu odiava os quadrinhos de super-herói. Mas a coisa começou a mudar de figura com os meus treze anos, ou quartoze anos. Quando eu ia caminhado para o colégio e passava por uma banca de revista que tinha a venda à revista Espada Selvagem de Conan. Era a edição número três, com capa do Bill Sienkievicz como fiquei sabendo depois. Nessa época eu estava com um problema de saúde um pouco parecido com o da personagem Elijah do filme Um Corpo Fechado. O meu fêmur esquerdo teve uma fratura que nunca cicatrizava, tive que fazer uma cirurgia e quase perdi a perna. Comprei aquela revista do Conan com os meus treze, mas a li meses depois com quatorze não podendo caminhar direito, com dores e repousando na cama, lembro de tirar a revista debaixo da mesa da tv no meu quarto e começar a ler. O meu mundo apartir dali mudou.
-Na infância você lia muito, tanto HQ quanto Literatura mainstream? Pode citar autores e obras que o influenciaram?
Eu já tinha uma inclinação por ficção na infância. A tv era o meu elo com a arte, e a televisão na década de setenta oferecia programas mais interessantes do que hoje, mesmo que hoje tenhamos programas e série com mais qualidades técnicas e dinheiro, naquela época ainda experimentavam mais e por isso eram mais criativos. Hoje olhamos parte desses programas e os achamos ingênuos, mas se deixássemos de lado as limitações dessas séries, veriam que cada uma tinha uma identidade muito própria. Lembra do Túnel do Tempo? O Homem de Seis Milhões de Dólares? Além da Imaginação? Kung Fu? Patrulha Estelar? James West? Johnny Quest? E vai pedrada...
Eu também vi muitos filmes clássicos na tv, Hichtcock, filmes do John Ford, Roman Polanski, filmes Noir, terror e outras maravilhas. A tv foi uma das maiores escolas para narrativa e enquadramento. Inacreditável como o nível hoje caiu. Podia se tirar muito proveito com dois ou três canais, mas hoje esse veículo realmente é burro. O cinema era um luxo para mim, vi Super-Homem, Império Contra Ataca e mais coisas...
A literatura nasceu depois dos quadrinhos, eu já lia o Demolidor de Frank Miller na Revista Super Aventura Marvel, o que eu gostava nos quadrinhos era o que para mim, era cinema no papel. Frank Miller, John Buscema, John Byrne passavam essa atmosfera. Lendo esses autores eu queria saber o que se passava na cabeça deles e como aprenderam a desenvolver as suas narrativas, quais eram as suas influências e como surgiram.
Eu já tinha dezesseis anos quando me recuperei da minha perna e fiz novos amigos que por coincidência também gostavam de quadrinhos. Esses amigos são Trein e Drégus. Nesta fase começou a aprendizagem de ler muita literatura principalmente Raymond Chandler, Poe, Lovecraft e Borges. As obras que me influenciaram foram O Longo Adeus, Histórias Extraordinárias, Um Sussurro nas Trevas e O Aleph.
-Conte nos a gênese da CAOS,suas motivações , repercussão...
A CAOS nasceu de uma necessidade enorme de eu querer me encontrar. Acho que no período antes do CAOS eu estava dentro de um vórtice e sem controle sobre a minha vida. As coisas e confusões aconteciam. Uma chuva de eventos me empurrava há um descontrole sobre as minhas decisões e práticas. Eu provoquei muitos acidentes e deturpei muitos relacionamentos sem intenção direta. A base dos quadrinhos que eu faço tem como nascença a minha vida dos meus dezoito anos aos trinta e poucos. CAOS se passa quando eu tinha vinte nove. Eu desenhava uma seqüência inspirada na série Millennium, Frank Black (Will Black) sendo atacado por dragões imaginários enquanto dirigia. Essa seqüência não existia na série, mas eu queria aprofundar de alguma forma na personagem. Tudo por que eu identificava coisas minhas na personagem. A vida da personagem tinha muitos nós, era como eu via a minha. E quem fez esses nós seria uma força invisível dotada de consciência. Eu queria ver essa força, eu queria identificar os seus movimentos e interagir com ela. Provoquei uma série de eventos e fui ludibriado. Precisei expor tudo na CAOS, que não é um relato literal mas é um registro do que tudo aquilo significou para mim.
-Você se interessa, além da curiosidade, pela fascinante Teoria do Caos, seus fractais e grande potencial criativo?
Eu tenho um interesse na Teoria do Caos e o que ele gera. É tudo mais Caos do que ordem na minha opinião. O fato de eu estar aqui falando sobre o Caos, devido a uma história chamada Caos, há um site com nome de O Senhor do Caos é a própria comprovação do Caos.
-Quais obras (quadrinhos, literárias, cinema) que julga melhor ter aplicado o Caos como metáfora?
Na literatura o que vem na minha cabeça agora é o conto Aleph, do Borges. Nos quadrinhos adaptação da Cidade de Vidro por Mazzuchelli. No cinema falamos do ¶, do Darren Aranafosky. Hoje são desses que falo, mas amanhã eu poderia citar outros nomes.
-Fale-nos sobre os contos e arte relacionados ao Caos que esse fanzine publica. Como você “recruta” os autores e seleciona o material? – baseado em que requisito?
A maior parte das colaborações na CAOS foi pedida por mim aos amigos que já conheciam o Universo Ferreteria. Walter Pax é a colaboração mais ativa por que somos vizinhos e conversamos muitos sobre a CAOS, tem até um sonho que ele teve comigo ilustrado ali. Mateus é outro que esteve acompanhando o projeto, eu pedi para ele desenhar um demônio saindo da tv, depois ele desenhou o próprio Frank Black. O Scott leu os dois primeiros e pediu para colocar um conto, foi total produto do acaso eu gostei disso foi o único conto e é bem Scott. Tem um desenho do meu sobrinho que é o primeiro desenho dele publicado, estou falando de um desenho do Gabriel Ferreira, esse ainda vai contar muitas histórias. O Mena me enviou uma colaboração depois de ter lido os três primeiros. O Moacir quis brincar de ser Carlos Ferreira é obvio que sempre ele vai ser Moacir Martins. O Pilla me presenteou com um desenho e eu publiquei. O mesmo aconteceu com a Roberta. Do Daniel eu tinha aqueles postais há anos e enquanto eu rodava as CAOS olhava esses desenhos e via que, sem querer, eram dentro do universo da série. William Blake era indispensável. Todos expressaram livres, sem uma orientação de como seguir nos seus estilos. Eu gosto das diferenças e divergências gráficas que estão ali marcadas.
-O que você tem feito atualmente no gênero? Quais seus novos projetos?
Bom, eu tenho feito diversas coisas. Tenho desenhado páginas de diferentes histórias e me decidido para qual vou seguir com mais velocidade. Estou desenvolvendo histórias curtas e longas. Estou revendo antigos roteiros e arquitetando uma linha de produção mais rápida. Vou lançar um livro de contos, que de certa forma é uma continuação do Caos, estou na pré de um longa em digital que também quero fazer uma versão em quadrinhos. Estão todas essas histórias relacionadas com o Caos.
-O que é mesmo a “Ferreteria Quadrinhos”, sua própria Editora? Partiu para a “auto-publicação” por opção ou por desinteresse das outras editoras?
Sim, a Ferreteria Quadrinhos é a minha própria editora. Sou muito dominador do que eu faço, tenho uma postura bem objetiva sobre como quero e o que eu quero. Ter uma outra editora interessada em publicar as minhas histórias é algo que até já tá em negociação. Mas eu tenho muito prazer em editar. Gosto de provocar o objeto como uma revista ou um livro e ver ele virar matéria, se divulgar e circular pelo mundo.
-Porque você parou com o seu famoso “Peek-a-Boo”? O que de melhor, ao seu ver, esse zine publicou? E porquê?
A Peek-a-Boo parou por discordância e preguiça. Foi como uma banda que tinha um gás e energia para fazer rock. Nós queríamos provocar, mudar o mundo contando histórias em quadrinhos. O time era bem bacana Walter Pax e Jack Kaminski, Rodrigo Rosa, Fábio Zimbres, Leandro Adriano, Eloar Guazzelli, Ethon Fonseca e outros. Nós tínhamos os fixos e os convidados e a cada número elaborávamos temáticas, mas esses temas tinham que aparecer sutis. O primeiro era sobre crimes, o segundo sobre realismo mágico, o terceiro sobre amor e morte. Essas histórias não se encaminhavam para gêneros comuns. Eram todas muito climáticas e algumas de humor negro. Foi uma trilogia impressa. Acabamos ganhado uma admiração de fãs e somos considerados um clássico. Acho isso muito engraçado por que vejo os limites e defeitos na Peek, mas a energia de rock estava lá era bacana. Hoje eu teria condições técnicas para o retorno da Peek, mas não sei.
-O que você acompanha em Quadrinhos hoje?
Eu acompanho algumas coisas, sou compulsivo com os quadrinhos. Dos quadrinhos industriais, gosto do selo Vertigo, mas a minha batida é buscar autores, não importa se são em fanzine, internet, álbuns ou revistas. Eu também tenho o hábito da releitura. Estou sempre relendo Corto Maltese do Hugo Pratt, Allack Sinner do Sampayo e Muñoz, Mort Cinder do Osterheld e Breccia que são os meus preferidos.
-Você sabe que neste site, tudo praticamente gira em torno do cultuado autor e roteirista inglês Alan Moore. Que ele foi o criador da obra From Hell , para os Quadrinhos, depois desperdiçada por Hollywood. E que ele,” para vencer a crise existencial dos 40 anos”, resolveu se tornar um mago. Estudou muito Aleister Crowley, Austin Osman Spare, participou de experiências e acontecimentos no mínimo “fora-do-script”, como ele gosta de descreve-los. Voce acredita na Magia, na Cabala e outros desdobramentos, ou tenta também - como o James Randi tupiniquim, Padre Oscar Quevedo - "explicar tudo à luz da Parapsicologia" ?
Eu sou meio Molder (Arquivo-X), Dale Cooper (Twin Peaks), Frank Black (Millennium). Deixo vivo o meu lado Peter Pan. Tenho mente aberta e levo a minha sensibilidade em relação ao mundo muito a sério, mas sou totalmente cético a certas convenções, terminologias, e religiões.
-O que você pensa da Magia? Lê a respeito? Acredita nos seus “efeitos práticos”, na “sigilização”, por exemplo?
O que eu penso sobre Magia, é que a realidade é andar na calçada, magia é caminhar do meio da rua e ser sujeito a um atropelamento. Leio algumas coisas, geralmente ensaios mais antropológicos. Eu acredito no efeito disto na mente de todos e somos todos loucos. Isso traz uma certa conseqüência real. Afinal, a realidade é o que está na cabeça de cada um. Às vezes essa realidade pode ser bem distorcida é o que acontece na cabeça do Bush, por exemplo.
-Quando foi seu primeiro contato com o trabalho de Alan Moore e qual obra lhe causou algum impacto especial?
O meu primeiro contato com Alan Moore veio de uma conversação sobre um roteiro que eu tinha escrito e mostrado ao Drégus. Eu contei para Drégus algumas idéias que eu tinha para quadrinhos e o tipo de histórias que eu queria contar. Drégus dizia que não tinha mais como contar histórias novas de Horror. Era um gênero acabado, isso era por volta de 1886. Mas o que ele leu no roteiro que tinha escrito o deixou perturbado. Tu escreve histórias muito estranhas. Da onde tu tira isso?¨, ele me dizia com uma cara de assustado. A segunda opinião dele foi com uma ligação dizendo que eu deveria ler uma hq que ele tinha acabado de ler, era Lição de Anatomia, a primeira história do Monstro do Pântano. Eu não parei de ler Moore. Sem dúvida é um dos autores que mais gosto. Watchmen, V for Vendetta, Miracleman estão bem enraizadas dentro de mim. Eu aprendi muitas coisas lendo essas obras, coisas que transcende aos quadrinhos e se refletem na minha relação com o mundo. Do Inferno para mim, é a obra perfeita. Lembro que eu tinha terminado de escrever e desenhar a CAOS e comprei os tomos publicados pela Via Lettera. Eu li tudo de uma vez só e senti uma certa conexão com a CAOS. Tem muitos elementos próximos. Não quero me comparar a Moore, mas tenho alguns hábitos parecidos com ele. Quero provocar, contar uma história, evocar a memória do inconsciente coletivo, tocar na ferida e expurgar a mentira que nos colocam goela abaixo com a política cultural. Quando falo política cultural isso engloba a tudo, tudo é política. Religião, arte, relações humanas e etc.
-Qual trabalho do mago bardo de Northampton que você considera sua obra-prima e porquê?
A obra prima do Moore na minha opinião é a própria vida dele, vai parecer até fanatismo da minha parte... Eu não sei se Cristo existiu, mas Alan Moore sim, e esse está fazendo milagres. Ele está costurando um mundo que já se foi (rodeado de mitos e idéias mais desenvolvidas sobre o homem e o seu papel no universo) com cultura pop. Essa é a magia de Moore, transmutar a força da mitologia primitiva em modernidade. Através das suas obras se pode enxergar muito além do que nos é permitido.
-Ao seu ver, quais foram as inovações mais importantes do autor? Especificamente sobre Watchmen e sua instigante forma narrativa – já apelidada de O Cidadão Kane da Nona Arte – o que tem a nos dizer?
Antes de qualquer inovação técnica que veio com a obra do Moore, eu vejo a inovação humana. O comportamento e a moral de Moore é uma inovação ao mundo. Ele é um dos poucos senhores íntegros do planeta, é uma pena não termos na presidência desses paísinhos ricos. Eu prefiro ter um cara cheio de haxixe na cabeça, do que merda e uma curra mal resolvida do pai o que deve explicar o Bush. Mas da sua forma, Moore vai comandando o mundo.
-Você acha que ainda existe espaço para seres musculosos e com super-poderes, metidos em colantes, na verdadeira Cultura Pop, mais madura? Pergunto porque muitos fãs dos super-heróis, ao mesmo tempo que admiram Alan Moore, o detestam por considerar que ele praticamente destruiu o gênero com Watchmen. E você?
Cara, eu não sei o que pensar desses super-heróis. Sei que eles são ridículos e isso pode gerar muita carta na manga. Eu adoraria ser pago por essas megas editoras e ajudar ainda destruir mais esse gênero. Vejamos por um lado, tu sairia com uma capa, máscara e cuecas para bater na malandragem? Mas se tivesse a capacidade de voar e ficar invisível não seria uma maravilha? O que eu gosto neste tipo de quadrinhos é o flerte com o gênero fantástico. Mas a moral do bem contra o mal não é comigo. Principalmente essa histeria estranha por corpos musculosos e armas. Eu acho isso muito gay. É aí onde extravasa que o mundo é gay. Acho que isso é de um apelo sexual bem básico. Eu tenho um amigo que era fã do Conan e fã de heavy metal, ele tinha toda aquela pose representada nesse estilo. Musculoso, com cabelos compridos e couro. Em algum momento o cara entendeu o subtexto disso tudo e evolui. Aceitou a atração que tinha por tudo aquilo e por outros homens, aceitou que há uma supervalorização sexual e que precisava disso. De enrustido, inteligentemente aceitou sua opção sexual e não lê mais o Conan. Faz parte do pacote que é vendido nos super-heróis. Não são sós as mulheres peitudas vendem, são homens de cuecas com super sacos a maior quantidade produzida e vendida.
-E From Hell, você acha que Moore conseguiu atingir plenamente seu intento de forjar em uma HQ o caldeirão que nos preparou o Século XX, com toda sua paranóia, conspirações, contradições, horror e beleza?
Eu acho que todos os objetivos de Moore estão bem estruturados ali. O principal dele é contar uma história, contar o que ainda não tinha sido contado e contar bem contado. É isso que um escritor busca. É um dialogo entre o escritor e obra, onde uma platéia (que é o público) acompanha e é transformada com aquilo. Isso acontece com Do Inferno.
-O que pensa da Magia?
Eu penso que às vezes deveríamos esquecer palavras como magia, Deus e poderes ocultos. Deveríamos pensar mais sobre relação, solidão e limites. Buscar entender o significado dessas palavras. Depois se movimentar no mundo e praticar o que pode ser praticado com elas. Nós porcamente nos relacionamos, não admitimos que estamos sós e não aceitamos que temos limites. Isso para mim tem mais substância. Antes de querer ficar invisível e voar. Eu quero saber quem sou e o que sou.
-Mas, ainda nesta direção metafísica, qual é a sua concepção do Tempo? Considera-o a Quarta Dimensão do Espaço, como teorizou Einstein ou tem outra visão?
O tempo é o que também sou. O tempo é a minha memória.
-Como você imaginaria um ser da 4ª dimensão se pudesse ser visualizado por nossos sentidos tridimensionais (ou seja, da mesma forma que representamos num papel, uma superfície bidimensional, um objeto de três dimensões, ao desenharmos um cubo em perspectiva)?
Imagino que esses seres seriam todas as nossas fantasias. Nós redigimos o mundo deles, eles o nosso.
-Você chegou a ler aquela que seria a magnum-opus de Moore, BIG NUMBERS, pela qual sou absolutamente fissurado (que o digam os inúmeros Artigos neste site)? Em caso afirmativo, o que pensa que Alan Moore tentaria “dizer” com esta obra seminal?
Moore mostra nessa série que estamos todos interligados, somos todos um organismo vivo. O padrão de uma consciência. O caos.
-Voltando à sua produção, o quê você fez que considera o melhor até agora?
Caos é o mais parecido comigo. O mais próximo com o que virá.
-Você é indubitavelmente, um dos batalhadores por um autêntico Quadrinho nacional. Ele existe?
Eu acredito que sim. Aqui no Brasil nós fazemos um tipo de quadrinhos que eu não sei se existe no restante do mundo. Vejamos os americanos, por exemplo, eles como trabalhadores são sérios e profissionais, mas ao meu ver o que é produzido é frio e duro. Há exemplos de gênios e momentos na história dos quadrinhos
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americanos excepcionais, com produção autoral com A maiúscula, é o caso de Will Eisner, Robert Crumb, Frank Miller, Daniel Clowells, David Mazzuchelli e outros. Mas essa forte indústria caminha contra. Eles não saem desse bosta de universo de super-heróis! Chega, gente. Vamos deixar as cuecas de lado e incutir o terror! No Japão eu acho que existem coisas mais interessantes, muito do que não é exposto nos quadrinhos americanos, como sexualidade, certos tipos de conflitos, personagens mais humanos são visto em alguns quadrinhos, como é o caso de Evangelion, mas esse mercado também tem os seus baixos devido a grande produção.
O que acho que vou aprendendo no decorrer da minha carreira é que nos países como o Brasil existe um tipo de produção pioneira, uma devoção de poucos que vão lapidando um estilo que é seja miserável, morra de fome, mas faça quadrinhos. Fazer quadrinhos aqui, na América Latina, nos países pobres é ter uma puta devoção a arte. Eu sou narrador, um contador de história, não me importa se desenho bem o mal, se escrevo bem o mal, sou um doente, um compulsivo por histórias. Dedico a minha existência a ver, ouvir e criar narrativas pode ser num conto, numa hq, ou em um filme.
-O que você acha que dificulta para o quadrinista brasileiro sobreviver de sua arte? Falta de talento ou de mercado?
O que não existe no Brasil é indústria de quadrinhos. O mais próximo que estamos disso é a turma da Mônica, não temos DC, Marvel e Walt Disney. Mas há mercado se estamos aqui conversando sobre quadrinhos nacionais é por que há um mercado. Eu já comprei quadrinhos nacionais, tu já compraste. Muitos que estão aqui lendo já compraram. Mas é um tipo de mercado comparável ao mercado de drogas, eu sou um viciado por quadrinhos. Quem compra o quadrinho nacional é um viciado por quadrinhos. O que falta é legalizar esse mercado. Quem produz profissionalmente quadrinhos neste país é quase visto como marginal, eu não digo que pelo meio, mas pelo que está fora do meio. Quem compra quadrinhos também meio que se esconde. Só que todo mundo quer ver o Homem-Aranha no cinema.
-Como um profissional, também considera que o nosso artista “se vende” quando passa a publicar no Exterior, nos EUA principalmente, adequando-se ao estilo e mudando até mesmo de nome?
Eu também quero se comprado pelas editoras. Principalmente a Vertigo, mas trocar o nome e adequar o meu estilo, não obrigado! Custou-me muito ter o estilo que tenho, a postura que eu tenho, maturidade que ainda busco. Ser autor de quadrinhos foi uma opção de estilo de vida e filosofia. Quando narro uma história estou sempre atento aos erros e acertos, imprimo um senso de autocrítica e tento dar uma forte personalidade no que estou produzindo, imagina um mané chegando e dizendo: olha acho que essas mãos poderiam estar mais dramática, quem sabem tu deixa o peito dele mais grande, mais Jim Lee, Alex Ross, ou Marc Falrane. Pica! É o que eu diria. Quem sabe tu muda o teu nome de Carlos Ferreira para Charles Ferreira. Hahahaha! É a minha resposta.
-Ainda nesta área, conhece e o que acha do trabalho de Mike Deodato, atual campeão no desenho de super-heróis emblemáticos, da Marvel/DC?
O Deodato Borges Filho, mais conhecido como Mike Deodato. Impressionavam-me muito na sua fase brasileira, já as fases americanas eu estou aguardando para ver o seu Hulk que me parece uma busca por uma identidade própria, sem os clichês americanos.
-E os artistas brasileiros da “velha guarda” como Jayme Cortez, Ignácio Justo , Walmir Amaral, Salatiel de Holanda, Igayara, Colin, Shima, Edmundo Rodrigues, conheceu o trabalho deles?
Colin é o que tenho maior admiração e respeito. Eu sou um grande fã dele é o nosso Hugo Pratt.
E a “geração Vecchi/Grafipar? (Franco, Rodval Matias, Mozart Couto, Watson Portela, Cláudio Seto, Olendino e tantos outros)?
Mozart Couto foi o primeiro autor brasileiro que eu comprei. Eu gostaria muito de escrever um roteiro para ele.
-Você concorda que, depois de uma onda iniciada, ao meu ver, na Image, o desenho de super-heróis tem optado por uma arte mais realista – em termos de visual e não de temática.Melhor explicando: seres de músculos anabolizados impossíveis não são realistas. Mas sua representação no papel, quase sempre iluminados por no mínimo duas fontes de luz – uma mais forte e no lado oposto a esta, outra mais fraca, ou de luz rebatida, torna as figuras mais realistas, mais tridimensionais, se me entende – como faz Dale Keown e principalmente o italiano Paolo “Druuna”Serpieri. Concorda que existe esta tendência?
Eu não acompanho muito esse quadrinho, há quadrinhos bacanas na Image que infelizmente não estão saindo no Brasil. São histórias bem diferentes nos desenhos e textos. Sobre o realismo nos quadrinhos de super-heróis, eu acho impossível de existir textualmente, mas existem uns desenhistas realistas que eu curto, o Mike Allred é um exemplo. Tem um puta domínio de anatomia e naturalismo.
-O que você pensa do desenho anatômico do italiano Paolo Eleuteri Serpieri, criador da voluptuosa Druuna, principalmente em termos do uso da iluminação bi-lateral que ele faz e também de sua arte-final em traços cruzados, de diversas formas, para interpretar os vários tons de sombreamento no desenho?
Eu sei que é uma puta gostosa a dona desenhada, mas esse não é o meu tipo de quadrinhos. São desenhos superbem trabalhados e tal, mas falta uma energia e verdade ali. É um desenho para consumir punhetas, mas a minha batida vai, além disso. Sou mais o despertar das mentes adormecidas!
-Quais dos nossos autores e artistas você julga mais em condições de produzir uma obra de fôlego?
Tenho admirado o trabalho do nosso Carl Barks, André Diniz. Samuel Cassal, Rodrigo Rosa, Vinícius Martins. Lourenço Muttarelli é um autor que deveria ser exemplo para muitos. Fabio Zimbres é sempre bom. E Guilherme Pilla.
-E nas Artes Plásticas em geral, qual dos trabalhos que tem visto – HQs, ilustrações, esculturas, maquetes, etc - julga o melhor ou pelo menos promissor? Acha que temos um mercado para esta delimitada forma de Arte?
Guilherme Pilla, Rodrigo Rosa o grupo Upgrade do Macaco. Um é Artista Plástico, o outro é ilustrador e o grupo é um evento gráfico místico e urbano aqui de Porto Alegre.
-E você, o que tem feito em termos de Pintura? Quais os “salões” eu participou, premiações...?
Pintar ainda é um mistério para mim. Eu gosto de acrílica e aquarela, mas pinto muito pouco. Já participei de vários Salões como Piracicaba, Desenho de imprensa de Porto Alegre, Piauí e outros que não vou lembrar os nomes e locais.
-Como o leitor interessado pode adquirir seus Quadrinhos e quadros, quais os que estão disponíveis?
É só mandar um e-mail para ferreteria@brturbo.com e pedir a CAOS. Logo vou começar divulgar as próximas edições da Ferreteria.
-Experiências até do Pentágono, comprovaram a eficácia expressiva dos Quadrinhos em transmitir qualquer idéia por atingir, através do somatório sinérgico de imagens com texto, os dois hemisférios cerebrais. Será isto talvez que explique o grande sucesso do gênero nos paises do Oriente (China, Japão,Coréia principalmente), já que seus alfabetos ideogramáticos (os caracteres representam imagens e não sons) têm o mesmo efeito? Conhece algum estudo abalizado sobre o assunto? – a propósito e exemplificando, vários manuais de utilização e manutenção de armamentos e equipamentos militares, e ate´ uma certa “cartilha de ação guerrilheira” em “republiquetas latino-americanas” da CIA são produzidos justamente em forma de Histórias em Quadrinhos.
É o quadrinho o que move o mundo. Os cinemas, por exemplo, já não sobrevivem sem adaptações dos quadrinhos.
-Acha que as chamadas artes populares e de entretenimento, como o Cinema e os Quadrinhos, tem também esta capacidade de, através de seu experimentalismo formal, metalinguagem e outros recursos estilísticos, mas sobretudo de conteúdo humano, que realmente nos enleve, nos atingir em cheio como as obras literárias ? Pode mencionar exemplos?
A arte quando é real como arte nos constrói. É o que aconteceu comigo, sou o resultado de somas literárias, cinematográficas, quadrinhística. Sou filho de Hugo Pratt, Alan Moore, Muñoz, Orson Wells, David Lynch e Jorge Luis Borges. São ideais dessas personalidades e outras que me fizeram a buscar a minha perspectiva e as minhas próprias idéias não só como artista, mas como ser humano.
-Aproveitando a deixa, o que você achou de “Cidade de Deus” em termos formais e também no retratamento de uma realidade cruel, sim, mas que representa apenas uma das miríades de facetas de nossa realidade?
Eu só consigo ver o filme Cidade de Deus o que ele é, um filme de um apaixonado por cinema. É um western, um filme de gangster, uma reinvenção do cinema. Nós brasileiros também somos bons contadores de histórias, ou melhor não existe essa fronteira na arte, não existe uma geografia de mapa. Que é um bom contador é um bom contador, um bom filme é um bom filme. Agora eu não poderia analisar os aspectos sócias do filme por que não me cabe como artista.
-Retornando a temas mais filosóficos, que você acha que é a consciência em si?
A consciência em si é uma reunião inconsciente de muitas consciências que revelam uma única consciência em padrões infinitos.
-E a Inteligência Artificial, que tem tantos apologistas, como você acha que um córtex artificialmente criado – ainda que orgânico – pode desenvolver uma “consciência” digamos assim, como querem muitos autores de ficção?
Na série Matrix perderam a chance de contar algo com proporções de Kubrick. Era para o Neo despertar no final descobrindo ser uma inteligência artificial que vai ser a Matrix. Mas não rolou. Uma Inteligência Artificial teria que sonhar, reinterpretar o mundo para depois viver nele.
-O que acontece com a consciência após a morte?
Eu nunca poderia responder essa pergunta. Eu ainda não sei.
-Quais foram os eventos mais importantes que já ocorreram em sua vida?
Nascer, descobrir o desenho, quase perder a perna, optar ser um artista, me apaixonar involuntariamente, a morte do meu avô, dirigir filmes, o nascimento do meu filho, a morte do meu pai e beber o Ayhuaska.
-Qual foi a experiência mais louca que você já experimentou na vida?
Tomar um lsd e andar pelas ruas da Porto Alegre.
-Qual foi o sonho mais louco que você já teve?
Sonhei uma vez que eu era o um minotauro.
-E atualmente, o que lhe é realmente imprescindível, seminal?
Continuar vivo.
-Quais sites da web você visita com freqüência?
Blog de desenho, Marca Diabo e Universohq e agora o Alan Moore Senhor do Caos.
-Quase finalizando, o que tem a dizer sobre nosso modesto site, criticas e sugestões para aperfeiçoá-lo?
Digo-te para continuar a buscar respostas nessas investigações metafísicas e que vou acompanhar a tua busca pela verdade. É bom, ver que tu filtra isso com os quadrinhos. Longa vida ao teu site e para ti. Abraços.
-Obrigado, Amigo.
domingo, 9 de agosto de 2009
Caro F.,
Saibas que a tua ignorância não me matou. Ao contrário, estou forte e vivo. A tua omissão, ou manipulação nas sombras foi um clichê de risos. Digo que o espectro que tu vê, essa projeção que achas que sou, é só um prisma. Em breve vais conhecer a minha verdadeira forma e a ira do dragão contra a tua manipulação. Sim, velho. Diferente dos teus joguetes mantenho a minha perspectiva e a minha marca como um brasão a ser marcado sobre o teu nome.
Em breve...
Em breve...
segunda-feira, 27 de julho de 2009
domingo, 26 de julho de 2009
Desenho do meu filho João.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Lambendo o próprio cu!

