sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Kardec em Quadros


Uma vez criei um roteiro que batizei de Kardec. Uma peregrinação heroica em um momento peculiar e transitório no século XIX.
Falar dessa transição de ideias metafísicas que originaram o século XX e XXI sempre foi a minha intenção com o livro. Falar de religiões, ocultismo e ideias fantásticas sobre o que é a realidade. Eu queria escrever sobre o século XIX, mas o século XIX que desconhecemos.
Kardec não é documentário, mas também não é só ficção. É o que eu chamo de ficção
histórica. Então é um meio-termo. Kardec também não é uma aula ou ensaio sobre
espiritismo. Kardec é um livro de aventura que tem como universo abordado a origem do
espiritismo. Kardec é um Robinson Crusoé.

A primeira fonte de inspiração para este projeto foi Charles Crumb, o irmão de Robert
Crumb. Tudo começou em 1996, quando eu assisti ao filme Crumb. Charles Crumb,
aficionado pelo século XIX, despertou em mim o mesmo fascínio e curiosidade.

“A sua luz e, supostamente, a sua sombra”. A partir de 1996, eu li e reli os clássicos como Poe, Joseph Conrad, Robert Stevenson, Kipling e outros autores. Outro aficionado pelo século XIX foi Alan Moore, com o seu Do Inferno. Alan Moore e Eddie Campbell fizeram uma obra-prima.
Inicialmente, encontrava-me sem algum plano ou objetivo criativo, possuindo apenas sede de ler e viajar no século XIX, de criar a planta baixa imaginativa sobre o século XIX. Com o meu amigo Guazzelli, aprendi que é possível conhecer muito mais sobre História com a ficção, com literatura, cinema e outras artes do que propriamente com o estudo clássico da História.

Passados os anos de 1998 até 2007, eu tive a ideia de escrever sobre o século XIX.
Primeiramente eu pensei em adaptar Sherlock Holmes, mas logo desisti da ideia. Então,
criei um roteiro de como Conan Doyle criou o Sherlock e, pesquisando sobre Doyle,
cheguei até o livro que ele escreveu sobre o espiritismo. Foram as ligações de Conan Doyle com o espiritismo que me fizeram chegar ao Kardec.

Vou precisar fazer um parêntese:
Os Sertões- a luta (editora Desiderata) não foi a minha primeira narrativa longa. A primeira foi Caos, hq autoral que escrevi, desenhei e editei. E Kardec, de certa forma, foi revistar Caos.
As ideias que explorei em Kardec foram antes semeadas em Caos. Caos é sobre uma
personagem que investiga o suposto sobrenatural e é absorvida por esse universo. Kardec segue a mesma linha, as mesmas leis e universo.

Voltando ao ESPIRITISMO de Conan Doyle, lendo sobre esse livro, lembrei de Allan
Kardec. Peguei da estante uma edição de O Livro dos Médiuns, que comprei em um sebo, e comecei a ler. Foi ali que fui fisgado pelas mesas girantes e tive a certeza de que essa era a história que eu queria escrever.

O que eu busquei com esse roteiro foi um marco zero para mim, tudo que criei nos
quadrinhos antes seria posto na gaveta ou na geladeira. Uma nova busca criativa começaria dali.
No início, eu não queria só escrever, mas também desenhar. Escrevi o roteiro das primeiras cenas e em seguida veio o convite para adaptar Os Sertões – A Luta. Congelei por um tempo e me dediquei à adaptação da obra de Euclides da Cunha. Mas, no meio do processo...

O Rodrigo Rosa e eu, quando trabalhamos juntos, somos uma espécie de “centauro”. Às
vezes um é a razão e outro o instinto, ou vice-versa. Somos artistas diferentes, de ideias diferentes, mas com buscas próximas que, somadas às nossas artes, fazem surgir uma nova criatura, o centauro. Foi ele que me apresentou um concurso de álbuns em uma editora na Espanha e me propôs fazermos um projeto para participarmos. Conversando sobre o concurso, mostrei o roteiro das cenas do Kardec que eu tinha escrito e ele rapidamente me convenceu de que seria o desenhista desse álbum. Desisti de desenhar Kardec (quase sempre desisto de desenhar, e a culpa é tua, mãe...). Agora, sério... Desisti de desenhar porque o meu Kardec seria algo mais próximo Do Inferno. Por isso achei que seria interessante passar o bastão para o Rodrigo Rosa. Rodrigo e eu queremos trabalhar como uma dupla de quadrinhos há mais de 20 anos. Nossas maiores inspirações são Osterheld e Breccia, Sampayo e Muñoz, Abuli e Bernet. Também somos amigos há mais de vinte anos. Como temos outros projetos, achei interessante dividir esse livro com ele, esses quadrinhos, principalmente porque a busca do Rodrigo aqui transcende ao interesse com as artes. Rodrigo tem o espiritismo em casa, com a família. Já eu sou de uma família que é uma salada religiosa e mística, mas me mantenho agnóstico.

A minha visão sobre Allan Kardec era leiga. Ele era algo como a figura do médium que via espíritos, como um vovozinho. Nada a ver com o que descobri... Descobri que para muitos espíritas a verdade sobre Allan Kardec era desconhecida também.