Quem tu pensa que é pra me chamar de infantil?
Antes de julgar os outros olha o teu rabo. Não do jeito que tu deve olhar, com um espelho adimirando, porque pelo jeito se pudesse se comer tu se comia.
Tu é um idiota egocêntrico que se acha o máximo, e por achar isso tem na mente doente que todo mundo tem que ir atrás das tuas idéias e te apoiar. Novamente te vejo assumindo uma iniciativa e cagando no pau, como bom Carlos Ferreira que é. E como bom merda que é (de uma forma que já vi antes), se achou no direito de deixar os outros esperando, por que não tinha como executar o que se propôs e não teve culhão suficiente para assumir isso, pedir desculpas e colocar na mesa para que outro faça. Deixa de ser babaca. Infantil é falar que vai fazer uma coisa e não fazer por ser desorganizado. Chorão e bundão para assumir o que fala. "estou viajando e não tenho dinheiro para internet, para resolver..." Chorão de merda, dinheiro para ficar retrucando por e-mail tem, pra isso tem tempo. Infantil é sempre ter que ter a última palavra, se achando o máximo.
Infantil é não aceitar que as idéias que lançou não foram de agrado de alguns (pelo menos os que assumiram a conversa), assim não tendo o apoio que tu possivelmente jura que merece por ser uma criatura divina.
Continua na tua vidinha mandando notícias do maginífico Carlos o desbravador. Jurando que esta todo mundo ancioso esperando para saber o que o Mega Ferreira anda fazendo.
Vai tentar lamber o próprio cu que é o que tu faz de melhor e não me enche o saco. Não tenho a menor vontade de ficar trocando idéia contigo, por que realmente tu não sabe fazer isso, ao menos que sejam tuas idéias.
Outra coisa que ficou atravessado mas eu ia relevar porque não tem nada haver, numa tentativa de diálogo.
Mas já que tu te propôs a retrucar e possivelmente vai ficar retrucando eternamente, como bom idiota que é, pra gente da tua laia é Leonardo. Amigos que me chamam de Leo.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
sexta-feira, 10 de julho de 2009
domingo, 5 de julho de 2009
sexta-feira, 3 de julho de 2009
terça-feira, 30 de junho de 2009
A verdade está lá fora!