Como diretor de programas de tevê, contribuí diversos anos com episódios da série
Histórias Extraordinárias, na RBS TV, oficio que me deu experiência no campo de
pesquisas. Essa é a fase que mais me fascina: a pesquisa. Para a pesquisa e a investigação em Kardec, eu li 27 livros. Livros escritos por Allan Kardec, sobre Allan Kardec, sobre Espiritismo, Druidas, Celtas, Xamãs, Paris, Roma. Assisti a filmes que não eram ligados ao espiritismo, mas que me impulsionavam a buscar o teor de realismo e estética apropriados ao Kardec. Li e visitei vários sites e blogs sobre os assuntos envolvidos. Isso antes e durante a produção do roteiro. Não acredito em um processo de criação de uma história em quadrinhos em que o roteiro deve ser produzido e finalizado antes dos desenhos. Acho que com os quadrinhos é importante os dois processos acontecerem quase juntos. Digamos que o roteiro larga na frente, e o desenhista serve como um laboratório, pois é o primeiro leitor. Através da reação dele podemos aprender se o texto vai funcionando ou não. E nessa curta experiência que tenho, percebi que o texto em partes estimula muito o desenhista a se aventurar e aprofundar o seu talento. Essa foi a experiência navegada para o Rodrigo. Ele viu as mudanças acontecerem do primeiro ao último tratamento de argumento. Inicialmente
Kardec foi projetado em 80 páginas. Foi o Rodrigo que trouxe energia para 100 páginas, executando tudo o que está no roteiro em seus belos desenhos. Quando
comecei o texto do roteiro fui metódico e decupei quadros e páginas, mas à medida que a história avançava e o Rodrigo desenhava, encarnando o clima apropriado, eu desencarnava essa decupagem rígida e me aproximava mais do formato cinematográfico de roteiro.

No total foram três anos de pesquisa e roteiro e desenhos.

Outras personalidades importantes para a realização do Kardec são o Lobo, o Chico e o
Chris. Esses caras estão revolucionando o mercado dos quadrinhos com a editora Barba
Negra. O Kardec não poderia acontecer em outra casa e família. Foi na cozinha do apê
do Lobo, em Copacabana, que eu contei para ele sobre Kardec. Pactuamos que ele seria o editor do livro, e ainda nem tinha nascido a Barba Negra. Esse foi o primeiro contrato com a editora. E não será o último.

Nada a ver com o que descobri... No fim, Kardec é uma revelação. Uma saga ao
conhecimento universal. Uma chave para abrir portas e nos conectar com a verdade.
Acredito que depois de escrever este projeto eu não sou tão agnóstico assim, mas isso é outra história...

sábado, 9 de abril de 2011

REVISTA FÓRUM

O PT não tem, nem nunca teve, um projeto de política cultural para o país.
O PT não tem, nem nunca teve — e quem me acompanha na internet sabe que quem
fala aqui é um petista — uma compreensão de política cultural que fosse além
das generalidades do tipo “devemos garantir a expressão das mais variadas
manifestações culturais” ou “devemos criar condições para a circulação da
cultura popular”. Isso não quer dizer que boas secretarias de cultura não
tenham existido nas administrações municipais do partido. Os casos de Porto
Alegre e Belo Horizonte, e mesmo da São Paulo de Luiza Erundina e Marta
Suplicy, podem ser mencionados como exemplos de que, mesmo sem uma política
cultural nacional, é possível fazer com a cultura, em nível municipal, muito
mais que nossas elites tradicionalmente fizeram. Mas as polêmicas recentes
envolvendo o Ministério da Cultura deixaram clara a falta que faz, dentro do
partido, a existência de um projeto coerente para a cultura.

Para entender essa ausência, talvez valha a pena repassar alguns momentos
da história recente da esquerda com a cultura. Dentro desse contexto, é
possível apreciar a revolução que representou a experiência do Ministério da
Cultura de Lula. Divido essa trajetória em quatro momentos, que representam
quatro relações diferentes da esquerda com a cultura brasileira. Não são
momentos estanques, e em certa medida eles se sobrepõem e se misturam. Mas
creio que eles apontam para quatro matizes distintos na relação da esquerda
com a cultura.

• A esquerda partidária e os movimentos sociais organizam um primeiro
projeto orgânico para a cultura brasileira com o CPC da UNE . Fundado em
1961 a partir de uma dissidência do Teatro de Arena, o CPC teve o grande
mérito de instalar a produção cultural no interior da luta pela
transformação da sociedade brasileira. Os cepecistas foram os primeiros a
atentar de modo sistemático para a contradição com a qual brigava a produção
cultural de esquerda – a saber, a de falar para o proletariado mas contar
com um público ouvinte, leitor e espectador que era majoritariamente
burguês. O eixo da intervenção do CPC era o conceito de nacional-popular, ou
seja, uma compreensão de cultura brasileira que afirmava que a arte nacional
seria aquela que tivesse um caráter genuinamente popular. A partir daí, o
cepecismo derivou um dos vícios crônicos da reflexão de esquerda sobre a
cultura: a divisão entre arte e cultura “autenticamente” populares e aquelas
que seriam meros reflexos de uma cultura importada e inautêntica. Daí para
as passeatas contra a guitarra elétrica foi um pulo. Para complicar mais a
coisa, o CPC não percebeu que os limites entre a arte erudita (tolerada), a
cultura de massas (demonizada) e a cultura popular (louvada) eram bem mais
fluidos do que se imaginava ao princípio. A concepção cepecista de cultura
foi derrotada num dos maiores embates culturais da história moderna
brasileira, aquele que opôs o trovadorismo acústico de protesto, à la
Geraldo Vandré (privilegiado pelo CPC como arte autêntica), ao tropicalismo
de Caetano e Gil. Com uma compreensão bem mais sofisticada do que, naquele
momento, ainda não se chamava globalização, o tropicalismo fez com que, em
1968/69, o cepecismo já fosse uma forma anacrônica de entender a cultura
brasileira. Existem intelectuais petistas que, quando falam em cultura
popular, ainda a pensam nos moldes do CPC.

• Ao longo dos anos 70, a esquerda brasileira pensa sua relação com a
política cultural através daquilo que poderíamos chamar o modelo Embrafilme.
A Empresa Brasileira de Filmes não foi sua única representante, mas foi seu
grande emblema. Enquanto dramaturgos de esquerda como Dias Gomes eram
incorporados pela TV Globo como roteiristas de novela, a ditadura absorvia
elementos do discurso nacionalista de esquerda dos anos 60 para formular sua
própria política cultural. Além de outorgar generosos subsídios a
megaconglomerados (TV Globo, Editora Abril etc.), o estado impulsionou uma
nova política de turismo que se alimentava da mercantilização da cultura
popular. No nordeste, as Casas de Cultura Popular operaram em estreita
colaboração com a indústria do turismo. Através de órgãos como o Conselho
Federal de Cultura, o estado faria do ideologema “Cultura para o povo” sua
nova ordem. Para a elaboração de tais políticas, o estado tecnocrático
recorreu, em grande medida, a intelectuais tradicionais e conservadores
remanescentes da antiga sociedade agro-exportadora, então agrupados
majoritariamente em academias de letras e institutos históricos e
geográficos (IBGEs). Na esquerda, a política cultural ficou restrita a uma
variação do conhecido “entrismo”: mesmo com um regime de direita, era
possível “ocupar espaços” (como o da Embrafilme), pagando, no processo, o
preço de ter que coincidir com a ditadura numa visão nacionalista estreita.
Os sucessos da Embrafilme foram notáveis e o cinema nacional chegou a
representar 35% do público espectador no país. Mas o modelo Embrafilme
também contribuiu para que a esquerda não conseguisse pensar a política
cultural mais além do mecenato estatal. A esquerda só deixaria de pensar as
relações entre estado e política cultural fora do mecenato a partir de um
recurso eminentemente mercadológico, a Lei Rouanet.

• Com a redemocratização, as relações da esquerda com a política cultural
entram naquilo que poderíamos chamar o momento Lei Rouanet. O financiamento
da cultura é deslocado para uma parceira entre estado e capital privado,
através da figura da isenção fiscal. A Lei Rouanet, promulgada em 1991, tem
o mérito de oferecer uma alternativa ao mecenato estatal, mas se mantém
presa a um modelo que, na prática, permite ao capital privado fazer
propaganda de si mesmo com dinheiro público. Do ponto de vista da empresa, a
renúncia fiscal só tem sentido se for entendida como investimento em imagem,
o que faz com que sejam privilegiadas as iniciativas que já têm garantidas
um nicho de mercado. Daí os “escândalos” com os quais periodicamente nos
acostumamos na cobertura midiática da Lei Rouanet: um patrocínio estatal ao
Circo de Soleil, por exemplo, ou incentivos para que grandes artistas
globais tenham seus espetáculos de teatro financiados via renúncia fiscal.
Trata-se de iniciativas que não são ilegais nem antiéticas, necessariamente,
mas que contribuem a que a lei termine reforçando a submissão da cultura à
lógica do mercado. No período da Lei Rouanet, reforçam-se os laços entre a
chamada “classe artística” e o PT—entendendo-se a expressão “classe
artística” no sentido em que a entende a atual ministra, ou seja, os grandes
nomes da indústria cinematográfico-teatral-fonográfica do eixo Rio de
Janeiro-São Paulo. Essa aproximação é importante, porque ajuda a entender a
articulação que levou a uma opção de não-continuidade entre os Ministérios
da Cultura de Lula e de Dilma. Nessa articulação, cumpriu papel central um
dos representantes históricos da “classe artística” no PT, o ator Antônio
Grassi.