Será que foi isso que aconteceu? Teria o grande diretor, músico,escritor,quadrinhista e multifacetado Carlos Ferreira, sucumbido depois de saber as notícias sobre a morte de seu maior ídolo,Michael Jackson? Teria o pobre coraçãozinho de Cao cedido diante da pressão de ter de viver em um mundo sem Michael? Não sabemos ao certo,senhoras e senhores, mas as últimas tentativas de contato com o lendário criador da épica revista "Chaos" não foram bem sucedidas e a julgar pela mensagem deixada pelo celular do autor de mega-sucessos como "Up Jumped the Devil" e "Cemitério de Elefantes", ele está desaparecido a algumas semanas, sem dar qualquer indício de que esteja vivo e bem.As autoridades locais já foram acionadas e um grupo especial do FBI está sendo enviado para o Brasil para investigar o caso que já está sendo chamado pela mídia internacional de " Operação Chaos Ferreira".Não são claros os motivos do interesse do famoso Bureau de Investigações pela pessoa de Carlos Ferreira, nem se esse fato teria alguma ligação com outras tragédias que estão ocorrendo simultaneamente por todos os Estados Unidos e se espalhando rapidamente pelo resto do mundo.Depois da morte de Farra Fawcet e de Michael Jackson, cidadãos de Providence,Rhode Island alegam poder comprovar que seu vizinho e cidadão exemplar da comunidade Joseph Curwen, possui o dom de invocar demônios dos lugares mais obscuros do cosmo infinito.Onde nosso mundo irá parar? Onde estão nossos heróis dos anos 1980 para nos salvar? Por que o Whitesnake acabou? E principalmente, a pergunta que não para de ser proferida por milhares de pessoas desesperadas e aflitas.A pergunta que foi feita pelo presidente Barak Obama ,ontem a noite em cadeia nacional em todo o mundo ianque,e que reverbera pelos confins do mundo natural ou sobrenatural: ONDE ESTÁ CARLOS FERREIRA?
Michel Jansson (correspondente especial nos EUA)
quinta-feira, 25 de junho de 2009
quarta-feira, 24 de junho de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
Texto editado no UNiverso HQ sobre as minhas impressões sobre o Viñetas Sueltas
De 25 a 31 de maio último, aconteceu em Buenos Aires, Argentina, o 2º Festival Internacional de Historietas, mais conhecido como Viñetas Sueltas. Uma das atrações desta edição foi o lançamento da revista brasileira Picabu no evento.
Carlos Ferreira, um dos autores presentes na Picabu, esteve na capital argentina e se dispôs a escrever um texto para o Universo HQ com suas impressões sobre o Viñetas Sueltas. Confira abaixo.
Não poderia ter sido melhor. Não digo que foi perfeito, mas quase perfeito esse festival argentino Viñetas Sueltas. Quase porque é a segunda edição e porque a perfeição não existe. Mas arrisco dizer que foi o melhor evento de quadrinhos de que participei.
Para quem não me conhece, sou desenhista e roteirista; publico meus quadrinhos, ditos alternativos, underground, independentes, "cabeça", ou fanzines há 20 anos. São aquelas HQs que não sustentam ou não são sustentadas pela indústria editorial, revistas de grandes tiragens ou editoras gringas.
Chamo minhas HQs de quadrinho de autor porque faço tudo: escrevo, desenho e edito. Posso parecer meio egocêntrico ao ditar todas essas coisas, mas juro que o assunto ainda é o Viñetas Sueltas.
Falo dessa minha perspectiva autoral e da minha evasão nos ditos grandes eventos dos quadrinhos porque me sinto meio que um peixe fora d'água nesse açude represado que são os renomados "City Comic Con".
Claro que todos os eventos da nona arte são mais do que bem-vindos, mas quase todos partem de cima para baixo. Saem do que o grande público conhece nos quadrinhos, dos super-heróis, aos consagrados mainstream aos eternos Mônica e Cebolinha; e o que sobra dessa miscelânea abre as comportas aos fanzineiros, os bichos-grilos paz e amor que acreditam no sonho e vivem disso nas historias em quadrinhos.
Eu sou dessa facção e não sou hippie. A minha lição de casa é: "faça você mesmo e brigue por um quadrinho mais textual e gráfico".
Por isso, foi grande minha surpresa em 2008 quando descobri que um evento para quem trilha esse caminho "meimufado" estava nascendo em Buenos Aires. Quis pegar a minha mochila e partir no primeiro ônibus, ou avião, mas tive que postergar para o próximo ano.
Então, pensei em como ir, como aplicar o plano perfeito. E a ideia que tive foi resgatar a clássica Peek-a-Boo e transformá-la com os meus parceiros do Grupo Bestiário em Picabu.
Um ano depois, estou com a revista na mão em um avião rumo à capital argentina. E descubro que minhas buscas não são únicas, pois autores do mundo inteiro estão na mesma batida.
O que eu conhecia de quadrinhos dos últimos anos era uma mera ilusão. Sim, foi para isso que serviu esse festival. Viñetas Sueltas serviu para me acordar. Vi muita coisa boa, o que há melhor dos quadrinhos no mundo, creio.
Eu me lembrei do livro 1984, de George Orwell, no qual o mundo divulgado na imprensa é meramente especulativo por um governo ditatorial e corrupto liderado pelo Big Brother. Então há alguém que tente ver o verdadeiro mundo fora das regras ditadas pelo grande irmão.
Minha ida a Buenos Aires foi um pouco parecida com isso. E a cidade, que tem mais livrarias em suas ruas do que há no Brasil inteiro, está longe de ser uma novidade para mim, pois vivi em Buenos Aires por três anos. O povo respira e vive a arte ao extremo. Uma arte que provoca e impõe identidades, personalidades e quebra barreiras. É a casa de Borges, Cortazar, Xul Solar, Alberto Breccia, Astor Piazzolla e outros gênios.
Viñetas Sueltas está lá para deixar a sua marca de genialidade também. Enquanto a maioria dos eventos (aos quais não vou, obrigado!) tem a mera preocupação de vender e premiar, o Viñetas vem mais para integrar e construir arte e cultura como base de referência aos quadrinhos autorais.
Nele, Marvel e DC quase não existem. Nada contra os amados super-heróis, mas há mais coisas para mostrar ao mundo. E Viñetas Sueltas fez isso em diversas e absurdas exposições com a presença de originais de Max, Miguelanxo Prado, Alberto e Enrique Breccia, João Mottini, Domingo "Cacho" Mandrafina, Andrea Bruno, José Muñoz, Lucas Nine e outros mestres.
Exposições espalhadas em diversas partes na cidade e eventos como palestras e oficinas e a feira. Sim, o lugar para ler quadrinhos, gibis, revistas, álbuns ou graphic novels.
Mas, como disse antes, esse festival veio para integrar. Diversos autores circulavam em um ambiente em que as pessoas eram apenas pessoas, nada de fantasias ou colantes (nada contra, mas foi bom estar ali entre gente comum). Coisa rara nesse mundo do Século 21.
E muitas dessas pessoas vieram do Canadá, Suíça, Bélgica, França, Dinamarca, Itália e Brasil. E havia argentinos, claro.
Putz! Esqueci que me pediram para ser breve, mas é impossível com tanta informação de vanguarda. Eu antes era cético em relação aos quadrinhos (mesmo sabendo que isso vai parecer meio arrogante da minha parte, já estou acostumado): apesar de estarmos vivendo uma era marcante no Brasil, a maioria das coisas que vejo e ouço falar sobre a produção nacional me parece ainda buscando um caminho entre o careta mercado gringo e o careta mercado cool gringo. Mas há quem circule fora desse bambolê...
Então, surge um evento dizendo "Dale lo Bueno". Foi isso que gritou o Viñetas Sueltas. Façamos longe, descubramos novas formas, os novos gênios, os novos Breccia, Pazienza, Pratt, Moebius e Hergé. Isso sem querer parecer ou "chupar" esses mestres, mas tendo uma identidade tão marcante quanto a deles.
Imaginei o impacto na garotada que foi com tanta fome quantos seus pais e avós ao Centro Cultural Ricoleta, a sede do evento. Sim, havia quadrinhos inteligentes para todos os públicos. Quadrinhos a fim de entreter e outras cositas mais que a boa arte sequencial pode oferecer.
O Viñetas Sueltas veio para ficar. Vai marcar por ser um festival de identidade e inovação, por abraçar quem busca a expressividade e a força dos melhores quadrinhos atualmente produzidos no mundo!
Valeu, Viñetas Sueltas, te vejo no próximo ano!
Carlos Ferreira
Carlos Ferreira, um dos autores presentes na Picabu, esteve na capital argentina e se dispôs a escrever um texto para o Universo HQ com suas impressões sobre o Viñetas Sueltas. Confira abaixo.
Não poderia ter sido melhor. Não digo que foi perfeito, mas quase perfeito esse festival argentino Viñetas Sueltas. Quase porque é a segunda edição e porque a perfeição não existe. Mas arrisco dizer que foi o melhor evento de quadrinhos de que participei.
Para quem não me conhece, sou desenhista e roteirista; publico meus quadrinhos, ditos alternativos, underground, independentes, "cabeça", ou fanzines há 20 anos. São aquelas HQs que não sustentam ou não são sustentadas pela indústria editorial, revistas de grandes tiragens ou editoras gringas.
Chamo minhas HQs de quadrinho de autor porque faço tudo: escrevo, desenho e edito. Posso parecer meio egocêntrico ao ditar todas essas coisas, mas juro que o assunto ainda é o Viñetas Sueltas.
Falo dessa minha perspectiva autoral e da minha evasão nos ditos grandes eventos dos quadrinhos porque me sinto meio que um peixe fora d'água nesse açude represado que são os renomados "City Comic Con".
Claro que todos os eventos da nona arte são mais do que bem-vindos, mas quase todos partem de cima para baixo. Saem do que o grande público conhece nos quadrinhos, dos super-heróis, aos consagrados mainstream aos eternos Mônica e Cebolinha; e o que sobra dessa miscelânea abre as comportas aos fanzineiros, os bichos-grilos paz e amor que acreditam no sonho e vivem disso nas historias em quadrinhos.
Eu sou dessa facção e não sou hippie. A minha lição de casa é: "faça você mesmo e brigue por um quadrinho mais textual e gráfico".
Por isso, foi grande minha surpresa em 2008 quando descobri que um evento para quem trilha esse caminho "meimufado" estava nascendo em Buenos Aires. Quis pegar a minha mochila e partir no primeiro ônibus, ou avião, mas tive que postergar para o próximo ano.
Então, pensei em como ir, como aplicar o plano perfeito. E a ideia que tive foi resgatar a clássica Peek-a-Boo e transformá-la com os meus parceiros do Grupo Bestiário em Picabu.
Um ano depois, estou com a revista na mão em um avião rumo à capital argentina. E descubro que minhas buscas não são únicas, pois autores do mundo inteiro estão na mesma batida.
O que eu conhecia de quadrinhos dos últimos anos era uma mera ilusão. Sim, foi para isso que serviu esse festival. Viñetas Sueltas serviu para me acordar. Vi muita coisa boa, o que há melhor dos quadrinhos no mundo, creio.
Eu me lembrei do livro 1984, de George Orwell, no qual o mundo divulgado na imprensa é meramente especulativo por um governo ditatorial e corrupto liderado pelo Big Brother. Então há alguém que tente ver o verdadeiro mundo fora das regras ditadas pelo grande irmão.
Minha ida a Buenos Aires foi um pouco parecida com isso. E a cidade, que tem mais livrarias em suas ruas do que há no Brasil inteiro, está longe de ser uma novidade para mim, pois vivi em Buenos Aires por três anos. O povo respira e vive a arte ao extremo. Uma arte que provoca e impõe identidades, personalidades e quebra barreiras. É a casa de Borges, Cortazar, Xul Solar, Alberto Breccia, Astor Piazzolla e outros gênios.
Viñetas Sueltas está lá para deixar a sua marca de genialidade também. Enquanto a maioria dos eventos (aos quais não vou, obrigado!) tem a mera preocupação de vender e premiar, o Viñetas vem mais para integrar e construir arte e cultura como base de referência aos quadrinhos autorais.
Nele, Marvel e DC quase não existem. Nada contra os amados super-heróis, mas há mais coisas para mostrar ao mundo. E Viñetas Sueltas fez isso em diversas e absurdas exposições com a presença de originais de Max, Miguelanxo Prado, Alberto e Enrique Breccia, João Mottini, Domingo "Cacho" Mandrafina, Andrea Bruno, José Muñoz, Lucas Nine e outros mestres.
Exposições espalhadas em diversas partes na cidade e eventos como palestras e oficinas e a feira. Sim, o lugar para ler quadrinhos, gibis, revistas, álbuns ou graphic novels.
Mas, como disse antes, esse festival veio para integrar. Diversos autores circulavam em um ambiente em que as pessoas eram apenas pessoas, nada de fantasias ou colantes (nada contra, mas foi bom estar ali entre gente comum). Coisa rara nesse mundo do Século 21.
E muitas dessas pessoas vieram do Canadá, Suíça, Bélgica, França, Dinamarca, Itália e Brasil. E havia argentinos, claro.
Putz! Esqueci que me pediram para ser breve, mas é impossível com tanta informação de vanguarda. Eu antes era cético em relação aos quadrinhos (mesmo sabendo que isso vai parecer meio arrogante da minha parte, já estou acostumado): apesar de estarmos vivendo uma era marcante no Brasil, a maioria das coisas que vejo e ouço falar sobre a produção nacional me parece ainda buscando um caminho entre o careta mercado gringo e o careta mercado cool gringo. Mas há quem circule fora desse bambolê...
Então, surge um evento dizendo "Dale lo Bueno". Foi isso que gritou o Viñetas Sueltas. Façamos longe, descubramos novas formas, os novos gênios, os novos Breccia, Pazienza, Pratt, Moebius e Hergé. Isso sem querer parecer ou "chupar" esses mestres, mas tendo uma identidade tão marcante quanto a deles.
Imaginei o impacto na garotada que foi com tanta fome quantos seus pais e avós ao Centro Cultural Ricoleta, a sede do evento. Sim, havia quadrinhos inteligentes para todos os públicos. Quadrinhos a fim de entreter e outras cositas mais que a boa arte sequencial pode oferecer.
O Viñetas Sueltas veio para ficar. Vai marcar por ser um festival de identidade e inovação, por abraçar quem busca a expressividade e a força dos melhores quadrinhos atualmente produzidos no mundo!
Valeu, Viñetas Sueltas, te vejo no próximo ano!
Carlos Ferreira
quinta-feira, 11 de junho de 2009
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Lagoa da Música
Buscando informações para divulgar a Picabu na RBSTV eu descubro que esse meu primeiro episódio dirigido para a série Histórias Extraordinárias está rolando no site da RBSTV. Eu tenho muito carinho por essa série e por esse trabalho em conjunto com a minha equipe. Realmente eu adoro trabalhar no Histórias Extraordinárias, essa proposta é inédita no Brasil, não conheço nenhuma outra série parecida, é um desafio como é feito esse programa que já está com nove edições e ainda mantém uma proposta experiemental porque cada diretor dirige ao seu estilo as lendas e casos sobrenaturais do programa. Histórias Extraordinárias é uma série investigativa sobre fatos extraordinários e sobrenaturais conectados com o Rio Grande do Sul. A Lagoa da Música e a Herança do Faustino Correa foram os meus primeiros programas dirigidos para série. Vou postar aos poucos os outros que dirigi.
Parabéns pelos 10 anos de vida Especiais!
Buenos Aires, 22 de maio...
Bom, vamos fazer de conta que é o dia 22 de maio, que estou saindo super cansado do Centro Cultural Recoleta, que ando nas calles super suado e com o calor (puta merda é mais calor aqui em Buenos Aires que o sertão da baiano), estou há passos, passos largos em busca do Milion, um bar estilos. Penso nesse bar como outra plataforma de lançamento para a Picabu. Eu encontro o Milion e dou aquela averiguada, mas o cansaço é mais forte e volto para a jornada até o hotel. Estou com novos quadrinhos que comprei, um punhado de Breccia e Pratt para ler. Chego no hotel, chego até o quarto e desmaio na cama.
Uma barata caminha na minha cama, me desperta como um rádio relógio
"É outro dia..." diz a cucaracha!
Uma barata caminha na minha cama, me desperta como um rádio relógio
"É outro dia..." diz a cucaracha!
terça-feira, 9 de junho de 2009
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Crítica sobre a revista Picabu no Universo Hq, Eduardo Nasi