• O momento Lula é marcado por uma ruptura com concepções anteriores de
política cultural na esquerda. Por uma feliz conjunção de fatores, o
Ministério da Cultura sob Gilberto Gil e, depois sob Juca Ferreira,
revoluciona a compreensão de cultura que tinha a esquerda brasileira. Esse
movimento não passa diretamente pelo PT, mas para ele contribuíram muitos
petistas, especialmente no segundo e terceiro escalões do ministério. Em
primeiro lugar, o MinC Gil/Juca rompe com um velho dogma da esquerda: trata
da produção cultural em diálogo com as novas tecnologias, sem demonizá-las.
Entende que não é possível pensar uma política cultural de esquerda sem uma
compreensão renovada do papel do audiovisual, da internet, das novas
técnicas de reprodutibilidade digital. Entende também que não é papel dos
sujeitos políticos estabelecer distinções entre a cultura que seria
autenticamente brasileira e aquela que não o seria. Nesse sentido, foi o
primeiro ministério da cultura do país que incorporou as lições do
tropicalismo. Além disso, o MinC Gil / Juca abandona de vez o dirigismo
tradicional da esquerda e, ao invés de trabalhar com a ideia de “levar”
cultura à sociedade, estabelece, com o projeto dos Pontos de Cultura, uma
concepção nova e revolucionária: a cultura já está sendo produzida pelos
sujeitos sociais. O que há que se fazer é criar teias, redes, possibilidades
de circulação. O MinC Gil / Juca sai do terreno reservado à cultura (o de
adorno beletrístico) e passa a colocar em xeque os seus sustentáculos
econômicos — daí o projeto de revisão da lei de direitos autorais, que se
choca diretamente com os interesses do lobby das patentes e da propriedade
intelectual. Com uma multiplicidade de fóruns, consultas públicas,
congressos e encontros, o Ministério gera uma massa crítica que se sente
cada vez mais incluída, cada vez mais agente do movimento vivo da política
cultural. Erros aconteceram, limitações houve, e nem tudo foi bem feito. Mas
não há dúvidas de que a gestão Gil / Juca abre um outro paradigma nas
relações da esquerda com a política cultural.

É esse novo horizonte, tão promissor, que se encontra agora ameaçado.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Os Sertões dos Anos 2000- Crítica de Ricado Araújo J C


Como adaptar um clássico da literatura brasileira e ainda assim conservar os louros de uma eficiente publicação? Além disso, adaptar um clássico não pela primeira vez, mas um que já teve inúmeras tentativas no cinema - porém não muito bem executadas. Simples! Se desprendendo ao máximo da obra.

É o que fizeram Carlos Ferreira e Rodrigo Rosa, roteirista e desenhista, respectivamente, no quadrinho Os sertões - a luta. A tarefa de condensar cerca de 400 páginas em 80 que mesclam texto e ilustração assustou os autores no princípio, mas a decisão de imprimir liberdade sobre o texto foi fundamental para a realização do trabalho. "Pensei muito no que se falava de que Os sertões era inadaptável, mas ao mesmo tempo acho que é uma narrativa com carga visual muito forte, então encaminhei para uma abordagem mais livre. Não acredito naquele tipo de adaptação meio álbum de figurinhas, que tu ilustras e colocas o texto literalmente. Adaptação é mais do que isso", enfatiza Ferreira.

Usar a obra, mas sem repeti-la, resultou em alterações da narrativa. O personagem principal nos quadrinhos passa a ser o próprio Euclides e o foco passa a ser, além da visão do autor, toda a história referente a Canudos. Para isso, Ferreira e Rosa viajaram para a Bahia onde ficaram três dias conversando com habitantes, estudiosos da revolução e visitando o palco de algumas batalhas. "É importante vivenciar o lugar porque dá um apego sentimental maior com a obra, há outro envolvimento, tu te aproximas mais daquilo tudo", recorda o desenhista. A viagem ainda rendeu o contato com cadernetas de anotações do próprio Euclides e uma vasta pesquisa sobre a Guerra de Canudos - que se apresenta em contextualizações históricas de alguns personagens criados especialmente para os quadrinhos.

O contato com quem vivenciou os embates e a possibilidade de pisar no mesmo solo onde sangue foi derramado foi essencial para incentivar e possibilitar uma liberdade na hora de pensar as narrativas. "Na serra do Campaio, onde aconteceu a segunda batalha, tu podes ter uma separação de tempo, mas, de alguma forma, estando lá tu acabas se impregnando na história. Depois para escrever fica mais fácil, tu entendes a geografia, o clima, imagina a cena exatamente no lugar em que tu estavas", recorda Ferreira.

Originalmente dividido em três partes - A terra, O homem e A luta -, para a adaptação o foco esteve principalmente no último trecho da obra. O motivo da escolha se deu pela narrativa do autor. Primando pela descrição - já que o próprio Euclides esteve em Canudos como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo -, Os sertões apresenta pouco diálogo e contextualização dos personagens. Visto que a linguagem dos quadrinhos prima por estes artifícios na sua concepção, adequar o texto de Euclides foi a maior dificuldade de acordo com Ferreira: "Esse foi o momento mais complicado. Eu radicalmente abandonei em muitos momentos a linguagem dele como literatura para usar a minha própria literatura do quadrinho. Existem muitos elementos visuais na obra do Euclides que ao invés de serem registrados como textos, ficaram grafados na imagem."

O sucesso do quadrinho é justamente se assumir como adaptação, uma produção independente da obra. Fato desde o início compreendido pelos autores que afirmam que a nova publicação não substitui o livro de Euclides, mas sim o complementa. "Ele não deixa de ser Os sertões porque existe apropriação literária, de trechos mesmo. Tem a visão do Euclides, mas tem o processo da própria história de Canudos", conclui o roteirista.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

sábado, 9 de outubro de 2010

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

sábado, 24 de julho de 2010

Machete - Red Band Trailer

A voz do Fogo!

"Então eu disse pra eles que se tivessem dito isso 10 anos atrás, quando eu fiz esse pedido, aí poderia ter dado certo. Mas hoje em dia não quero Watchmen de volta. Com certeza não nesses termos", diz Moore à Wired. "Nem tenho um exemplar de Watchmen em casa. O mundo dos quadrinhos tem um monte de conexões desagradáveis, e, quando eu penso nisso, muitas delas têm a ver com Watchmen."

quarta-feira, 21 de julho de 2010

domingo, 18 de julho de 2010

domingo, 11 de julho de 2010

sábado, 10 de julho de 2010

domingo, 4 de julho de 2010

Philips Cinema - Parallel Lines - The Gift, by Carl Erik Rinsch

Galeria Iluminada 1

David Plant


Berliac


Santiago Caruso


Daniel Campos


Emilie


Gabriel Ferreira


Tom Karlsson


Leandro Adriano


Rafael Sica


Anderzak

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Galeria Iluminada

Boa noite!
No próximo domingo será inaugurado um novo espaço aqui no Quadrinhos Criticados.
A Galeria Iluminada.
Trata-se de um espaço para exposição de artes. Um lugar que não será nada convencional. Dez obras (dez artistas diferentes) serão abduzidas para o Quadrinhos Críticados Arquiteto das Sombras.
O objetivo dessa galeria será criar intervenções e reações no seu cotidiano. Quem sabe acrescentar magia na sua vida. Ou...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Nova HQ!


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Junte se a nós e participe do *DiaSemGlobo* em apoio a Dunga.



O técnico da seleção brasileira abriu fogo contra a Rede Globo.Dunga deu na
canela do comentarista Alex Escobar, da Globo. Poucas horas depois, um dos
apresentadores do programa Fantástico, Tadeu Schmidt, da África leu um
editorial da emissora detonando Dunga.
Tudo tem um porque, antes do ataque ao Dunga no Fantástico, o Jornal O Globo
já havia descido a lenha na seleção e principalmente no seu treinador.
Qual a razão dessa súbita mudança de comportamento ?
Vamos aos fatos :
Segunda feira, *véspera do jogo de estréia* da seleção brasileira contra a
Coréia do Norte, por volta de 11 horas da manhã, hora local na África do
Sul.
Eis que de repente, aportam na entrada da concentração do Brasil, dona
Fátima Bernardes, toda-poderosa Primeira Dama do jornalismo televisivo,
acompanhada do repórter Tino Marcos e mais uma equipe completa de filmagem,
iluminação etc.
Indagada pelo chefe de segurança do que se tratava, a esposa
do poderoso William Bonner sentenciou :
“ Estamos aqui para fazer uma REPORTAGEM EXCLUSIVA para a TV Globo, com o
treinador e alguns jogadores...”
Comunicado do fato, o técnico Dunga, PESSOALMENTE dirigiu-se ao portão e
após ouvir da sra. Fátima o mesmo blá-blá-blá, foi incisivo, curto e grosso,
como convém a uma pessoa da sua formação:
“ Me desculpe, minha senhora, mas aqui não tem essa de “REPORTAGEM
EXCLUSIVA” para a rede Globo. Ou a gente fala pra todas as emissoras de TV
ou não fala pra nenhuma...”
Brilhante !!! Pela vez primeira em mais de 40 anos, um brasileiro peitava
publicamente a Vênus Platinada !!!
“ Mas... - prosseguiu dona Fátima - esse acordo foi feito ontem entre o
Renato ( Maurício Prado, chefe de redação de esportes de O Globo ) e o
Presidente Ricardo Teixeira. Tenho autorização para realizar a matéria”.
Dunga: - “ Não tem autorização nem meia autorização, aqui nesse espaço eu é
que resolvo o que é melhor para a minha equipe. E com licença que eu tenho
mais o que fazer. E pode mandar dizer pro Ricardo ( Teixeira ) que se ele
quer insistir com isso, eu entrego o cargo agora mesmo!”
O treinador então virou as costas para a supra sumo do pedantismo e saiu sem
ao menos se despedir.
Dunga pode até perder a classificação, a Copa , seu time pode até tomar uma
goleada, qualquer fiasqueira na África, mas sua atitude passa à história
como um exemplo de coragem e independência frente a uma das instituições
privadas mais poderosas no País e que tem por hábito impor suas vontades,
eis que é líder de audiência e por isso se acha acima do bem e do mal.
Em linguagem popular, o Dunga simplesmente mijou na Vênus Platinada ! Sugiro
uma estátua para ele!!!
Após a poderosa Globo a mesma que levou o Collorido ao poder e depois o
detonou por seus interesses, agora difama o Dunga, tá certo que o cara é
meio Ogro, mas não teve o direito de se defender dos ataques em momento
algum..
Falar mal do cara é liberdade de imprensa
Ouvir o cara não pode?
A reação do povo foi imediata.O editorial lido no programa "Fantástico", da
Rede Globo, deu repercussão no mundo virtual. E pela primeira vez na
história o Brasil inteiro apóia o técnico da Seleção. Só a Globo para
conseguir isso...
Dentre os assuntos mais comentados no Twitter nesta segunda-feira (21), a
frase "Cala boca, Tadeu Schmidt" era líder absoluta --superou até a
antecessora "Cala Boca, Galvão", que liderou por dias seguidos os Trending
Topics.
E não parou por ai. Em apoio ao técnico da seleção brasileira, os twiteiros
lançaram o "DiaSemGlobo", que será nessa sexta-feira, quando o Brasil vai
jogar com a seleção de Portugal, no encerramento da primeira fase da copa.
Todo mundo na Band, ou m outra emissora, não vamos sintonizar a Globo na
sexta-feira, temos que começar a deixar de ser gado manso, mostrar que não
somos trouxas manipuláveis.