Título: PICABU # 4 (Bestiário) - Edição especial
Autores: Mathias Rosner - Fabiano Gummo (texto e arte);
Ondas - Carlos Ferreira (texto e arte);
Hiato - Rafael Sica (texto e arte);
Telencefalos - Leandro Adriano (conto original) e Carlos Ferreira (adaptação e arte);
Chuuuuááááá - Moacir Martins (texto e arte);
Vostok - Fabiano Gummo (texto e arte);
O homem sedento - Leandro Adriano (texto) e Nik Neves (arte);
Escândalo - Rodrigo Rosa (texto e arte);
Caros Amigos - Moacir Martins (texto e arte);
Magique - Nik Neves (texto e arte);
A contagem - Guaraci Fraga (argumento) e Rodrigo Rosa (texto e arte);
Hongo - Rafael Sica (texto e arte).
Preço: R$ 15,00 nas livrarias, R$ 10,00 no site
Número de páginas: 96
Data de lançamento: Maio de 2009
Sinopse: Antologia de histórias que têm o corpo como tema.
Positivo/Negativo: Atualmente, uma porção farta dos quadrinhistas independentes brasileiros tem a mira apontada para os leitores - querem angariá-los, seduzi-los, conquistá-los. Mesmo trabalhando à margem das editoras, esses criadores defendem e fomentam caminhos alternativos. Mas a intenção é ampliar o contingente de público de suas HQs.
O caminho é legítimo, e isso não se questiona. Até porque, com a internet, se tornou uma opção teoricamente viável.
O curioso é que, ao mesmo tempo, os quadrinhos experimentais minguaram.
Mais curioso ainda é que um dos quadrinhistas de maior sucesso do Brasil, Laerte, tenha se tornado o grande nome da experimentação na arte sequencial com as tiras que fez nos últimos anos.
Tudo isso para dizer que é a essa facção experimental que Picabu se filia.
O projeto surgiu nos anos de 1990, em Porto Alegre, então chamada de Peek-a-boo. Teve três edições, todas explorando a linguagem dos quadrinhos e usando-a como recurso para fazer histórias em comuns.
Depois do ocaso de 17 anos, o projeto é retomado com o mesmo espírito.
A revista abre com Mathias Rosner, história em que o texto de trás para frente, com palavras-chave perturbadoramente na ordem comum, revela o enredo. É um dos pontos altos.
Há outros, e são vários. Como a arte no estilo de xilogravura de Carlos Ferreira em Ondas, o mundo de cabeça para baixo de Rafael Sica em Hiato, a frustrante tensão sexual de Chuuuuááááá, a desoladora O homem sedento e a encantadora Magique (ambas com a arte pop de Nik Neves), a tragicomédia de Escândalo e a perturbadora Hongo.
Além delas, há ainda as ilustrações que fazem a transição entre as HQs - em que um artista desenha um fragmento da história do outro.
Em todas as histórias, é visível que os criadores não fazem quadrinhos por fazer - expressam o que podem, o que é autêntico, o que é verdadeiro. E, nesse campo, não há certo e errado - só a disposição do leitor em encarar a arte e o artista.
De cara, Picabu assume a contramão do mercado. Não seus autores, porém: diversos deles fazem trabalhos altamente vendáveis - até mesmo adaptações de clássicos para escolas, tão em voga.
O papel da Picabu é criar um espaço de expressão para os autores e de provocação aos leitores. Sua intenção não é vender muito - e justamente por isso tem que ser comprada.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Buenos Aires, depois do momento "crash" o grupo Bestiário cai para os subterrâneo mundo surral da noite.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Bestiario em Buenos Aires
continuando...
Depois de um quilmes e da larga caminhada eu chego no centro cultural Recoleta. Encontro uma gang de dibujantes montando as exposicoes. Bem nao era bem uma gang, estava mais para um trio...Luciano, Caroline, Mathias. Todos super gente boa! Eu com o meu portunhol ate frances falei porque a charla era dividida em duas linguas: espanhol e frances. O que e interessante de ver aqui sobre as pessoas vinculadas com os quadrinhos e que a movida rompe barreiras das linguas e a distancia fisica e da arte convencional. O que vi nos originais sao distintas formas de romper a tradicao do contar.
Antes de eu vir para o Festival, pensei que tudo aqui seria um centro formal de atividades, mas nao passou isso, somos todos aqui informais, mas compromissados em mostrar a natureza autoral dos quadrinhos. Entre os novos amigos que eu fazia na sala de producao (um espaco muito bacana, pena eu nao ter fotografado) havia muitos originais com novas linguagens graficas, outras formas de pensar e fazer quadrinhos, livros e algumas revistas, e quilmes!
sábado, 23 de maio de 2009
Buenos Aires, agora...
Amigos.
Bom, depois da corrida do cao que foi ontem de Porto Alegre para Buenos Aires, pois sai de de Porto às seis, nao dormi porque tinha que fazer as malas depois de brincar com os meus filhos, antes disso, como sabem os loucos do Bestiario, eu só corri de uma lado para outro para fazer dessa jornada a aventura perfeita, ou quase perfeita. Eu tive até que abandonar a faxina do estudio que comecei no dia 7 de abril, pos finalizar Telencéfalos.
Para quem vem para o Festival e quer uma dica de como sair do aeroporto Ezeiza, eu dou uma dica: Usar essa empresa de transporte Manuel Tienda León, assim que sair pelo portao de desembarque vai ver diversas stands e entre elas dessa empresa, e só comprar a passagem que custa 40 pesos e rapidamente se está na Capital (Buenos Aires). Outra alternativa é usar um taxi, ou carros particulares chamado remises sai por U$ 45,00 uns 130 pesos. Há outra alternativa para os mais durangos, usar um onibus de linha que custa 2 pesos (mas dizem que a seguranca é pequena para quem viaja com malas, pois o onibus passa por bairros bem pesados, mas acho isso coisa de maricon), esse onibus basta pegar a informacao com os funcionarios do aeroporto, ou no balcao de informacoes, parece que funciona até às 23 horas, mas essa informacao nao é segura. Eu esqueci de dizer que essa viagem nesse busun é de 3 horas.
Bom, voltando a aventura...a chegada no areoporto Ezeiza foi coisa de filme, aqui a paranóia da gripe suína tá mais teatral, pois diversos esquemas e documentos precisam ser feitos. Diversos funcionários usam máscaras, dentro do aviao jogam um exprei maluco, um rexona, tudo muito estranho, parece cena do Arquivo-X.
Entrei no onibus e apaguei quando vi já estava na cidade de Buenos Aires, na Capital. Do terminal fui para o hotel, o mais barato aqui, mas minha reserva foi considerada nao identificada, puta merda! Sai cheio de malas nas calles porteñas até um café para pensar em uma saída dessa situacao, pensei em ligar para algum amigo, mas vejam, seria uma coisa estranha pois nao falo com os meus os intimos amigos argentinos ha anos, e era sexta de manha, umas dez horas, madrugada para o grande amigo Ramiro Coll, eu nao quero ser mala. A alternativa foi buscar outro hotel. Fui para o Hotel Reina, barato, estiloso e cheio de baratas (hoje acordei com uma barata na minha cama). Entrei no hotel, fui para o meu quarto, senti um puta medo, hotel do horror! Mas o cansaco era maior.
Acordei, fui para las calles, isso devia ser umas duas da tarde, eu perco a nocao do tempo em Buenos Aires, fiz cambio e descobri que os meus 10 reias valem 17 reais aqui! Urra! Estou rico!
Tomei uma quilmes, fiquei alegre e fui para o Recoleta conhecer os organizadores do Festival Viñetas Sueltas.
Continua...
Bom, depois da corrida do cao que foi ontem de Porto Alegre para Buenos Aires, pois sai de de Porto às seis, nao dormi porque tinha que fazer as malas depois de brincar com os meus filhos, antes disso, como sabem os loucos do Bestiario, eu só corri de uma lado para outro para fazer dessa jornada a aventura perfeita, ou quase perfeita. Eu tive até que abandonar a faxina do estudio que comecei no dia 7 de abril, pos finalizar Telencéfalos.
Para quem vem para o Festival e quer uma dica de como sair do aeroporto Ezeiza, eu dou uma dica: Usar essa empresa de transporte Manuel Tienda León, assim que sair pelo portao de desembarque vai ver diversas stands e entre elas dessa empresa, e só comprar a passagem que custa 40 pesos e rapidamente se está na Capital (Buenos Aires). Outra alternativa é usar um taxi, ou carros particulares chamado remises sai por U$ 45,00 uns 130 pesos. Há outra alternativa para os mais durangos, usar um onibus de linha que custa 2 pesos (mas dizem que a seguranca é pequena para quem viaja com malas, pois o onibus passa por bairros bem pesados, mas acho isso coisa de maricon), esse onibus basta pegar a informacao com os funcionarios do aeroporto, ou no balcao de informacoes, parece que funciona até às 23 horas, mas essa informacao nao é segura. Eu esqueci de dizer que essa viagem nesse busun é de 3 horas.
Bom, voltando a aventura...a chegada no areoporto Ezeiza foi coisa de filme, aqui a paranóia da gripe suína tá mais teatral, pois diversos esquemas e documentos precisam ser feitos. Diversos funcionários usam máscaras, dentro do aviao jogam um exprei maluco, um rexona, tudo muito estranho, parece cena do Arquivo-X.
Entrei no onibus e apaguei quando vi já estava na cidade de Buenos Aires, na Capital. Do terminal fui para o hotel, o mais barato aqui, mas minha reserva foi considerada nao identificada, puta merda! Sai cheio de malas nas calles porteñas até um café para pensar em uma saída dessa situacao, pensei em ligar para algum amigo, mas vejam, seria uma coisa estranha pois nao falo com os meus os intimos amigos argentinos ha anos, e era sexta de manha, umas dez horas, madrugada para o grande amigo Ramiro Coll, eu nao quero ser mala. A alternativa foi buscar outro hotel. Fui para o Hotel Reina, barato, estiloso e cheio de baratas (hoje acordei com uma barata na minha cama). Entrei no hotel, fui para o meu quarto, senti um puta medo, hotel do horror! Mas o cansaco era maior.
Acordei, fui para las calles, isso devia ser umas duas da tarde, eu perco a nocao do tempo em Buenos Aires, fiz cambio e descobri que os meus 10 reias valem 17 reais aqui! Urra! Estou rico!
Tomei uma quilmes, fiquei alegre e fui para o Recoleta conhecer os organizadores do Festival Viñetas Sueltas.
Continua...
terça-feira, 19 de maio de 2009
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Lançamento da Picabu em Buenos Aires no Festival Viñetas Sueltas
PICABU#4
Después de diecisiete años desde la última edición, vuelve la revista de historietas PICABU. Y vuelve llena de novedades: a empezar por el nombre, que ha cambiado de “Peek-A-Boo” (denominación inglesa para un juego de asustar) para la expresión ahora escrita en português. En lo visual, la revista también está muy diferente, ahora tiene el formato de 16×23 cm, tapa a color e impresón en off-set. Sin embargo, el gran cambio está en su equipo de colaboradores, que reúne antiguos participantes de la revista – artistas que han dado sus primeros pasos en la historieta a fines de los años 80 – con la nueva e impresionante generación que surgió en el nuevo siglo. Así, Carlos Ferreira (creador original de la revista), Leandro Adriano, Nik Neves, Moacir Martins y Rodrigo Rosa – participantes de la primera fase de la revista – cuentan ahora con el talento de Rafael Sica y Fabiano Gummo, creadores de las más delirantes y creativas historietas hechas por esas bandas desde hace muchos años, y forman el Grupo BESTIÁRIO. El grupo pretende no solamente editar la PICABU, sino también desarrollar otros proyectos en historieta y arte.
Manteniendo la línea editorial de las ediciones anteriores, la PICABU#4 también empezó por la elección de una temática central para inspirar la nueva edición: el cuerpo humano. Desde ahi, surgieron 12 historietas que componen la revista y abordan la temática de las más distintas formas: desde el intimismo minimalista hasta la sátira social, desde el erotismo hasta la psicodélia urbana, desde el humor negro hasta el terror psicológico. Todo el proceso de creación de la revista fue estimulado por un blog cerrado hecho por los artistas involucrados donde, poco a poco, aparecieran bocetos, páginas de historietas, ideas de portadas y de diseño de las páginas. Todo fue discutido y comentado entre los integrantes, creando la unidad conceptual de la publicación.
PICABU#4 tendrá lanzamiento en el Festival de historietas Viñetas Sueltas, en Buenos Aires, a fines de mayo.
LOS INTEGRANTES
CARLOS FERREIRA - Guionista, ilustrador y director de programas de televisión. Empezó a hacer historietas en los 80. Creó la “Peek-A-Boo” en el inicio de los 90, editando tres números que han ganado premios, como el de la mejor revista independiente en la Bienal Internacional de Historietas de Rio de Janeiro, en 1991. Ha hecho el guión de adaptación de “Os Sertões” para historietas. El libro será lanzado este año por la editorial Agir.
http://quadrinhoscriticados.blogspot.com/
FABIANO GUMMO - Ilustrador y guionista, creador del editorial independiente “Fuzzie Cannibal Comics”, donde ha lanzado las “Mini Comics” y otras publicaciones. Sus dibujos han sido expuestos en ciudades como Porto Alegre, Rio de Janeiro y Londres.
http://fgummo.blogspot.com/
LEANDRO ADRIANO - Guionista y escritor, fue premiado en la II Bienal de Historietas de Río de Janeiro por el guión de “Antítese de Quijote”.
MOACIR MARTINS - Ilustrador y guionista con colaboración de dibujos para programas de televisión y para revistas como “Superinteressante” y “Aventuras na História”.
http://espacoprecario.blogspot.com/
NIK NEVES - Ilustrador y guionista, colaborador de revistas como “Você SA”, “Superinteressante”, “Placar”, entre otras. Ha hecho un posgrado en ilustración en la Escuela de Diseño y Arte de Barcelona.
http://projeto-inutil.blogspot.com/
RAFAEL SICA - Ilustrador y guionista, publica en revistas como “Caros Amigos”, “Mundo Estranho”, “Vida Simples” y en periódicos como “Folha de São Paulo” y “Extra Classe”. Edita el blog de la serie “Quadrinhos Ordináriso” que pronto se lanzará en libro. Premiado en 2004 como Mejor Dibujante Revelación en el premio HQ Mix. En 2008 expone dibujos en la individual “Cinza Choque”, en Porto Alegre.
http://rafaelsica.zip.net/
RODRIGO ROSA - Ilustrador y guionista, colabora para grandes editoriales brasileñas como “Companhia das Letras”, “Ática”, “Nova Froneira”, entre otras. Ha hecho adaptaciones de clásicos de la literatura brasileña como “Os Sertões” (editorial Agir, aun inédito) y “O Cortiço” (Ática).
http://www.rodrigorosablog.blogspot.com/
sexta-feira, 1 de maio de 2009
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Egoncaos- Um conto de Carlos Ferreira. Livre adaptação e desenhos de Walter Pax. Cores Mateus "SantoLouco" Figueró(original de 2005)
terça-feira, 28 de abril de 2009
segunda-feira, 27 de abril de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
terça-feira, 21 de abril de 2009
Anel de Moebius
Ferreira, Pax e Adriano
Vazio. Uma amiga me encomendou um texto sobre o vazio. Confesso que eu senti um uma sensação estranha, um frio na espinha, algo diferente nessa encomenda, uma possibilidade de exposição. Expor e entregar as minhas idéias mais profundas.
Ontem eu encontrei uma carta que uma outra amiga minha, Laura, escreveu para mim, em 1992, uma carta de amor e amizade. Foi como viajar no tempo e ver detalhes das vidas alheias, mas eram detalhes da vida dela e da minha, detalhes das pessoas que fomos e não existem mais. Depois de 1992 foi uma avalanche de coisas, um plural de vazios preenchidos em dramas mal resolvidos e disso resultou a pessoa que escreve agora. Espaço, tempo, forma e vazio. Uma mosca persiste em caminhar no monitor, na tela, e eu penso em exterminar esse inseto porque o inseto vai me dispersando a atenção sobre a encomenda do vazio. Logo desisto lembrando da teoria do caos, é hora de evitar mais um furacão.
Atualmente eu ando em uma fase de puro silêncio, reluto em escrever, preencher os vazios nos meus infinitos blogs. Vou deixando o tempo passar e me ocupo em produzir quadrinhos. Recentemente eu terminei uma história em quadrinhos, é uma adaptação de Telencéfalos, um conto de um amigo de infância, Leandro Adriano. Bom, já falei dessa história em quadrinhos no blog, já falei dessa adaptação fazer parte da revista Picabu, ex Peek-a-Boo, eu já falei sobre a reunião dos clássicos loucos autores que fazem quadrinhos nos pampas (para alguns almofadinhas esses clássicos autores monstros loucos são uns bandos de velhos nada a ver. Eu que conheço esse bando de tantas décadas, anos e meses; eu acho esses bandoleiros os fodões da cocada preta, gangue de guerrilheiros que manda os cuecas de sedas dos quadrinhos de super-heróis para a tonga da mironga mais rápido que Pratt mandaria o otário do Jim Lee lamber sabão.).
Bom, Ferreira, que tal deixar isso de lado e se manter sóbrio aqui? Vou manter a garrafa de tequila longe do estúdio e voltar a pensar no vazio. A verdade é que o vazio sempre se mantém presente. O turvo vai sempre escurecer os meus olhos, definir o futuro como incerto e inseguro. A lei da gravidade atinge a todos. Caímos e decaímos. Morremos. Mesmo que alguns justifiquem que há uma vida pós a vida, ou outros digam que não há merda nenhuma eu prefiro perguntar: Que porra é essa? Senhores, que porra é essa que chamam de vida? Estou vivo? “This is real life?” Que porra é essa? A minha vida se passa ao mesmo tempo em que sua? Acho que não, já que não se passa no mesmo espaço. E há um intervalo de espaço entre você e eu. Quem garante que não há um intervalo de tempo? Como as relações humanas podem funcionar diante disso? Há um espaço que universalmente chamamos de vida entre tu, eu e eles. Mas é vida? Acho que não. Prefiro chamar isso de vazio. Não se iluda se perceber que esse espaço entre nós é da mesma matéria (ou anti-matéria) dos buracos negros - um buraco de minhoca que talvez conecte lados extremos do universo ou galáxia. Estou mais convicto que sim, é o vazio, por que não mais me comunico com o mundo, talvez eu nunca me comuniquei, só estive interligado com você e com os outros na ilusão do não passa nada. Eu não tenho a noção do que é o todo. Do real. E nem quero, ok?
Aos que vierem aqui expressar a sua visão de Deus, cristianismo, o que derivou essa religião e derivados... Desculpa, mas deu, amigos, certo? Encheu o saco qualquer divagação religiosa... E os arrogantes racionais peguem a sua racionalidade e meçam com a infinita irracionalidade do universo e descubram o que parece ser a idiotice sem sentido dos seus argumentos de dois mais um é três. E daí que é três? PI é um número infinito e zero o vazio. E há falhas na matemática...
Contradições, amigos, contradições. Talvez sejamos apenas personagens verbalizados por formas de vidas vazias, vivemos em planos que parecem tridimensionais, mas talvez seja tudo bidimensional. E no fim da tua vida foi algum moleque que fechou o gibi e não curtiu essa história boba tipo Crise nas Infinitas Terras. Te fodeu!
Já repararam que as histórias em quadrinhos não deixam de ser uma metáfora para essa metafísica? Os quadrinhos possuem esses intervalos, o vazio, entre quadros e formas. Os átomos dos quadrinhos não se tocam, mas esses dançam quânticos ziguezagues como o desenho da letra Z e dão velocidade e movimento ao tempo e espaço dentro dos seus quadros. E fluem expurgando o vazio da vida buscando a bela tradição de contar histórias. Na maioria das vezes são bobas e caretas, mas quando aparecem boas histórias... Essas influenciam a nossa forma de ver o mundo. Provocam. Então, eu penso mais uma vez que é esse é o sentido de eu me expressar com os quadrinhos, não consigo me expressar ou ser entendido de outra forma. Não consigo ser ou me perceber vivo sem eles. Sou um ser humano incomunicável e contraditoriamente um contador de histórias. No fundo sou o vazio e a forma dentro e fora de mim, porque há ruído demais no mundo. Eu logos informação e deformação viva. “E no fim da tua vida um moleque fecha o gibi não curtindo essa história boba que tu foste inserido.”
“Faltou super-heróis e só tem páginas em preto e branco. Cadê a ação e a cor?”

Desenho: Ferreira, Figueró e Pax
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Eduardo Nasi cria interessante dogma para as Hqs
1) A pluralidade é fundamental. Tendo isso em mente, todo o participante do Dogma deve ler mensalmente quadrinhos de cinco nacionalidades diferentes e de cinco gêneros diferentes. A regra apenas não se aplica a quem ler menos de cinco edições por mês. Nesse caso, ainda assim, não se pode repetir nem nacionalidades nem gêneros.
2) É proibida a leitura de quadrinhos em que personagens ranjam os dentes para expressar raiva ou furor, simplesmente porque essa não é uma reação humana. Humanos gritam, choram, fazem beiço e demonstram emoções.
Quem range dente sofre de bruxismo, e somente personagens com bruxismo declarado poderão ranger sua arcada dentária. Este item, que pode soar ingênuo e despropositado, não deve ser menosprezado, pois resolve aproximadamente 78% dos problemas do mercado de HQs.
3) Como os quadrinhos foram dominados por homens ao longo de sua história, a misoginia não poderia ser vetada de forma alguma. Mas deve-se rejeitar HQs misóginas toscas, de autores que claramente passam a impressão de nunca terem passado a noite com uma mulher de verdade na vida. Em caso de dúvida, o quadrinhista Robert Crumb pode ser considerado um cânone para a avaliação do que é boa misoginia.
4) O uso de saco plástico para proteger os quadrinhos não é aceitável. Bons quadrinhos precisam de oxigênio. Por consequência, veta-se o uso de pinças, luvas ou de qualquer outro tipo de frescura para armazená-los e manuseá-los.
5) O apego ao mundo material, na forma do colecionismo obcecado, tem causado grande mal aos quadrinhos e precisa ser desestimulado. Bons quadrinhos devem circular. Empreste-os ou, preferencialmente, doe-os para que outros possam lê-los.
6) A expressão "É cofre" para designar compra obrigatória de uma HQ está abolida. A aquisição de quadrinhos não pode ser vista como um comportamento ansioso ou desesperado, nem mesmo como um investimento. Além do mais, a ideia de "cofre" implicita a restrição à circulação dos quadrinhos, contrariando o item 5.
7) A publicação de quadrinhos na internet é profundamente incentivada pelo Dogma, desde que as obras sigam o que está estabelecido nele.
8) O Dogma nada tem a dizer a respeito da moralidade envolvida na prática de pirataria digital, que vai da consciência e da postura de cada leitor, bem como da decisão particular de obediência ou não das leis.
Contudo, o Dogma acredita que os autores e editores dos bons quadrinhos devem ser sempre recompensados pelo seu trabalho. Os participantes do Dogma devem ser informados que essa recompensa costuma ser um incentivo para que o trabalho tenha continuidade.
9) As tiras diárias publicadas na imprensa são consideradas um veículo poderoso de catequização do público não especializado. Portanto, todo participante do Dogma é estimulado a entrar em contato com jornais e revistas a que tem acesso para pleitear melhorias na seção de tiras das publicações. Na oportunidade, pode-se solicitar também uma cobertura melhor e mais crítica do setor de quadrinhos.
10) Cada participante do Dogma deverá repassar o texto para outros três leitores de quadrinhos.
2) É proibida a leitura de quadrinhos em que personagens ranjam os dentes para expressar raiva ou furor, simplesmente porque essa não é uma reação humana. Humanos gritam, choram, fazem beiço e demonstram emoções.
Quem range dente sofre de bruxismo, e somente personagens com bruxismo declarado poderão ranger sua arcada dentária. Este item, que pode soar ingênuo e despropositado, não deve ser menosprezado, pois resolve aproximadamente 78% dos problemas do mercado de HQs.
3) Como os quadrinhos foram dominados por homens ao longo de sua história, a misoginia não poderia ser vetada de forma alguma. Mas deve-se rejeitar HQs misóginas toscas, de autores que claramente passam a impressão de nunca terem passado a noite com uma mulher de verdade na vida. Em caso de dúvida, o quadrinhista Robert Crumb pode ser considerado um cânone para a avaliação do que é boa misoginia.
4) O uso de saco plástico para proteger os quadrinhos não é aceitável. Bons quadrinhos precisam de oxigênio. Por consequência, veta-se o uso de pinças, luvas ou de qualquer outro tipo de frescura para armazená-los e manuseá-los.
5) O apego ao mundo material, na forma do colecionismo obcecado, tem causado grande mal aos quadrinhos e precisa ser desestimulado. Bons quadrinhos devem circular. Empreste-os ou, preferencialmente, doe-os para que outros possam lê-los.
6) A expressão "É cofre" para designar compra obrigatória de uma HQ está abolida. A aquisição de quadrinhos não pode ser vista como um comportamento ansioso ou desesperado, nem mesmo como um investimento. Além do mais, a ideia de "cofre" implicita a restrição à circulação dos quadrinhos, contrariando o item 5.
7) A publicação de quadrinhos na internet é profundamente incentivada pelo Dogma, desde que as obras sigam o que está estabelecido nele.
8) O Dogma nada tem a dizer a respeito da moralidade envolvida na prática de pirataria digital, que vai da consciência e da postura de cada leitor, bem como da decisão particular de obediência ou não das leis.
Contudo, o Dogma acredita que os autores e editores dos bons quadrinhos devem ser sempre recompensados pelo seu trabalho. Os participantes do Dogma devem ser informados que essa recompensa costuma ser um incentivo para que o trabalho tenha continuidade.
9) As tiras diárias publicadas na imprensa são consideradas um veículo poderoso de catequização do público não especializado. Portanto, todo participante do Dogma é estimulado a entrar em contato com jornais e revistas a que tem acesso para pleitear melhorias na seção de tiras das publicações. Na oportunidade, pode-se solicitar também uma cobertura melhor e mais crítica do setor de quadrinhos.
10) Cada participante do Dogma deverá repassar o texto para outros três leitores de quadrinhos.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
sábado, 21 de março de 2009
Walter Pax faz, por e-mail ao grupo Bestiário, a melhor crítica sobre Uatchimem!

Já assisti Watchmen lá na década de oitenta com direção,figurino,fotografia e elenco muito melhores e com um roteiro que não sofreu na mão de uns bundinhas da indústria e de um diretor veadão metido a geek que querem vender quadrinhos em widescreen pra essa geração acéfala dos dias atuais.Graças aos céus , eu vivi "in loco" a época da revolução intelectual dos quadrinhos.O que tá acontecendo agora, eu considero uma total involução , feita pra um público com a mente preguiçosa demais e sem nenhuma perspicácia pra assimilar uma boa história, mas sim efeitos digitais que beiram a perfeição justamente pra essa gentinha poder entender o que tá acontecendo na tela.Que saudade dos tempos em que os efeitos especiais ficavam por conta do material que a gente dispusesse nas nossas mentes! Pra esse público de hoje, o Alan Moore certamente perguntaria : "Entendeu, ou quer que o Dave Gibbons faça um desenho, mothafucka?!!!Céus, como eu estou emotivo e saudosista hoje...tudo culpa de vocês suas bichas, o contato com esse grupo tá me fazendo mal! Chega de divagações e vamos nós mesmos fazer os bons tempos do quadrinho inteligente voltar!Vamo tocá essa revista, cambada...Will Eisner, você não morreu em vão!Nos vemos todos amanhã lá no esconderijo do Carlos.Abraço.
Pax
quarta-feira, 18 de março de 2009
domingo, 15 de março de 2009
quarta-feira, 11 de março de 2009
domingo, 8 de março de 2009
sábado, 7 de março de 2009
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Telencéfalos para Peekaboo 4
Há duas semanas que eu estou em produção pesquisando, elaborando, desenhando e adaptando o conto Telencéfalos do Leandro Adriano. É um conto complexo, um relato metafísico de um estudante de medicina sobre comida, corpos, cinema e a nossa condição humana: a loucura.
Nada convencional.
Talvez para aqueles acostumados, ou cômodos em uma leitura convencional nos quadrinhos, esse conto seja motivo de rejeição de leitura. Mas para os que desejam transgredir o clichê e burlar as fronteiras caretas dos "quadrões" mainstream, acho que Telencéfalos é um bom portal para abandonar essas manias neuróticas de sempre ler o mesmo.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Hq para Peekaboo 4


Senhoras e senhores, como já informei aqui em uns posts... a Peekabbo vai voltar! E vai voltar com estilo. Agora a revista é berço do grupo Bestiário, entre os componentes do grupo estão os desenhistas e escritores que propõem um resgate aos primórdios autorais nos quadrinhos. E o que seria isso? Bom, sabemos que isso não é regra geral, mas de uns anos para cá, apesar do boom dos quadrinhos, parece que o que é produzido na maioria das vezes nas hqs é um reflexo do que vemos nos comics e nos mangás. Achamos que isso não precisa ser regra, que nem sempre é necessário seguir tendências, podemos ser sim a vanguarda. Deixamos os comcis, os super-heróis e os mangás para quem vive nos universos paralelos. Queremos trazer um pouco da literatura, das artes plásticas e gráficas, do bom quadrinhos das antigas. Onde estão os novos Little Nemo, Mort Cinder, Krazy Cat, Sonhos do Tubarão, Olhos do Gato, Minha Vida, e outras jóias raras?
A nossa vontade é de resgatar e convergir arte, autonomia, inteligentes leitores, fragmentar as fronteiras latinas, brincar de picasso, Borges e Cortazar.
Aqui duas versões da primeira página que eu estou desenhando. É uma adaptação de um conto do Leandro Adriano, um contistas bestiário, besta de bom. Estou ainda indeciso sobre que jornada gráfica que eu vou encarar nas páginas da revista, indeciso entre a minha marca gráfica de desenhar a linha clara, ou um contraste mais escola "Cao Guima" (outro quadrinhos que estou produzindo, um projeto de albúm). Querem opinar, ou escolher comigo que trilha eu sigo ao mundo de Oz? Então põe o verbo nos comentários, revolucionários!
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
domingo, 11 de janeiro de 2009
Pecador, um conto de Wilson Costa
Primeiro havia o nada. E então surgiu, como música. De repente, havia o universo. Da poeira cósmica surgiram os planetas, asteróides, luas, estrelas, supernovas, galáxias, anãs e gigantes, e sóis e nove planetas se agruparam solitários numa dança metódica e sem sentido ao redor de uma estrela amarela e aconchegante.
Ó Pecador, aonde vai se esconder?
A lua cobre o sol e homens em cima de pirâmides falam o que querem porque podem, vestidos em pele de bicho e pintados em sangue humano, máscaras de cerâmica, penugens e facões, desentranham homem e bezerro e oferecem o coração ao garoto retardado com rubis no pescoço.
O planeta gira.
Estamos entrando na era de Aquário.
Um símbolo para a todos definir.
Um anel dourado e nós giramos nele e há estrelas desenhadas para mostrar o que queremos e tememos e dominamos a arte de dar nomes ao movimento do caos.
Caros leitores, esse é o ano do Fim do Mundo.
Jacó saiu de casa para trazer comida para sua família. Beijou a mulher, as filhas, e partiu para a colheita. Haviam dois caminhos. O da direita levava para a plantação. O da esquerda, para as montanhas. Naquele dia, Jacó escolheu diferente. Depois das montanhas, diziam, havia o mar. Jacó ansiava em vê-lo, sonhava com as histórias que ouvia sobre sua brilhante e perversa extensão azul infinita. Jacó caminhou e caminhou e caminhou e só havia ao seu redor o deserto. Em desespero, chamou seu Deus.
Sozinho, sentiu medo.
Encontrou uma pedra e lhe pediu abrigo.
Por favor, Pedra, preciso de ti.
Eu não posso te esconder, respondeu a pedra.
Jacó a pegou do chão e guardou em sua sacola. E tudo mais que encontrava, tomava para si, graveto, folha, bicho, caixa, metal, papel, madeira, lã, até que não agüentasse mais o peso e jogasse tudo no chão e visse seu próprio reflexo num espelho roubado, sujo, barbudo, doente. Jacó correu. Mas as coisas que deixava pelo caminho não lhe deixavam e de todo seu corpo brotavam coisas estranhas e coisas prateadas voavam nos ares e cruzavam o chão. A terra toda tremia.
Um grande furacão negro ergue-se no horizonte sobre o campo de batalha. Jogando aos ares vivos e mortos. O homem sobe nos cadáveres e dispara sua flecha rumo ao desconhecido.
O corpo abre-se. Músculos, ossos, nervos, tecido, dando lugar ao olho de fogo.
A voz que não te conhece vende harmonia.
Cruzes vermelhas marcham no deserto. Sob elas, armaduras. Sob elas, homem, espada, cavalo, escudo, bandeira, bíblia.
Abram esse portão agora mesmo!, grita o Bispo.
A recompensa divina é paga na taverna, com todas as filhas dos fazendeiros.
Homens ferozes como bestas, senhor! Eles estão chegando.
Os elefantes anunciam.
Ornados em ouro e couro. Colares de orelhas, cabeças como coroas.
Por Alá!
E todo o inferno segue.
No deserto, um cogumelo desabrocha com a força de dez mil toneladas de dinamite.
Poder!, gritam os fiéis.
Poder!, anuncia o Pastor.
Aviões deixam uma bomba na porta de sua casa. A televisão mostra os fogos de artifício. Destruição da mais alta definição. A cruz brilha verde no monitor. Uma cidade inteira bombardeada vinte e quatro horas por dia via cabo. Algo dá errado, a loirinha com o microfone se mija. A orquestra segue. As portas se abrem e os mísseis são despejados. Fogo!, grita o Comandante. Jimmy! É sua vez! O pobre Jimmy pensa em sua fazenda no Alabama, em seu pai alcoólatra, sua mãe adúltera, sua irmã puta. Aperta a alça da mochila e salta. O páraquedas não abre. Canhões anti-aéreos são disparados no deserto e a terra estremece. Um prédio desaba com o toque de um botão. Um homem é queimado vivo. Outra bomba explode. A casa é desintegrada em câmera lenta. Metralhadoras giram. O inferno nunca se farta. O futuro é um cogumelo vermelho, diz o japonês cego. Um furacão extermina metade da costa da Flórida. Ondas gigantes varrem pessoas do mapa. Ventos levam telhados e árvores são arrancadas do chão por máquinas grandes e amarelas. Senhor!, clama Jacó. Não vê que preciso de ti, Senhor? Temos a ordem? Temos a ordem. Disparar. Vejam só isso! É lindo! As explosões continuam. Navios levam espécies para o esquecimento. Troncos empilhados, corpos contados. Esse é o Novo Mundo! Em seu seio apodrecido a mãe moribunda carrega o infante morto. Crianças africanas brincam em frente à câmera. A mais magrinha senta no canto. Ela parece realmente doente, vamos deixá-la de fora. Tendas brancas se estendem sobre a terra negra. Um homem carrega seu carrinho de mão ao lado do tanque de guerra. O relógio gira. O ponteiro conta o tempo perdido, o bolso, o vendido. O jato prepara-se para decolar. A criança com cinzas no rosto sorri para a câmera. Os navios disparam seus canhões uns contra os outros. Cuidado! Olhe atrás de você, grita a repórter desesperada, mas criança não falava sua língua. Imagens inéditas do centro de Bagdá, declarada atualmente em estado de guerra civil. Os botões mudam a voz, a mensagem é a mesma. Entre comerciais, rostos estrangeiros, amedrontados e subjugados, entretenimento de destruição em massa. Mais uma bomba explode ao lado da rua. Dessa vez eram sete os samurais da estação. Helicópteros sobrevoam o local. Um soldado tampa o ouvido. O outro cai no chão e é espancado por cinco militares fardados. A situação, responde o General, será investigada. Pausa para os comerciais. Em 1942, a Alemanha jogava bombas em Londres. Bombas caiam no Oceano Pacífico. Vendo da janela de seu B52 a nuvem de fogo engolir uma floresta inteira, Tom Hardigan surpreende-se assobiando a música tema de I’m Singing in the Rain, com Gene Kelly. Outra bomba explode errado. Cadê o Johnny? Ele estava lá dentro? Puta que pariu! Johnny aparece, em um só pé, carregando uma perna amputada nas mãos. Mas Johnny, essa perna não é a sua! A televisão cai em gargalhadas. Ainda hoje Johnny sonha que nada em um mar de mortos. A velha índia cobre o rosto em vergonha. Corpos estirados na sarjeta. Uma árvore cai. Macacos gritam enjaulados. O animal da televisão é sempre mais bonito que o seu. Milhares de árvores caem, metodicamente. Computadores supervisionam a diagramação da terra. A mata queima e o pequeno Tommy se mija por nunca ter visto nada tão bonito quanto aquilo. Campos de fumaça. Tocos negros destacando-se de seus pulmões. Mais um deserto. A foto de um macaco morto. Várias fotos de vários macacos mortos. A terra é cultivada em veneno e as mãos da modelo vendem o grão da soja. As fornalhas seguem acesas. O país registrou no último ano um índice recorde na emissão de gás carbônico. As geleiras caem, solitárias, do outro lado da televisão. A cidade encoberta em fumaça. Torres negras no horizonte. Outra geleira cai. Um outro furacão. Os ventos sacodem as paredes da casa com violência. Carros são arrastados na enchente. Carros se arrastam nas rodovias. Ciclones solitários no horizonte. Meu Deus! Você viu aquilo? A floresta inteira simplesmente desabou! A repórter sorri como uma criança. As grandes antenas viradas para o céu. O planeta gira. Em 2001, alguém joga um avião em um prédio nos Estados Unidos. O repórter é pego de surpresa. Meu Deus! Você viu aquilo? O avião bate no prédio agora de outro ângulo. Torres em chamas no horizonte. Pessoas brancas de medo e pó correm nas ruas. Pessoas caem. Mais bombas são disparadas. Outros prédios explodem. Mais pessoas caem, desmembradas, baleadas, explodidas, prisioneiras, torturadas. Em sua dança metódica, o exército treina para o desfile na garagem de tanques. Tropas no gramado. Máscaras de gás. Balas de borracha. Escudos blindados. Eles marcham. São apenas estudantes, chora o pai desconsolado. A fumaça das bombas preenche toda a praça. Um helicóptero sobrevoa. Um garoto arremessa a bomba de volta, uma garota cai no chão. Segurem ela! Rápido! Ó Senhor, dai-me forças. Me ajudem, aqui! Segurem ela! Por favor, Senhor, torne-me forte. O que ela está fazendo aqui? Tirem aquela câmera daqui! Me larguem! Cala a boca! É só um capuz preto. São todos farda preta. Está tudo bem. A arma está apontada. Vai ficar tudo bem. Por favor, Senhor! Mas a garota continua se mexendo. O Custo da Liberdade em cores bonitas diz a televisão. Faça Dinheiro agora! O Mercado essa manhã foi agitado, Thomas. Eu diria que em manhãs como essa, Colin, eu prefiro não sair da cama. Computadores diagramam nosso campo de visão. A televisão é Paris Hilton por um instante, sorrindo sua nova marca de batons sobre a cotação do dia. O Senhor fala: Criança, onde esteve quando deveria estar rezando? A televisão oferece sexo em troca de dormência a Joe Wake que morre engasgado com cachorro quente e a mão dentro das calças assistindo a um comercial de cerveja. Senhor, ouça-me rezando! A nação está em choque. Seios à venda. Poder!, clamam os fiéis. A massa de soldados marcha sob o estandarte da cruz negra. O Senhor diz: Pecador, você devia estar rezando. A nação está em guerra. Em 1944, judeus mortos e nus são empilhados em Auschwitz. Em 2006, árabes vivos e nus são empilhados em Abu Ghraib. A câmera mostra, mas ninguém mais vê, ninguém mais liga para ver desenho animado porque lá só vendem brinquedos. Você devia estar rezando, Pecador... Mais uma bomba explodiu... mas no outro canal falaram antes... outra denúncia de tortura... é possível ver ao fundo as bombas caindo... tornou-se um fenômeno, estão todos assistindo... computadores diagramam os mortos e feridos... somente uma Democracia permite essa liberdade de transmissão... o Senador vende seu voto no sorriso... as garotas dançam... e o prêmio vai para... foi vista fazendo topless em... o melhor exercício para o corpo... a pele vende a guerra... distração... a guerra paga em pele... macacos dançam... é tudo muito colorido... vai ficar tudo bem... soldados dançam... a música é bonita... vai ficar tudo bem... um carro atropela uma criança... a perseguição continua... o nome do país soletrado em uniforme marcha... o homem observa... Poder!, clama Jacó... armas em riste, bandeiras ao vento, câmeras a postos... Poder!, o deserto ecoa de volta... a segurança vende o petróleo... a confusão continua enquanto a polícia mantém a ordem... o canto de uma velha negra é ouvido... a perseguição continua... outra bomba... os policiais mantêm a multidão afastada com mangueiras... o vigia observa do alto da torre... mãos preguiçosas penduradas entre as grades... homens de terno saem pela porta dos fundos... sim, senhor, não, senhor... precisamos nos unir nesse período de medo... precisamos manter o controle... os jatos decolam... o futuro é simples... não sabe, senhor?... a simplicidade de uma maçã de plástico... os lábios vendem o veneno... não sabe que preciso de ti, senhor?... perca peso agora sem sair do sofá... viva sem culpa... a garota sorri... os computadores diagramam o rosto da televisão... rostos repetidos nas esquinas... não sabe que preciso de ti, senhor?... a televisão dança... a música ordena... cabelos ao vento em câmera lenta... o que falta em sua vida?... não vê, senhor?... todos os bonecos se vestem melhor... os botões mudam o produto, o sorriso é o mesmo... estamos à venda... o que falta para sentir-se perfeito?... a mulher geme... senhor!, clama Jacó de joelhos... uma sombra encobre o sol... recebemos um comunicado urgente... interrompemos a programação... um comunicado oficial... ignorante e implacável, a pedra rola... um grande meteorito... no escuro, Jacó chama por seu senhor... computadores diagramam o fim do mundo... ninguém mais sabe o que dizer... um pedaço de pedra atinge o planeta... a televisão chora... ninguém mais escuta... fiquem com Deus... a dança é interrompida... tudo é devastado... agora, há somente um imenso mar de fogo.
Procure o Diabo, respondeu o Senhor.
Procure o Diabo.
Ó Pecador, aonde vai se esconder?
A lua cobre o sol e homens em cima de pirâmides falam o que querem porque podem, vestidos em pele de bicho e pintados em sangue humano, máscaras de cerâmica, penugens e facões, desentranham homem e bezerro e oferecem o coração ao garoto retardado com rubis no pescoço.
O planeta gira.
Estamos entrando na era de Aquário.
Um símbolo para a todos definir.
Um anel dourado e nós giramos nele e há estrelas desenhadas para mostrar o que queremos e tememos e dominamos a arte de dar nomes ao movimento do caos.
Caros leitores, esse é o ano do Fim do Mundo.
Jacó saiu de casa para trazer comida para sua família. Beijou a mulher, as filhas, e partiu para a colheita. Haviam dois caminhos. O da direita levava para a plantação. O da esquerda, para as montanhas. Naquele dia, Jacó escolheu diferente. Depois das montanhas, diziam, havia o mar. Jacó ansiava em vê-lo, sonhava com as histórias que ouvia sobre sua brilhante e perversa extensão azul infinita. Jacó caminhou e caminhou e caminhou e só havia ao seu redor o deserto. Em desespero, chamou seu Deus.
Sozinho, sentiu medo.
Encontrou uma pedra e lhe pediu abrigo.
Por favor, Pedra, preciso de ti.
Eu não posso te esconder, respondeu a pedra.
Jacó a pegou do chão e guardou em sua sacola. E tudo mais que encontrava, tomava para si, graveto, folha, bicho, caixa, metal, papel, madeira, lã, até que não agüentasse mais o peso e jogasse tudo no chão e visse seu próprio reflexo num espelho roubado, sujo, barbudo, doente. Jacó correu. Mas as coisas que deixava pelo caminho não lhe deixavam e de todo seu corpo brotavam coisas estranhas e coisas prateadas voavam nos ares e cruzavam o chão. A terra toda tremia.
Um grande furacão negro ergue-se no horizonte sobre o campo de batalha. Jogando aos ares vivos e mortos. O homem sobe nos cadáveres e dispara sua flecha rumo ao desconhecido.
O corpo abre-se. Músculos, ossos, nervos, tecido, dando lugar ao olho de fogo.
A voz que não te conhece vende harmonia.
Cruzes vermelhas marcham no deserto. Sob elas, armaduras. Sob elas, homem, espada, cavalo, escudo, bandeira, bíblia.
Abram esse portão agora mesmo!, grita o Bispo.
A recompensa divina é paga na taverna, com todas as filhas dos fazendeiros.
Homens ferozes como bestas, senhor! Eles estão chegando.
Os elefantes anunciam.
Ornados em ouro e couro. Colares de orelhas, cabeças como coroas.
Por Alá!
E todo o inferno segue.
No deserto, um cogumelo desabrocha com a força de dez mil toneladas de dinamite.
Poder!, gritam os fiéis.
Poder!, anuncia o Pastor.
Aviões deixam uma bomba na porta de sua casa. A televisão mostra os fogos de artifício. Destruição da mais alta definição. A cruz brilha verde no monitor. Uma cidade inteira bombardeada vinte e quatro horas por dia via cabo. Algo dá errado, a loirinha com o microfone se mija. A orquestra segue. As portas se abrem e os mísseis são despejados. Fogo!, grita o Comandante. Jimmy! É sua vez! O pobre Jimmy pensa em sua fazenda no Alabama, em seu pai alcoólatra, sua mãe adúltera, sua irmã puta. Aperta a alça da mochila e salta. O páraquedas não abre. Canhões anti-aéreos são disparados no deserto e a terra estremece. Um prédio desaba com o toque de um botão. Um homem é queimado vivo. Outra bomba explode. A casa é desintegrada em câmera lenta. Metralhadoras giram. O inferno nunca se farta. O futuro é um cogumelo vermelho, diz o japonês cego. Um furacão extermina metade da costa da Flórida. Ondas gigantes varrem pessoas do mapa. Ventos levam telhados e árvores são arrancadas do chão por máquinas grandes e amarelas. Senhor!, clama Jacó. Não vê que preciso de ti, Senhor? Temos a ordem? Temos a ordem. Disparar. Vejam só isso! É lindo! As explosões continuam. Navios levam espécies para o esquecimento. Troncos empilhados, corpos contados. Esse é o Novo Mundo! Em seu seio apodrecido a mãe moribunda carrega o infante morto. Crianças africanas brincam em frente à câmera. A mais magrinha senta no canto. Ela parece realmente doente, vamos deixá-la de fora. Tendas brancas se estendem sobre a terra negra. Um homem carrega seu carrinho de mão ao lado do tanque de guerra. O relógio gira. O ponteiro conta o tempo perdido, o bolso, o vendido. O jato prepara-se para decolar. A criança com cinzas no rosto sorri para a câmera. Os navios disparam seus canhões uns contra os outros. Cuidado! Olhe atrás de você, grita a repórter desesperada, mas criança não falava sua língua. Imagens inéditas do centro de Bagdá, declarada atualmente em estado de guerra civil. Os botões mudam a voz, a mensagem é a mesma. Entre comerciais, rostos estrangeiros, amedrontados e subjugados, entretenimento de destruição em massa. Mais uma bomba explode ao lado da rua. Dessa vez eram sete os samurais da estação. Helicópteros sobrevoam o local. Um soldado tampa o ouvido. O outro cai no chão e é espancado por cinco militares fardados. A situação, responde o General, será investigada. Pausa para os comerciais. Em 1942, a Alemanha jogava bombas em Londres. Bombas caiam no Oceano Pacífico. Vendo da janela de seu B52 a nuvem de fogo engolir uma floresta inteira, Tom Hardigan surpreende-se assobiando a música tema de I’m Singing in the Rain, com Gene Kelly. Outra bomba explode errado. Cadê o Johnny? Ele estava lá dentro? Puta que pariu! Johnny aparece, em um só pé, carregando uma perna amputada nas mãos. Mas Johnny, essa perna não é a sua! A televisão cai em gargalhadas. Ainda hoje Johnny sonha que nada em um mar de mortos. A velha índia cobre o rosto em vergonha. Corpos estirados na sarjeta. Uma árvore cai. Macacos gritam enjaulados. O animal da televisão é sempre mais bonito que o seu. Milhares de árvores caem, metodicamente. Computadores supervisionam a diagramação da terra. A mata queima e o pequeno Tommy se mija por nunca ter visto nada tão bonito quanto aquilo. Campos de fumaça. Tocos negros destacando-se de seus pulmões. Mais um deserto. A foto de um macaco morto. Várias fotos de vários macacos mortos. A terra é cultivada em veneno e as mãos da modelo vendem o grão da soja. As fornalhas seguem acesas. O país registrou no último ano um índice recorde na emissão de gás carbônico. As geleiras caem, solitárias, do outro lado da televisão. A cidade encoberta em fumaça. Torres negras no horizonte. Outra geleira cai. Um outro furacão. Os ventos sacodem as paredes da casa com violência. Carros são arrastados na enchente. Carros se arrastam nas rodovias. Ciclones solitários no horizonte. Meu Deus! Você viu aquilo? A floresta inteira simplesmente desabou! A repórter sorri como uma criança. As grandes antenas viradas para o céu. O planeta gira. Em 2001, alguém joga um avião em um prédio nos Estados Unidos. O repórter é pego de surpresa. Meu Deus! Você viu aquilo? O avião bate no prédio agora de outro ângulo. Torres em chamas no horizonte. Pessoas brancas de medo e pó correm nas ruas. Pessoas caem. Mais bombas são disparadas. Outros prédios explodem. Mais pessoas caem, desmembradas, baleadas, explodidas, prisioneiras, torturadas. Em sua dança metódica, o exército treina para o desfile na garagem de tanques. Tropas no gramado. Máscaras de gás. Balas de borracha. Escudos blindados. Eles marcham. São apenas estudantes, chora o pai desconsolado. A fumaça das bombas preenche toda a praça. Um helicóptero sobrevoa. Um garoto arremessa a bomba de volta, uma garota cai no chão. Segurem ela! Rápido! Ó Senhor, dai-me forças. Me ajudem, aqui! Segurem ela! Por favor, Senhor, torne-me forte. O que ela está fazendo aqui? Tirem aquela câmera daqui! Me larguem! Cala a boca! É só um capuz preto. São todos farda preta. Está tudo bem. A arma está apontada. Vai ficar tudo bem. Por favor, Senhor! Mas a garota continua se mexendo. O Custo da Liberdade em cores bonitas diz a televisão. Faça Dinheiro agora! O Mercado essa manhã foi agitado, Thomas. Eu diria que em manhãs como essa, Colin, eu prefiro não sair da cama. Computadores diagramam nosso campo de visão. A televisão é Paris Hilton por um instante, sorrindo sua nova marca de batons sobre a cotação do dia. O Senhor fala: Criança, onde esteve quando deveria estar rezando? A televisão oferece sexo em troca de dormência a Joe Wake que morre engasgado com cachorro quente e a mão dentro das calças assistindo a um comercial de cerveja. Senhor, ouça-me rezando! A nação está em choque. Seios à venda. Poder!, clamam os fiéis. A massa de soldados marcha sob o estandarte da cruz negra. O Senhor diz: Pecador, você devia estar rezando. A nação está em guerra. Em 1944, judeus mortos e nus são empilhados em Auschwitz. Em 2006, árabes vivos e nus são empilhados em Abu Ghraib. A câmera mostra, mas ninguém mais vê, ninguém mais liga para ver desenho animado porque lá só vendem brinquedos. Você devia estar rezando, Pecador... Mais uma bomba explodiu... mas no outro canal falaram antes... outra denúncia de tortura... é possível ver ao fundo as bombas caindo... tornou-se um fenômeno, estão todos assistindo... computadores diagramam os mortos e feridos... somente uma Democracia permite essa liberdade de transmissão... o Senador vende seu voto no sorriso... as garotas dançam... e o prêmio vai para... foi vista fazendo topless em... o melhor exercício para o corpo... a pele vende a guerra... distração... a guerra paga em pele... macacos dançam... é tudo muito colorido... vai ficar tudo bem... soldados dançam... a música é bonita... vai ficar tudo bem... um carro atropela uma criança... a perseguição continua... o nome do país soletrado em uniforme marcha... o homem observa... Poder!, clama Jacó... armas em riste, bandeiras ao vento, câmeras a postos... Poder!, o deserto ecoa de volta... a segurança vende o petróleo... a confusão continua enquanto a polícia mantém a ordem... o canto de uma velha negra é ouvido... a perseguição continua... outra bomba... os policiais mantêm a multidão afastada com mangueiras... o vigia observa do alto da torre... mãos preguiçosas penduradas entre as grades... homens de terno saem pela porta dos fundos... sim, senhor, não, senhor... precisamos nos unir nesse período de medo... precisamos manter o controle... os jatos decolam... o futuro é simples... não sabe, senhor?... a simplicidade de uma maçã de plástico... os lábios vendem o veneno... não sabe que preciso de ti, senhor?... perca peso agora sem sair do sofá... viva sem culpa... a garota sorri... os computadores diagramam o rosto da televisão... rostos repetidos nas esquinas... não sabe que preciso de ti, senhor?... a televisão dança... a música ordena... cabelos ao vento em câmera lenta... o que falta em sua vida?... não vê, senhor?... todos os bonecos se vestem melhor... os botões mudam o produto, o sorriso é o mesmo... estamos à venda... o que falta para sentir-se perfeito?... a mulher geme... senhor!, clama Jacó de joelhos... uma sombra encobre o sol... recebemos um comunicado urgente... interrompemos a programação... um comunicado oficial... ignorante e implacável, a pedra rola... um grande meteorito... no escuro, Jacó chama por seu senhor... computadores diagramam o fim do mundo... ninguém mais sabe o que dizer... um pedaço de pedra atinge o planeta... a televisão chora... ninguém mais escuta... fiquem com Deus... a dança é interrompida... tudo é devastado... agora, há somente um imenso mar de fogo.
Procure o Diabo, respondeu o Senhor.
Procure o Diabo.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Ego
Entro no meu prédio. Um bafo. Abro a caixa do correio. Uma correspondência sem o nome do remetente. Mais um objeto na casa. Não quero abrir o pacote. A fome vai morrer antes do mistério. Quem mandou essa merda? Só cebola e miojo na cozinha. Bebo um copo dágua antes de cozinhar. A vontade era de beber gelada, mas estou sem gelo na geladeira. Calor nojento! Tô suando no saco. Já fedo a velho. Antes de comer, o banho. A água desce fria, mas esquenta. Tudo aqui é quente. Verão inferno! Não me seco, eu cozinho pelado. Rango pronto em seis minutos. Vou pra sala. Abro o pacote. Encontro fotografias de eu entrando no prédio, abrindo a caixa de correio, uma correspondência na minha mão, envelope sem remetente, eu entrando em casa, eu na cozinha, o banho, eu comendo, abrindo o pacote, o maço de fotografias, eu olhando tudo outra vez.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Battlestar Galactica