domingo, 20 de junho de 2010

sábado, 19 de junho de 2010

Arquiteto das Sombras!

Boa noite!

A partir de agora, à nova fase do blog Quadrinhos Criticados Arquiteto das Sombras.
A revista virtual parida com o objetivo e objeto denominado quadrinhos.
Aqui resenhas das histórias em quadrinhos. Também críticas das publicações. Textos sobre os gêneros. Informações dos eventos, festivais, salões e principalmente autores. Sim, autores das histórias em quadrinhos são dissecados para o bem e para o mal. Acontece tudo isso de uma forma nada convencional neste blog.
Nada é dito de forma politicamente correta, formal ou com a mirada de lucro nas classes, ou sociedades secretas que influenciam a conspiração invisível da comunidade dos quadrinhos. Sim, essa conspiração existe!
Também aqui se publica quadrinhos. E diferente de uma outra fase que acontecia às publicações onde as histórias não eram sempre completadas - (falo principalmente do Zero) -agora a regra será outra. Em breve teremos a publicação em postagem periódicas de uma novela gráfica chamada Deus Digital.
Vamos continuar com os nossos vídeos, assuntos nada a ver e tudo a ver com quadrinhos. Sem esquecer que mais artigos sobre séries de tevê vão pintar por aqui. Já que tenho muito que falar sobre o falecido LOST, THE WIRE, THE SOPRANOS E outras séries que marcaram a primeira década do século XXI.
Também vou começar a escrever aqui sobre magia e ciência. Dois dos assuntos onde a minha cabeça lateja neurótica nesses tempos peculiares. Também sobre CAOS, COSMOS e ENTROPIA.
Não posso esquecer que os extraterrestres, o sobrenatural e o realismo fantástico estarão no nosso palco.
Cidades, bares e a boêmia. Filmes, desenhos e música!
Quadrinhos Criticados Arquiteto das Sombras é quase uma rádio, um experimento multimídia. Uma droga lisérgica. Um laboratório ou caverna mágica. É como sexo.
Vida e morte ao Arquiteto!

The Cat with Hands

quarta-feira, 9 de junho de 2010

quinta-feira, 3 de junho de 2010

domingo, 30 de maio de 2010

sábado, 29 de maio de 2010

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Eu verbo!

Falamos demais. Devíamos falar menos e desenhar mais. Pessoalmente, eu gostaria de renunciar a fala e comunicar tudo em esboços o que tenho a dizer.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Extraído de um e-mail da Grafar


Em uma recente entrevista dada ao jornal americano The New York Times, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, revelou que sua administração deu sinal verde para o estudo e desenvolvimento de um novo tipo de conceito de ataque militar, sem o uso de armas nucleares mas com o mesmo poder destrutivo. Tal conceito chama-se Prompt Global Strike, um sistema de ataque com mísseis e armamento "convencional" que pode atingir qualquer ponto do planeta em até uma hora.

Apoio político e financeiro ao projeto não falta. Robert Gates, o secretário da Defesa, revelou na emissora americana ABC que a administração já abraçou o Prompt Global Strike. Prova disso são os US$ 250 milhões que Obama pediu ao Congresso para explorar a tal alternativa, que combina tecnologia militar e aeroespacial de ponta. John McCain, candidato presidencial republicano em 2008, também já manifestou o seu apoio a um programa que tem tanto de "caro como de essencial".

As reservas relativas à nova geração dos mísseis Trident, inicialmente pensados para incorporar o "Prompt Global Strike", fez com que muita gente no Departamento de Defesa se virasse para alternativas. A resposta deverá ser um míssil cujo projeto chama-se X-51: uma arma que os radares de Pequim e Moscou teoricamente não confundirão com um míssil nuclear.

Utilizando tecnologia espacial da NASA, esta será a única arma não nuclear capaz de atingir velocidade de Mach-5 (5.793 quilômetros por hora) e que utiliza os efeitos brutais da velocidade hipersônica para destruir os alvos com a força cinética aliada a uma ogiva "convencional".