As primeiras páginas de quadrinhos que eu desenhei na minha adolescência eram de ficção científica, inspiradas em um seriado de tevê chamado Battlestar Galactica. Desde os meus oito anos, após eu avistar luzes estranhas no céu noturno, eu virei obcecado pela a ideia de vida inteligente fora da terra e disco voadores. E com essa temática explorada na animação, nos filmes e séries de tevê eu não podia parar de desenhar naves espaciais, robôs e o espaço. Na minha infância, as minhas brincadeiras nas tardes eram explorações espaciais em naves mães construídas com caixas de sapatos para os meus playmobil enquanto a minha cama, com os cobertores torcidos, servia como cenário de planetas selvagens. Eu falo de uma época onde eu ainda não era fã dos quadrinhos, apesar de curiosamente desenhar muito, principalmente quadrinhos, mas se não fosse essa bagagem das brincadeiras e a curiosidade sobre o que existe no cosmos, hoje, tenho certeza que eu não seria um quadrinhista.
Sim, eu quase não faço, ou não faço ficção cientifica nos quadrinhos, mas de certa forma os conceitos metafísicos que tanto persigo na minha ficção tem origem nessa época onde o meu alimento era sci-fi.
Eu lembro que eu assisti o piloto da Galactica na casa dos meus avós em um domingo no início dos anos oitenta. Lembro que as propagandas que antecediam a exibição do piloto tinham aguçado a minha curiosidade com os vipers cortando o espaço para combates contra os cylons em defesa da astronave mãe Galactica. Cada vez que eu assistia aquilo os meus olhos pulavam famintos para tevê e eram alimentados por 30 segundos. Eu queria mais e contava os dias para assistir. Quando chegou à hora de exibição no domingo eu contagiei toda a minha família com o seriado. Acompanhamos a devastação do planeta Kobol e a cidade Cáprica, a aniquilação das doze colônias planetárias por uma raça de seres cibernéticos chamados Cylons, esses são descendentes de uma misteriosa cultura alienígena dos extintos répteis. Pós a chacina, os sobreviventes humanos fogem em naves capitaneadas pela nave de combate Galactica em busca de uma lendária décima terceira colônia, um planeta descrito em textos religiosos, um planeta chamado Terra. Essa mitologia, inspirada no livro Eram Deuses Astronautas, de Erik Von Daniken (onde é teorizado que a Terra pode ser uma colônia de um povo extraterrestre, onde nós, humanos, somos apresentados como uma colônia esquecida de uma civilização mais avançada em cultura e tecnologia), simplesmente trouxe uma perspectiva de vida, uma visão expansiva e muita alegria em um garoto de 10 anos que dedicava as suas horas mirando os mistérios do céu noturno. A partir dali fui capturado de vez pelo poder de contar histórias e por mitologia, na época isso não era tão claro para mim, mas a magia do espaço foi o que trouxe a força da energia criadora que eu uso até hoje. De querer entender de como tudo funciona. Ver a invisibilidade do universo, querer respostas sobre a nossa origem e destino.
Fui um garoto afortunado com essa sede de mistérios, por não ser cético e com imaginação fértil. Sou de famílias com ligações exóticas nas religiões, verdadeiras saladas místicas. Onde meu avô materno e a minha mãe assumem raízes em diversas religiões, e se dizem místicos e médiuns. Para mim, as religiões possuem diversas esferas e entre essas esferas há defeitos como o fanatismo e o poder de provocar discórdias e guerras. Hoje me considero um ateu, cético, mas não paro de questionar, também, contraditoriamente do que digo e afirmo aqui como a minha perspectiva de ateu, eu vou meio que decifrando códigos de profunda religiosidade em meu trabalho. Também penso que enquanto vou envelhecendo, vou experimentando a falta de sentido em determinar um sentido ou conclusão do que é a existência e a realidade.
Quando criança, eu literalmente perdia a noção do tempo nas noites de verão passando horas e horas deitado nas gangorras das praças do condomínio que eu morava, não tinha lugar melhor para ver as estrelas. Outras vezes passava as madrugadas na janela do meu quarto (eu morava no nono andar e a vista era de uma panorâmica para muitos universos e vidas). Eu sempre quis ver a terra lá de cima. Ter a magnitude e a experiência de lugares ainda não explorados pela vida terrena. Meus amigos eram mais preocupados com o futebol e me consideravam estranho esquisito ou louco por não gostar de jogar bola. Meu apelido era Nego Ufo, General Urko e outros. Isso não me ofendia, sempre fui indiferente a isso e busquei a minha turma. Ainda busco o meu lugar no universo, enquanto escrevo aqui diversas lembranças passam na minha cabeça e amarras vão se soltando. Entre essas amarras vou tirando novas conclusões sobre eu ser cético. Bom, senhores, eu deixo em parte o ceticismo, porque acredito que ceticismo é outra forma de fanatismo, eu não posso concluir que a vida acaba aqui, não posso dizer que não há uma extensão da vida após a morte, literalmente eu não posso concluir isso, como também eu não posso afirmar o contrário. Não posso dizer que a vida continua. Ninguém pode. Quem conclui qualquer uma dessas contraditórias definições está expressando a sua visão de fé sobre a vida e a morte. E fé é ilógico. Ou alógico. Fé, para mim, se confunde com fanatismo por que já vi tantos homens e mulheres de fé com certezas divinas fracassarem em visões limitadas e ilusórias da vida. E também ouvi argumentos de descrenças ateístas sem profundas veracidades por que são conceitos de coerências e poder, mas limitados na experiência do que enxergam e concluem disso. Essas lógicas ateístas que carrego em mim, são visões de outros, escritores, artistas e cientistas, intelectuais, amigos, conhecidos, o que li, ou ouvi ali e acolá. São discursos expressados, visões de mundo, utopias, mas não são regras infalíveis ou exatas, não funcionam como realidade, por que, na minha opinião, a nossa realidade é de realismo mágico, um universo ainda não pronto. Sim, essa é uma das visões que tenho sobre o universo, ele ainda está nascendo, em fase de crescimento e se expande. O que tu e eu imaginamos da vida, cosmos e a realidade, são coisas diferentes, coisas únicas, por experiência e perspectivas de vida diferentes. Mas nossas imaginações fazem parte também do universo, e para o cosmos o que existe, o que é criado faz parte do seu tecido em expansão.
Para o todo não há linha que separe, não há individuo, não há egos que realmente são prioridades. Não há cultura ou religião. Há uma força criadora. Ultra super sobre intangível invisível imperceptível atemporal para nós. A energia, a velocidade, ação e reação, a matemática pura dança a contradição de ser e não ser sob e sobre os nossos átomos. Esqueçam a carne. Enxerga os teus átomos! No fundo somos isso: números conscientes e vazios. Onde existe uma matemática abstrata, onde inexiste o julgamento do que é real. Se tu duvidas, olha a tua volta. Traduza o que vê, traduza o que não vê. Veja a verdade sobre a natureza. São espelhos?
Vinte cinco anos depois de acompanhar o seriado Battlestar Galactica, que durou apenas uma temporada e meia, eu já não lembro mais dos episódios que eu assiti fora um ou outro. Eu já não seria mais facilmente seduzido pelas imagens dessa série, acredito que eu acharia até ingênuas muitas cenas e episódios. Mas dentro do meu imaginário essa série tem força mítica. Quando eu soube que haveria uma nova série derivada, uma nova leitura de Battlestar Galactica eu fiquei curioso para assistir. Principalmente quando eu soube que Bryan Singer estaria envolvido. Eu soube depois que esse envolvimento não ocorreu. Mas fui fisgado pelo retorno de Galactica, e quando finalmente eu tive a oportunidade de ver essa nova série... Fui surpreendido com o texto dessa releitura.
Apesar de o argumento ser o mesmo, a história é revisitada e aprofundada em conceitos metafísicos que são de tirar o meu sono em episódios que eu assisto (Estou aqui em uma rara madrugada gelada de janeiro escrevendo sobre idéias que circulam na minha cabeça sobre como eu posso dizer e sugerir as pessoas de buscarem um espaço em suas vidas e assistirem essa série.). É um evento. Provocadora e inteligente. De subtextos e visões do que existe de real e mágico na ficção cientifica e na nossa realidade. Galactica é política, ecoa o 11 de setembro em seus pixels, vomita verdades sobre a invasão do Iraque, expõe a nossa atual corrida extrema contra um colapso final. Galactica provoca trocas de perspectivas e nos avisa sobre o caminho provável que a humanidade venha a seguir. A série argumenta o que somos com o futuro desenvolvimento da Inteligência Artificial.
Diferente da versão original, os cylons são criados pelos homens e essas máquinas se revoltam contra os homens por serem subestimados por seus criadores. São tratados como máquinas escravas e não como seres, ou indivíduos. Os cylons são como os replicantes de Blade Runner, mas não são mortais, não vivem só seis anos como os Nexus 6. Os cylons são imortais, quando os seus corpos são destruídos as suas consciências digitais, os seus dados, bancos de memórias transmigram para um novo corpo. Por serem frutos da criação humana eles identificam o criador como Deus. Mas para eles o homem não é Deus, mas um veículo para a evolução das espécies propagarem na forma perfeita o espelho de Deus. Os cylons se voltaram contra humanidade e por 40 anos desapareceram após provocar uma guerra contra os homens. Retornam evoluídos imitando a forma humana, se infiltram entre os homens em doze modelos. Onde partes desses modelos são agentes que não sabem ser máquinas, acreditam ser homens e em determinado tempo o programa do despertar é acionado e as suas verdadeiras missões são colocadas à prova. É aqui que aparece um dos melhores enfoques da série por que não sabemos quem é o quê. Muitas das personagens que eram humanas se descobrem máquinas, cylons, e as suas vidas entram em crise com a programação e vencer a programação talvez seja possível e o livre arbítrio é dado individualmente à máquina, que após ter experimentado ser um homem; sentir, raciocinar, amar e temer provoca uma releitura sobre a própria existência e seus conceitos sobre o que é vida. Os cylons não param de questionar e a filosofar sobre verdade e mostram questionamentos muito humanos. Ou questionamentos que muitos humanos reais deviam ter, ao invés de visitar shoppings entre outras coisas da era da globalização, ou ver as telenovelas globais ditas verdades reais da vida.
Outra coisa que chama a minha a atenção na nova Galactica é a forma que a humanidade é retratada. Homens e mulheres vivem em igualdades em uma sociedade sem preconceitos, ou hierarquias sexuais. Uma das melhores mudanças no argumento original é Starbuk. Ela é uma das personagens que na primeira versão era um homem e agora é uma mulher. Mas Starbuck tem a mesma personalidade da personagem original. Ela bebe, fuma charutos, uma cafajeste com os homens, segue a tradição hard-boleid, é durona e boa de briga. É um John Wayne sem deixar de ser uma bela mulher. Uma versão Sonja do futuro.
Essa igualdade só entre humanos. Só humanos. Não significa que com as máquinas não somos os mesmos, arrogantes, racistas, assassinos e podres. Vejo que a revolta das máquinas não é o clichê da conquista do universo, mas uma estratégia de defesa contra a nossa condição no universo. Somos seres de difícil convivência e as máquinas sabem e se encaminham para o nosso extermínio. Talvez o nosso fim tenha algum significado maior. Talvez seja útil, um elo novo. Há uma atmosfera com algo há mais, que me faz prever uma presença sobrenatural como os monólitos negros do filme 2001, a verdadeira razão para a morte da raça humana ainda está em aberto, os cylons filosofam, os humanos são mais instintivos, passam a viver a provável extinção. Estão mais bichos. São mais brutos agressivos, tendo que viver limitados ao interior de naves e com provisões incertas de comida, água e combustível no infinito espaço sideral. Para não cair no caos puro ainda são mantidas as leis e políticas sociais. Há uma presidente que trata da ordem civil e um comandante que tomas as decisões militares. Notei a falta da religião como um poder e a presença de um agente do terror. Considerando a série uma fábula, eu percebo o declínio do poder da Igreja e o avanço do terror como um fundamentalismo religioso, um novo poder instalado na humanidade.
Eu acho importante ver essa faceta da humanidade em um mundo que supostamente é mais desenvolvido em tecnologia, onde supostamente a humanidade já dominou o seu útero planeta e conquista novas perspectivas no cosmos. É justamente no avanço que caímos, quando finalmente criamos seres cibernéticos de inteligência equivalente e superior a nossa, nós nos deparamos com a nossa possível extinção. E o caminho que conduz a sobrevivência da humanidade na série, é a jornada ao desconhecido, ao primitivo e aos primeiros ensaios religiosos sobre o celestial, o cosmos. A humanidade perdida busca a Terra em naves que são sucatas e despreparadas para as jornadas intergalácticas. São menos de 50.000 sobreviventes que fogem da raça dos cylons armados em avançadas naves mães de combates e caças (versões de inteligências artificiais, uma espécie dos cylons, lembram os tubarões brancos, ou raias de um só olho vermelho, ciclopes), máquinas de matar que desligam toda a nova tecnologia da humanidade, colocando um vírus nos computadores conectados em rede.
A tecnologia da Galactica é uma exceção. A astronave de combate não estava em rede com as outras astronaves de combate, não estava conectada a moderna tecnologia que operava com a central de defesa das doze colônias e foi destruída. William Adama desconfiava das facilidades impostas da moderna tecnologia e ordenou a ausência da rede em sua nave. Ele acreditava que as naves em rede possuíam falhas para o inimigo. O Comandante Adama não se adapta as novas tecnologias e deixando na velha nave de combate Galactica apenas os velhos computadores e sucatas como maquinários.
No piloto a nave seria desativada para ser palco de um museu, com vários vipers, caças antigos que são réplicas dos vipers da primeira versão do seriado, estão aproado na Galáctica, que é uma nave inspirada nos nossos porta aviões. Por não fazer parte das redes de computadores essa nave não é destruída pelo vírus cylon que invade a rede de defesa humana capitaneada no Planeta Cápicra. Mas seus caças vipers de última geração são alvos fáceis para o cylons, são desligados e abatidos.
O vírus é instalado na rede pela cylon Six. Ela torna-se amante do criador da rede defesa, Gaius Baltar, o melhor personagem da série, em minha opinião. Corrupto, fraco, covarde, canalha, tudo de bom! Às vezes tenho a leitura dele ser a personagem principal da série com os seus devaneios e loucuras. Não há personagem mais humano.
Outro ponto de força na série é o peso que o sexo tem nas personagens sendo humanos ou cylons eles estão intensos, amantes na guerra. Há sexo entre cylons, entre humanos e entre cylons e humanos.
Em alguns momentos enquanto assisto eu lembro dos filmes que são referências no processo criativo da série, se vê um pouco de Blade Runner, Inteligência Artificial, Jornada nas Estrelas, 2001, Alien, Matrix e outras referências que não são muito obvias com Apocalipse Now, Baraka, Kwaidan, Navigator e Solaris e Planeta dos Macacos. Sim, a série lembra essa obra prima da ficção cientifica, eu não falo do remaker do Tim Burton, eu falo da série cinematográfica clássica. Eu cheguei nessa conclusão quando assisti o décimo episódio da quarta temporada. Puta-que-pariu! Eu cheguei a perder o sono depois que assisti esse episódio, foi exatamente a mesma sensação que eu tive quando eu assisti ao primeiro filme de os Planetas dos Macacos. Mas já estou falando demais aqui...
A trilha sonora é outra coisa que faz o queixo cair. Ritmos de percussão em atabaques mapeiam diversos sons e culturas desde africanas, japonesas, islâmicas e celtas isso dá mais peso a mítica da série. E até Jimmy Hendrix é registrado, eu lembrei de Moebius quando ouvi All Long the Watchtower invadir uma das melhores cenas da série .
Acho que vou sair daqui do estúdio, vou me estirar no sofá da sala para rever o piloto da Battlestar Galactica. Quem sabe, depois retorno ao estúdio e desenho minha primeira hq de ficção cientifica, ou vou até o condomínio onde passei a minha infância mirar o céu em uma gangorra.
No dia 16 de janeiro começa a ser exibido nos EUA os últimos doze episódios da quarta temporada. A série depois disso acaba. Já ouvi comentários de quem participou da produção da série que o final é...
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Sam Pablo
Hoje em São Paulo, foi um puta dia caótico. Acordei por volta das 10 horas da manhã com um clarão cinza que urrava com os furiosos automóveis na Brigadeiro. É vespera do lançamento da Caos. Estou nervoso. Sou um detetive privado. Meu escritório fica em um shopping no bairro Liberdade em uma louca galeria com mangás, animês, e tudo o que o meu amigo Candido gosta. Puta que lo pariu! Nunca vi tantos otakus juntos. Eu no meio dessa gente. Uma das meninas olha uma vitrina quase lambendo o vidro, ela fixa os seus olhos grandes em um bonequinho.
"Sexy, sexy, sexy!!!"
Ela grita como numa orgia para o amigo gay.
Eu preciso saber o nome dessa doida.
Continua...
"Sexy, sexy, sexy!!!"
Ela grita como numa orgia para o amigo gay.
Eu preciso saber o nome dessa doida.
Continua...
domingo, 14 de dezembro de 2008
As Cegas...
Psitis! Estou há duas noites em São Paulo e começei um projeto de quadrinhos que envolve essa bruta megalópolis. A idéia original era postar uma hq sendo produzida aqui e agora, mas na casa da Carolita na há scanner. Então fudeu. Mas posso contar o que é o projeto.
Há um ano atrás eu pensei em criar uma hq de detetive. Trata-se de Sam Pablo. Ele é tudo o que já vimos em todos os detetives. É o clichê do clichê. Um usuário da gabardine e o chapéu. Revólver no coldre e cigarro na boca. Sempre com frases feitas. Durão, principalmente com as mulheres.
Alguns vão dizer que o Ferreira devia parar. Chega de detetives! Você não faz idéia do absurdo dos casos que esse maluco sai para investigar, não supeita dos tipos que cruzam nas tramas e nem pode prever como vai ser a cidade de São Paulo que vou mostrar. Vou falar a verdade, Sam Pablo...
Há um ano atrás eu pensei em criar uma hq de detetive. Trata-se de Sam Pablo. Ele é tudo o que já vimos em todos os detetives. É o clichê do clichê. Um usuário da gabardine e o chapéu. Revólver no coldre e cigarro na boca. Sempre com frases feitas. Durão, principalmente com as mulheres.
Alguns vão dizer que o Ferreira devia parar. Chega de detetives! Você não faz idéia do absurdo dos casos que esse maluco sai para investigar, não supeita dos tipos que cruzam nas tramas e nem pode prever como vai ser a cidade de São Paulo que vou mostrar. Vou falar a verdade, Sam Pablo...
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
É amanhã que o mundo vai acabar?

Estou com uma grande expectativa sobre amanhã à noite. Sexta, 12 de dezembro, em São Leopoldo um Aleph vai abrir uma passagem para o surreal mundo de Fabiano Gummo. A luz dos seus desenhos vai assombrar as nossas mentes com uma espectral cor desconhecida, eu sei que muitos que estarão lá não vão voltar.
Vou atravessar o crepúsculo em um fusca guiado por Rodrigo Rosa e seu co-piloto Sica, ou Pax. Sinceramente eu não sei bem como isso vai suceder, mas vamos sangrar a interzona industrial Cronenberg que interliga a terra das risadas para ver uma película de horror feita pelo menino Lucas. Mas que é Lucas? Eu não faço a mínima idéia. Eu suspeito que é a encarnação paranormal da mente doentia do gringo Gummo, el gringo májico del horror.
Talvez eu não vá, mas vou.
Quem é da opinião que a realidade é uma utopia conspirada pelos frangos da Avipal deve realmente não deixar de ir. Por que amanhã o mundo vai acabar.
Lançamento do Caos na HQ MIX

CAOS- A primeira parte da mini-série em seis partes de Carlos Ferreira será lançado em São Paulo na livraria de quadrinhos HQ MIX, Praça Roosevelt, 142, Centro, no dia 18 de dezembro, às 19 horas e 30mins.
Em um dia qualquer, Cao, nerd apressado para não perder o seu programa de tevê, encontra um estranho olho no caminho de casa. Fã de Will Black, uma personagem da série de tevê Religio, série que Cao acompanha metodicamente, desperta mais a sua atenção com um detalhe no episódio inédito onde uma coincidência, um outro estranho olho também é encontrado por Will Black. Isso desperta em Cao mais atenção nas nuances da série que emergem em sua vida. Aos poucos ele irá perder o seu senso de realidade, assim como Will Black. Isso levará aos dois à mesma jornada surreal, intimista e de profundo horror.
Caos é uma história em quadrinhos que mistura vários gêneros como o suspense, realismo fantástico, drama e horror. Não é nada convencional. É quadrinhos que experimenta novos desafios na linguagem e na narrativa da nona arte. História em quadrinhos que já foi publicada em 2004 e agora, quatro anos após, é reeditada pelo próprio autor para dar início há uma nova proposta editorial, o selo de quadrinhos Ferreteria.
Trama de Caos é centrada na personagem Cao (alter-ego de Carlos Ferreira) e na personagem Will Black (paródia da personagem Frank Black da extinta série de tevê Millennium de Chris Carter).
Carlos Ferreira é gaúcho. Roteirista e desenhista, uma das referências dos quadrinhos de autor underground dos pampas, é cineasta, diretor de tevê de diversas séries realizadas na RBSTV, filial da ( Globo) entre elas: Histórias Extraordinárias.
Publicou nas revistas Dundum, Peekaboo, Made in Brasil, La Voz del Bajo,Olho Mágico e outras, em diversos países como Argentina, Alemanha e Japão. Em 2009 é previsto o lançamento de Os Sertões, pela editora Agir, polêmica adaptação para quadrinhos que Ferreira assina como roteirista. Obra realizada com o seu comparsa, o desenhista Rodrigo Rosa.
Lançamento da mini-série em quadrinhos, CAOS - Na livraria de quadrinhos HQ MIX, Praça Roosevelt, 142, Centro, no dia 18 de dezembro, às 19 horas e 30mins.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Cavalo de Tróia.

De uns tempos para cá as máquinas começaram a esquentar, as engrenagens a se mover e o destino é incerto... mas promete! Acho que essa onda começou em agosto de 2007, começou com uma ruptura, uma prazerosa ruptura com o que exite de mais careta na nona arte. Antes eu acreditava que estávamos todos os quadrinhistas no mesmo barco, mas a experiência e o caos me elucidou dessa tirânia. A coisa não funciona assim, a sociedades nos quadrinhos é tribal. As tribos estão aí, ainda somos primitivos. Vamos nos formando em guetos e não é nada ruim isso.
Há um novo rumo surgindo à beira da passagem de 2008 para 2009, segundo uma amiga astróloga, falo de ti, Gi, o leão vai alinhar os astros em 2009. Eu, cético, paradoxalmente, concordo que um leão alinhou os astros. Falo dos astros da PEEKABOO 4. Como eu já citei, a PEEKABOO retornou depois de um hiáto de 14 anos e vai parir com 15 anos. Mas o que retorna não é só uma revista conceitual, mas o que achamos ser uma proposta mais autoral nos quadrinhos. Concordamos todos os envolvidos quanto o assunto é expressar e contar uma história do seu jeito e estilo. Falo de Adriano, Pax, Sica, Martins, Gummo, Nik, Rosa e eu (Ferreira), que quando o assunto é ser artistas, não venham com propostas editorias industriais, caretas e marketeiras. Com nós a coisa funciona em outra esfera. Cada um é como o Pax disse, um veterano com cicatrizes de guerra. Sabemos como fazer as coisas e estamos aberto a mostrar que vamos até o fim do jogo experiementar as possibilidades e armas. Cada um com os seus dons.
Sexta passada foi realizado um encontro com os autores da PEEKABOO, que para as nossas vidas já é um grande marco. A convocação foi histórica. Estávamos todos na casa do Pax, planejando a estratégia para o ano de 2009. Foi o leão alinhando os astros para 2009. Nós somos o rei das selvas. Nós somos a besta. O Bestiário.
Vimos que os quase 20 anos de continuidade que temos como artistas e amigos faz de nós um grupo. Oficialmente formamos agora o grupo: BESTIÁRIO. ( anotem aí: Leandro Adriano, Carlos Ferreira, Fabiano Gummo, Walter Pax, Rodrigo Rosa, Rafael Sica, Moacir Martins e Nik são agora um coletivo). Antes de ser publicada a revista PEEKABOO 4 nós vamos ver muitas coisas desse grupo, entre essas um manifesto artístico, uma hq monstruosa do coletivo Bestiário em um blog (Bestiário Peekaboo- blog programado para janeiro de 2009.)
Estamos muito empolgados e com sede de bons quadrinhos...
sábado, 29 de novembro de 2008
I Bienal Internacional de Quadrinhos do Rio de Janeiro- Parte 2

Foto um: sim, passamos por baixo da roleta. Com a grana que não pagávamos o ônibus compramos o macarrão dos almoços dos dez dias de gibi, bicho! Vale tudo na arte!
Foto dois: A Liga de Desenhista fazendo história na história dos quadrinhos do Brasil.Cena mitológica da exposição do Bilal.
Continuando... essa I Bienal de Quadrinhos do Rio de Janeiro ainda é uma grande referência para todos nós. Mesmos velhos e rabujentos, mantemos o mesmo romantismos e sarcarmos adquiridos, ou fortificados ali. Posso diser que esses dias fazem parte dos melhores dias da minha vida compartilhados com os meus melhores amigos. Amigos que eu mantenho até hoje, parcerias concretas e inteligentes. Cada um aqui foi e é guerreiro, artesão e autor. Ainda buscam expressar as lições que aprenderam nesses dias que deram luz aos anos 90. Fazem esssa gang a sua marca.
Eu lembro quando assistimos as exposições dos originais do Bilal, que vi o Jack e o Walter olhando as artes, as acrilicas e o lápis, as aguadas que hoje são as bases de alicerce das artes desses fantásticos artistas gaúchos. Lembro do Rodrigo impressionado com os seus ídolos Muñoz e Sampayo, buscando conversar sobre as manchas negras e soltas expressadas na arte de Allack Sinner.
"Afinal o que significa isso?"
"O significado está dentro de ti, amigo."
Foi essa a principal lição que aprendemos sobre o que desejamos nos quadrinhos. Buscar o significado de ser contadores de histórias e buscar novas formas de expressão com os quadrinhos.

Aqui começa a reunião dos gênios:
Foto um: Bonelli,Alberto Breccia, Muñoz, Sampayo e outros.
Foto dois: Breccia, Muñoz e Sampayo com a gang. Afinidade com esses guris.
Ontem Walter cometou sobre o primeiro post sobre a I Bienal de Quadrinhos, o neguinho falou da emoção que foi ler e rever essa época. Outros estão comentando comigo, perguntam quando foi isso, ou que outros registros existem.
Bom, vou responder sobre na próxima parte.

Quem disse que não rolou amor na Bienal de Quadrinhos? Olha aí a prova do crime: Pax totalmente entregue pós uma sessão de frique-frique com o Vinz enquanto o nosso peludinho tem um sonho erótico com uma cena um pouco supeita que ele assitiu na Bienal. A cena: Nossos heróis Drégus e Rodi confraternizavam carinhosamente com os grandes heróis Marvel. Reparem nos detalhes: Onde está a mão do Capitão America nesse abracinho apertado com o Drégus? Por que o capitão esconde algo com o escudo? E o Rodi? Como ele explica essa coçadinha no ombro do Homem-Aranha? E por que o tecido do uniforme do cabeça de teia tá estranho na região da virilha?
Continua...
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Paisagens Suspeitas

Não sei se o Gelson Radaelli tem a intenção de assustar as pessoas com o seu trabalho, mas conheço muita gente que tem medo dos seus quadros. Na verdade, andei constatando, sentem horror quase pânico diante daqueles quadros enormes que nos contemplam. Um pouco por isso; diante dos quadros de Radaelli nos sentimos contemplados. Isso, é evidente, dá um certo calafrio no incauto observador. Não a banalidade do frio na espinha que causa o filme de terror ou os romances de Stephen King. É outro calafrio. Talvez aquele que nos atinge quando fechamos a última página de "A outra volta do Parafuso" de Henry James, ou caminhamos solitários por certas ruas de Porto Alegre. Quando somos obrigados a pensar. Quando olhamos a nossa volta. Quando vemos essas paredes cinzas, esses rostos frios, essas pequenas mãos sujas estendidas, esses papéis voando, esses homens de sobretudo preto que circulam silenciosos e nos olham sem compaixão e nos deixam desamparados, com sentimento de culpa que não sabemos identificar porque nos sentimos suspeitos de alguma coisa. Alguma coisa muito estranha, muito feia, muito escondida fizemos em algum lugar e os quadros estão ali, mudos, grandes, em preto e branco e com aquela pastosa massa vermelha sangue para nos informar que eles sabem. Eles sabem. Alguma coisa eles sabem, alguma coisa que nós mesmos já esquecemos, mas aqueles quadros enormes, com aqueles homens disformes, sabem. Neste emaranhado de mentiras em que se transformou nosso universo de podres humanos, tudo é suspeito, e a pintura de Radaelli não nos deixa esquecer isso. As benesses são suspeitas, os elogios são suspeitos, a grana é suspeita, a glória é ainda mais suspeita, a paisagem é suspeita. A única e minúscula esperança, a básica esperança é a pintura em si mesma, incorruptível no seu horror velado: ela é a tenaz resistência do artista, o corredor impoluto que o leva para a alma.
Tabajara Ruas
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Bienal Internacional de Quadrinhos do Rio de Janeiro-Parte 1

Ethon Fonseca- virou o Guimik da Bienal com o seu nariz vermelho comprado em São Chico. Ethon é francês e foi o primeiro militante contra os super-heróis.
Em 1991, eu com 21 anos, alguns dos guris com menos idade, acho que o Walter Pax tinha lá os seus 17 anos, Rodrigo Rosa com 18 anos e rosto da patota por aí.
As primeiras notícias da Bienal começaram a chegar pelos membros da Grafar, por Adão Iturrusgarai, Santiago, Vasques, Guazzelli e outros. Depois começamos a ler sobre a Bienal dos Quadrinhos nas revistas Animal e Panacea.
Ethon e eu, amigos que trocavam idéias e informações sobre tudo dos quadrinhos. Quando soubemos que Breccia e Will Eisner viriam para o Brasil começamos a projetar a ida para o Rio.