De acordo com o Pentágono, este sistema não estará operacional antes de 2015 e o mais provável é que o seu desenvolvimento se prolongue até 2020. De acordo com a ficção científica militar americana, essa arma pode ser lançada de um bombardeiro B-52 e seria capaz de estilhaçar uma central nuclear iraniana ou norte-coreana, destruir um navio carregado de armamento no Oriente Médio ou ainda explodir o esconderijo de Bin Laden — que os Estados Unidos desistiram de encontrar há muito.

Tudo isso com cinematográfica "precisão extrema", em poucos minutos e com uma potência localizada equiparada à de uma bomba nuclear. E tão "humanitária" que não "sujaria" o ambiente ao redor, como acontece com a radiação emitida em uma explosão atômica.

Pentágono prevê ativação até 2015

O Pentágono espera posicionar uma primeira versão da nova arma em 2014 ou 2015. Mas mesmo segundo os prazos mais otimistas, um conjunto completo de mísseis, ogivas, sensores e sistemas de controle só deverá entrar para o arsenal entre 2017 e 2020, muito depois de Obama ter deixado o governo.

O planejamento do PGS está sendo chefiado pelo general Kevin P. Chilton da Força Aérea, o mais alto oficial do Comando Estratégico das Forças Armadas e o homem encarregado pelo arsenal nuclear americano. Na administração Obama, a nova parte do trabalho do general Chilton é conversar a respeito de "alternativas convencionais".

Falando a partir da Base Offutt da Força Aérea, o general Chilton descreveu como a capacidade convencional oferecida pelo sistema proposto daria ao presidente "mais opções".

"Hoje, nós podemos apresentar algumas opções convencionais ao presidente para atacar um alvo em qualquer parte do globo, variando de 96 horas a várias horas, talvez quatro, cinco ou seis horas", disse Chilton.

"Isso, contudo, não seria rápido o bastante", destacou, "caso chegasse um dado do setor de inteligência sobre uma movimentação de terroristas da al-Qaida ou o lançamento iminente de um míssil".

"Se o presidente quiser agir contra um alvo em particular mais rapidamente do que isso, a única coisa mais rápida que temos é uma resposta nuclear", disse.

O que é

O Prompt Global Strike (PGS) é uma iniciativa militar americana que pretende desenvolver um sistema capaz de desferir um ataque militar convencional em qualquer parte do mundo em apenas uma hora, do mesmo modo que um ataque militar nuclear pode ser realizado atualmente com mísseis balísticos.

Como declarado pelo general americano James Cartwright, "hoje, a menos que se decida pelo uso de armas atômicas, gasta-se dias, talvez semanas", até que um ataque militar com forças regulares possa ser lançado.

O objetivo desse sistema é prover de capacidade rápida de ataque convencional a partir do território dos Estados Unidos contra qualquer parte do globo terrestre em um caso de emergência ou conflito. O sistema PGS será implementado para complementar as outras partes do sistema estadunidense de agressão global, com um sistema que pode desferir um ataque contra qualquer lugar do planeta ou do Espaço em até 60 minutos.

O sistema é visto pela administração Obama como um meio de reduzir o arsenal nuclear e os gastos envolvidos nele, enquanto mantém capacidade idêntica de destruição. Entretanto, esse sistema é capaz de, ao ser acionado, ativar os sistemas de defesa nucleares de Rússia e China, o que teria feito a administração Bush engavetar o projeto.

Ainda não estão claros os detalhes técnicos e as precauções que deverão ser tomadas para assegurar a esses países que o míssil lançado não carrega ogivas nucleares. Alguns técnicos militares sugerem mísseis de trajetória de baixa altitude ou até inspeção dos sítios de lançamento por russos e chineses.

A tecnologia desse sistema preocupa tanto outras nações que a administração Obama acabou cedendo às exigências da Rússia para que os Estados Unidos desativem um míssil nuclear para cada míssil PGS. Essa disposição foi tratada no último acordo fechado entre EUA e Rússia, assinado por Obama e Medviédev em Praga.

Em 11 de abril, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, indicou que o país já possui capacidade para desferir um ataque pelo Prompt Global Strike. O tratado assinado entre russos e americanos em 8 de abril não distingue armas nucleares de convencionais, significando que cada míssil do sistema PGS ou ogiva nuclear será considerado para os limites de armamento estipulados no acordo. Entretanto, o Departamento de Estado dos EUA declarou que isso não deve interferir nos planos de desenvolvimento do PGS, já que não ultrapassaria o limite estabelecido.

Fabiano Gummo Says:



January 29, 2010 at 8:38 pm
reflexo do eu-anti-simétrico, 2009.