Vista do apê do Rio. Dez dias nesse apê que até o fim da Bienal era só cheiro de saco sujo. Tinha gente que passou mais de dez dias sem tomar banho. Já saido de Porto Alegre fedendo. Putz...
Ethon tinha uma tia com um apê em Copacabana, ela emprestou o apartamento para ele. A sede estava definida, próximo passo era tentar levar o maior número de quadrinhista para lá e foi o que fizemos. Cada um foi juntando grana, como dava, por empréstimo, por trampo e a família. Ethon, até a Bienal, foi viver um tempo em São Paulo. A figura do Ethon é de grande importância nessa história, ele foi o que se pode dizer de Yoda, ou Moisés, o Jesus, comparado a Antônio Conselheiro, pré-destinado como Ka-el. O cara foi líder. Estamos todos em dívida com ele. O esforço maior foi desse mestre. O cara laburou em São Paulo, com um trabalho nada fácil, para conseguir financiar a ida de alguns membros do grupo que não tinham grana. Cedeu o apê da tia dele na boa para todos nós. Tudo para um futuro melhor para os quadrinhos gaúchos. No apê ficou Jack Kaminski, Walter Pax, Vinícius Martins, Rodrigo Rosa, Moacir Martins e outros que nem lembro mais, impossível.

A liga dos desenhistas: foto 1( Walter Pax, Vinicius Martins, Carlos Ferreira, Ethon Fonseca), foto 2 (Walter Pax, Jack Kaminski e Carlos Ferreira). Fomos para o Rio para mudar o mundo! Super fortões! Que mico!
Depois de organizada a viagem para o Rio, fui passar uns dias em São Paulo para fazer companhia ao amigo Ethon. Quase não lembro nada do que fizemos em São Paulo, fora ouvir uns lps do Gonzagão, erva santana e mais erva santana. Mas lembro da chegada no Rio. Chegar de ônibus e pegar um táxi até Copacabana, depois encontrar o edifício Máster, se não era o edifício Máster, era muito parecido. O apartamento era super pequeno, um jk. Onde dez ou doze pessoas estariam vivendo ali por dez dias no período da Bienal. Uma loucura! Pelo menos a janela tinha vista para o Cristo.

Foto 1: Ethon Fonseca, Rodi Rosa, Moacir Martins e Vinicius Martins.
Foto 2: Rodrigo Rosa, Rodi Rosa, Vinicius Martins.
A Liga dos Desenhistas foi chegando aos poucos. Durante os dois primeiros dias. Mas na Bienal a coisa já fumava. Era o paraíso dos desenhistas.

Histórico encontro com o Will Eisner. Veja o detalhe da foto com o Will impressionado na presença do Rodi, editor da Made in Brasil. Will (querendo uma boquinha na revista de vanguarda mundial) estende a mão para o Rodi, mas ele não tá nem aí para o pai do Spirit.
Continua...
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
A Guerra!

Alguém me perguntou onde está a guerra. Que guerra é essa? Eu posso fazer outra pergunta no lugar...Onde está a paz? Onde está a fraternidade, irmão? Onde está a igualdade?
Desde criança eu fui educado a acreditar no ser humano, na sociedade e seus meios, nos amigos e nos sonhos.
"Perante a Deus somos todos iguais."
Há felicidade espalhada em todas as janelas, cartazes, filmes. Em todas as imagens.
Lixo! Até aqui só vi jogos, mentiras e covardia. Salvo poucos exemplos de coragem, honestidade e inocência.
Essa semana parei para assistir um programa na Discovery Channel sobre a industria dos games, a evolução dessa industria e seu casamento com os militares norte-americanos. Sim, sei que não é novidade, mas os mílicos norte-americanos estão cada vez mais recrutando bons jogadores de games. Já há uma industria militar de games, e esses games são cada vez mais realistas e o perigo disso está em um dia o ser humano fuzilar outro humano na emoção mais Doom da vida. A tecnologia dos games avança para um perfeccionismo de gcs não ao acaso. É para parecer verdade porque um dia o jogador vai jogar com a realidade, mas esse jogador saberá o que é realidade?
Também assisti outro programa, meses atrás, sobre sobre a utilização da biotecnologia nas guerras. O conceito do supersoldade ja é uma fato, mas não realidade. Estamos cada vez mais distante do conceito da realidade, talvez nunca soubemos bem o que é realidade.
"Realidade é o que você força fazer."
Lembro de um momento do Corto Maltese onde uma feiticeira diz para o Corto que a mão dele não tem a linha da vida. Corto pega a faca e corta a palma da mão criando a sua própria linha da vida. Queria eu ter feito a mesma coisa, mas estou preso a essa rede enroscada da realidade. Onde tudo é oculto.
Alguém perguntou onde está a guerra...Mas preciso educar os meus filhos, criar uma redoma propetora em um país que divulga pedófilos a cada 30 minutos no Globo News, pais atiram crianças pela janelas, polícia confronta outro time de polícia com armas de guerra. Avião explode com 176 pessoas...
Onde está a guerra?
Vai tudo pelos ares por que o ser humano é merda!
Hoje eu faço parte de uma geração que podia ter feito a diferença, mas não fez. Postergou todos os projetos, acumulou tudo em projetos inacabados, disperdiçou tempo com a vagabundice, disperdiçou o meu tempo. Sempre acreditei que podíamos ter feito a diferença, acreditei na liga. Ainda acredito na parceria. Em um grupo consciente fazendo a mudança.
Vivo a época dos cínicos, e sou mais um desses. Mas hipócrita não, amigo. Mantenho as mesmas idéias e ideais há mais de 17 anos. Há 38 anos. Nunca me vendi para nenhum laborátório de desenho. Pagando ou não minhas contas eu ainda estou aqui expressando a minhas idéias e emprestando essas, esboçando essas idéias para ti, produzindo-as em eterno conflito contra essa guerra que poucos querem ver.
Ser humano é lixo e eu não varro para baixo do tapete. No fundo sou romântico e luto por uma mudança ou no mínimo um pouco lúcidez. Aos que possam (ou sabem )pensar e dizer: lúcidez de quem? Tá falando de quem? Da tua falta de lúcidez?
Sim, bebum, sim...
Afinal, que guerra é essa?
terça-feira, 18 de novembro de 2008
PeekaBoo 4

Os Intocáveis na foto selaram um pacto contra os gangsters e disseram:
- É guerra?
- Certo, declaramos guerra à mesmice, ao clichê e a linha de produção vampiresca.
- O mundo de consumo dessa falida globalização tece uma crise mundial onde as galinhas apavoradas vão comendo toda a ração enquanto a água vai sendo evaporada das reservas naturais para os tanques vazios de petróleo roubados no Iraque. Essas criaturas bebem por indução à nossa fonte criadora enquanto trocam o prólogo por o epílogo. Mas nós, submergimos para depois emergir bravos com a idéia da revolta.
- Reações de energia quântica propulsora do tecido imaginativo do universo explodem maravilhosas histórias em quadrinhos nas nossas cabeças.
Dizem os bufões-ronins reunidos na fotografia acima.
- Nós, Peekaboo, um grupo de artistas, iremos cortar mais uma vez o ritmo merengue poser rocker para uma área enlouquecida da orquestra clássica de vanguarda. Somos grafistas de identidade. Vamos publicar a Peekaboo 4. Estão preparados para isso?
- Sim, falta humildade da minha parte quando digo que vamos fazer a melhor revista em quadrinhos já produzida. Original, textual e de desenho único.
- Uma energia química, ou termo nuclear, uma força que vai romper o tecido do espaço tempo transmigrando do passado para o futuro a anarquia de uma geração que tremeu as bases do grafismo nacional e internacional na Bienal de Quadrinhos do Rio de Janeiro. Peekaboo foi considerada a melhor revista independente dos quadrinhos pelo próprio Will Eisner, por Alberto Breccia, José Muñoz, Felipe Cava, Carlos Sampayo e Moebius na Bienal Internacional de Quadrinhos do Rio de Janeiro.
- Isso exatamente há 17 anos.
- Agora ela volta para honrar esse mérito para uma nova geração de leitores e seu fiel público, gente. É hora de impor respeito!
- Rafael Sica. Fabiano Gummo. Walter Pax. Rodrigo Rosa. Moacir Martins. Leandro Adriano. Nik. Carlos Ferreira. E mais...
- Peekaboo 4 em maio de 2009. Vai explodir o território dominado pela nação de zumbis, os brazuquinhas gringos.
- Estão realmente preparados para isso?
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Nasce Menina Morango

Uma rápida introdução. Quando eu comecei com essa história de fazer quadrinhos me foquei com uma pretenciosa idéia de fazer uma série em quadrinhos. Inspirado em séries de tevê como Twin Peaks; séries de quadrinhos como Torpedo e Monstro do Pântano; e sequências reais de uma época da minha vida. Foi assim que surgiu uma lisérgica história em quadrinhos batizada de Menina Morango.Isso lá no início dos anos 90. De lá para cá eu produzi em um ritmo caótico mais de trezentas páginas desse universo que é quase inédito, salvo três histórias publicadas na revista PeekaBoo Quadrinhos e a mini-série CAOS. Universo apelidado de Ferreteria.
Decidi finalmente abrir as caixas da última mudança que fiz há cinco anos e revi essas páginas e personagens como Cao, o Assassino do boné N, Niki, o Homem-Corvo e outros...Foi uma sensação estranha rever essas páginas mofadas e mágicas.
Abri as minhas caixas de Pandora e um universo gritou! Vai expandir aqui!
Essa extensa saga da Menina Morango tem um conto com um bom clima de introdução dessa dimensão de realismo fantástico, apesar da ausência da personagem principal Cristina, Menina Morango.
Centauros é uma história escrita e desenhada em 1994, eu me inspirei numa escadaria aqui em Porto Alegre, e fotos expressionistas. Na época eu queria criar uma hq que não fosse do universo Menina Morango, mas relendo esse quadrinho, hoje, eu vejo que tem tudo a ver com a Cristina. Acho até que ela é a Morela (uma das personagens de Centauros), Cristina poderia estar disfarçada...Bom, melhor não falar nada. Bom, vou deixar vocês descobrirem o mundo da Menina Morango. Busquem o blog Menina Morango nos meus links, amigos.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Super Obama!

Ontem foi uma noite Sopranos. Dois cafas no submundo filosofando o futuro do planeta. Falo de Rodrigo Rosa e eu. Fomos até o escritório do Tony Soprano enquanto o Barack Hussein Obama era oficialmente confirmado o novo presidente do EUA!
“Grande ironia do destino, os EUA ter um presidente norte-americano com esse nome.”, disse o Rodrigo Rosa ontem em um inferninho.
“É a Black Power, hermano Rosa. Demorou, mas...”
Sim, foi mais um momento que todos nós vivemos da história mundial. Quem diria? Um presidente negro no EUA. Foi como ver o homem pisando na lua. O planeta todo parou.
Lembro da sensação de pessimismo que eu tive depois das quedas das Torres. O falado fim dos tempos na série de tevê Millennium de Chris Carter. Mas com o Obama há um fôlego novo, um clima de otimismo em uma época de trevas.
Isso vai se refletir nas histórias em quadrinhos, amigos. Nos Comics e nos Gibis. Em breve o mercado dos Comics deve se fechar para a produção estrangeira. Menos desenhistas brasileiros vão desenhar para os EUA. Com o Obama serão centradas as oportunidades de trabalho no povo norte-americano. Isso não deve só acontecer com os comics, mas com diversos produtos de exportação brasileira que põe em risco o trabalhador dos EUA. O Dolar não deve sair como antes das fronteiras da América. Medidas serão tomadas, a principal regra desse governo é prestigiar o trabalhador norte-americano. Vai ser assim com tantos produtos brasileiros. Tal mudança devido à crise econômica norte-americana.
Não significa que não vamos ver desenhistas brasileiros no mercado gringo, mas vai ser um mercado mais competitivo para se ter os brasileiros nas editoras. Acho isso bem bom, vai gerar mais competividade. Vai ter muitos estúdios e agenciadores de desenhos quebrando no Brasil. Quem sabe assim o gado brasileiro aprede a olhar o seu próprio país e começe regassar as mangas na busca de uma identidade própria para os nossos quadrinhos. Então ao invés de John, Jack e Stevie teremos João, José e Esteves.
Preparem-se, isso a partir de 2010. Quem quiser seguir uma receita para sobreviver essa revolucionaria mudança, melhor ser mais criativo. A época de puta barata está com os dias contados.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
domingo, 2 de novembro de 2008
Vinicius Martins
Outro sábado, 01 de novembro. Como eu disse, sábado passado um sábado especial. Um tio meu acabou morrendo no fim desse sábado. Seu nome João Jorge Marques dos Santos. Passarinho, Jorge, morreu de câncer, um querido parente, foi uma morte injusta, sofrimento por anos. Morreu em condições delicadas de pobreza e tristeza. Eu não acompanhei os seus meses finais, certo sentimento de culpa eu sinto, mas a minha covardia e preconceito foram mais forte. Mantive-me longe dele, posterguei uma visita até o extremo. No domingo eu fui ao enterro.
Ok, fui um filho-da-puta. Eu que declaro sempre aqui um grito sobre mantermos a nossa humanidade, estou agora mostrando um lado meu obscuro, mas fazer o quê? Joguem as pedras!
...
Bom, mas não é de mim, ou minha família que eu quero falar aqui hoje. Vamos deixar isso para um outro momento. É sobre o quadrinhista Vinícius Martins. Antes de eu dizer qual quer coisa sobre Vinicius “Vinz” Martins vamos mostrar o que ele era capaz de fazer nos quadrinhos com os seus 17 anos. Leiam:

vinz
pagina 1

página 2

página 3

página 4
Eu reli essa hq no mesmo sábado da morte do meu tio. Impressionou-me o texto, a narrativa e até os desenhos que a primeira vista parecem traços feios, duros e sujos, mas lendo esse quadrinho você vai descobrir que são garatujas atmosféricas dando um senso de pavor e ruína.
Essa hq foi lançada em uma revista “fanzine” independente chamada Fantoche. Isso em 1989, a Fantoche, uma coletiva de autores juvenis, artistas que se conheceram na escolinha de arte da UFGRS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Eram Ethon Fonseca, Vinicius Martins, Moacir Martins, Daniel Pellizari e Luiz Pellizari. Todos esses guris envolvidos tinham sensibilidade, inteligência e humor peculiares. Expressaram idéias e buscaram experimentar um senso de intimismo que divergia das correntes estéticas dos quadrinhos profissionais onde na maioria das vezes esses quadrinhos profissionais publicavam e exploravam os gêneros de humor, aventura e super-heróis.
Em “Feliz Aniversário”, Vinicius Martins filma um curta em quadrinhos. É meticuloso e original o uso da câmera.
Primeiro ato:
A história começa com um plano interno, detalhe de uma quina de paredes revelando parte dos tijolos de um imóvel não conservado, um conjunto de hachuras irregulares sugere a luz e sombras como mais uma textura caótica no ambiente. Já no primeiro quadrinho somos inundados com o clima da história. Cabe dizer que essa primeira página é toda muda, em silêncio, sem nenhuma placa de texto ou diálogo. O único texto existente que temos é o titulo da história que também é uma informação impar de corrosão e humor negro. O primeiro quadro se destaca na página por que tem uma proporção maior de espaço e dimensão, se diferenciando dos outros quadros que são de exato mesmo tamanho. Se fosse um filme, eu diria que a história começa com uma pan, de movimento sutil, de uma quina de parede até chegar há uma das personagens de “Feliz Aniversário”.
Segundo quadro, aqui não só nos foi apresentado uma personagem, mas um condomínio (metafora para um universo e personagem quase kafkaneano.). A personagem de costas nos revela que está observando para fora da janela à vida, enquanto fuma um cigarro deixando passar o dia (aqui é usado uma técnica de mestre por parte do Vinicius, sem saber quem é essa personagem nós já nos identificamos com ela. Quem aqui não experimentou momentos de voyeurismo?).
Segunda linha de quadros da primeira página (Conjunto de quatro quadros): Mais um raciocínio de gênio pode ser observado com o que vem: Parece que após a indução mágica de identificação com a misteriosa personagem, passamos a ver com os olhos dela uma janela.
Terceira linha de quadros: é onde a textura muda para um clima escuro, hachuras densas nos revelam que há o mal ali.
Ok, fui um filho-da-puta. Eu que declaro sempre aqui um grito sobre mantermos a nossa humanidade, estou agora mostrando um lado meu obscuro, mas fazer o quê? Joguem as pedras!
...
Bom, mas não é de mim, ou minha família que eu quero falar aqui hoje. Vamos deixar isso para um outro momento. É sobre o quadrinhista Vinícius Martins. Antes de eu dizer qual quer coisa sobre Vinicius “Vinz” Martins vamos mostrar o que ele era capaz de fazer nos quadrinhos com os seus 17 anos. Leiam:

vinz
pagina 1

página 2

página 3

página 4
Eu reli essa hq no mesmo sábado da morte do meu tio. Impressionou-me o texto, a narrativa e até os desenhos que a primeira vista parecem traços feios, duros e sujos, mas lendo esse quadrinho você vai descobrir que são garatujas atmosféricas dando um senso de pavor e ruína.
Essa hq foi lançada em uma revista “fanzine” independente chamada Fantoche. Isso em 1989, a Fantoche, uma coletiva de autores juvenis, artistas que se conheceram na escolinha de arte da UFGRS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Eram Ethon Fonseca, Vinicius Martins, Moacir Martins, Daniel Pellizari e Luiz Pellizari. Todos esses guris envolvidos tinham sensibilidade, inteligência e humor peculiares. Expressaram idéias e buscaram experimentar um senso de intimismo que divergia das correntes estéticas dos quadrinhos profissionais onde na maioria das vezes esses quadrinhos profissionais publicavam e exploravam os gêneros de humor, aventura e super-heróis.
Em “Feliz Aniversário”, Vinicius Martins filma um curta em quadrinhos. É meticuloso e original o uso da câmera.
Primeiro ato:
A história começa com um plano interno, detalhe de uma quina de paredes revelando parte dos tijolos de um imóvel não conservado, um conjunto de hachuras irregulares sugere a luz e sombras como mais uma textura caótica no ambiente. Já no primeiro quadrinho somos inundados com o clima da história. Cabe dizer que essa primeira página é toda muda, em silêncio, sem nenhuma placa de texto ou diálogo. O único texto existente que temos é o titulo da história que também é uma informação impar de corrosão e humor negro. O primeiro quadro se destaca na página por que tem uma proporção maior de espaço e dimensão, se diferenciando dos outros quadros que são de exato mesmo tamanho. Se fosse um filme, eu diria que a história começa com uma pan, de movimento sutil, de uma quina de parede até chegar há uma das personagens de “Feliz Aniversário”.
Segundo quadro, aqui não só nos foi apresentado uma personagem, mas um condomínio (metafora para um universo e personagem quase kafkaneano.). A personagem de costas nos revela que está observando para fora da janela à vida, enquanto fuma um cigarro deixando passar o dia (aqui é usado uma técnica de mestre por parte do Vinicius, sem saber quem é essa personagem nós já nos identificamos com ela. Quem aqui não experimentou momentos de voyeurismo?).
Segunda linha de quadros da primeira página (Conjunto de quatro quadros): Mais um raciocínio de gênio pode ser observado com o que vem: Parece que após a indução mágica de identificação com a misteriosa personagem, passamos a ver com os olhos dela uma janela.
Terceira linha de quadros: é onde a textura muda para um clima escuro, hachuras densas nos revelam que há o mal ali.






























