1) Cem agulhas atravessam cem pupilas no manicômio-universidade;

2) A Assembléia dos Exploradores da Consciência alerta que é quase impossível termos certeza de alguma coisa;

3) “É como a estrutura do universo”. Como o substrato do nada. Camadas e camadas de lençóis;

4) Racional ou não, sonhamos, e não existimos;

5) Janelas observam a enxurrada de adrenalina nos caminhos que compõem a rede de passarelas;

6) A Sonoridade tubular é o anseio pela obsessão;

7) Correlações de mim com a parte homuncular de mim mesmo;

Onde eu quero chegar? Aos confins das estações do metrô, ao tratado mental, ao resgate, aos transformadores zumbindo, aos macacos, aos humanóides, ao mimetismo metamórfico, ao movimento sem relativismo, ao gemido noturno, ao triceratops, ao interurbano, aos desaparecimentos, ao poder de mentir, ao sacrifício materno, ao câncer, aos planos de fuga, ao reduto da estética, ao karma, ao antagônico palco, às clínicas geriátricas, aos efeitos sem causas, ao passado;

9) Vejo a catarse holística e catatônica;

10) Personifico o imaginário de quem eu represento;

11) Um torpedo lançado ao mar por um geneticista psicopata;

12) Amortecendo as pauladas no occipital;

13) Galopando no caos noturno;

14) Deslumbrado com o formigueiro ao contrário;

15) Comendo a ratazana pelo rabo;

16) Neuroplastia sintetizada: “cérebro-resposta”;

17) Os móveis são familiares, mas não estão ali;

18) Foda-se Deleuze;

19) Pode ser um elo marcado nos sonhos que divide a iminência do reencontro;

20) Vendo um mundo inacabado;

21) Nascer-morrendo emparedado 9 meses no interior de alguém;

22) Descolando o senso de direção;

23) Andando sonolento pelos campos elétricos;

24) Mapeamento mental;

25) Bolhas humanas infladas;

26) A busca do glúon primordial;

27) Um restaurante no km-23, com eucaliptos ao redor;

28) Nuvens grafite no céu e o som alienígena ecoando;

29) O asfalto serpenteando monolitos assimétricos;

30) Demolição coerente do constructo orgânico;

31) As portas estão do avesso;

32) Cegos e contextualizados;

33) Uma depressão automobilística trincada;

34) Entrego minhas botas ao Dr. Hans Drüb;

35) Querida mãe, dormindo no vórtex;

36) Torrente de espectro policromático diluído em duas esferas de matéria condensada;

37) Mostra a potência das indústrias à esquerda e dezenas de novas sombras à direita;

38) Nos cortamos em cercas de arame farpado, buscando messias que dormem pregados à cama. Ou mártires chumbados no álcool, com olhos de areia grossa;

39) Essa é a Síndrome Criogênico Stambul;

40) São os filhos do código de barras, do código genético;

41) Usando truques para enganar velhas semi-radicais .

42) São réplicas idênticas de um modelo, ensembles;

43) Clones sem almas;

44) Sabedoria da decadência, enterrando os vestígios da idolatria;

45) Há uma regulagem para o método, esta se baseia no conformismo e no condicionamento extremo de não viver mergulhado em bilhões de pensamentos emaranhados num único crânio, mas em vários;

46) Os indecifráveis pictogramas da carne;

47) Claro que nunca mais vou ser um só, visto que um de mim é na realidade a superposição de incontáveis eus – como num baralho infinito;

48) Até onde sabemos, a estrutura visceral dos constituintes sociais atingiu um nível limite;

49) Existe, entranhado no interior da sociedade, aquilo que chamamos de “fraqueza conquistada”, ou seja, a vontade quase involuntária de destruir a realidade;

50) Um complexo de redes tridimensionais acopladas num único bloco;

51) Acreditando numa realidade de processos irreversíveis dentro do sistema de pessoas;

52) Toda fonte de conhecimento colapsa;

53) Tudo pode ser mudado;

54) Uma partícula constituinte do fluxo de carne;

55) Do céu brota a nova ordem formada por gigantescas esferas controladoras da mente;

56) É a época das sombras revivida eternamente;

57) Somos o recheio do bolo de merda;

58) Isolar aquilo que acreditamos, defendendo durante séculos uma verdade defeituosa e real, é a manifestação viva da angustiante distopia na qual estamos imersos;

59) Transformar a carne esponjosa em algo mais denso;

60) Narcóticos fulminantes e catastróficos;

61) Perdemos tudo em vórtices de sangue;

62) A sabedoria não está em lugar algum;

63) Um insight clarividente do homem-máquina moral que atingiu o apogeu;

64) A lucidez é uma flutuação entre dois mundos;

65) O patamar da loucura é manipulada por cosméticos, laptops e asfalto;

66) Visitando cada recanto úmido do limite entre o dura-máter e o crânio;

67) Imerso em gargantas que desejam gritar, mas que acabam sempre soluçando, e é só;

68) Preso na crosta encefálica, vagando em campos cerebrais;

69) É quando os segundos tranformam-se em décadas e as décadas tranformam-se em segundos;

70) A panspermia repousa na beirada sangrenta e auto-complascente da puta que pariu;

71) A fumaça do escapamento e a chuva, formam o Grande Show da Vela Flamejante;

72) A coisa que é o mundo e as coisas que limitam o mundo são engolidas pela coisa que é a vida;

73) Aquela que solda a mente dentro da cabeça;

74) Ele dorme flutuando na planície nervosa;

75) O começo de tudo e de tudo de novo;

76) É a cabeça-cupinzeiro;

77) Do vácuo-compressor cotidiano ergue-se o detonador da revolta criativa;

78) Um minúsculo homem operando dentro da cabeça de um homem maior e dentro da cabeça desse minúsculo homem, outro, ainda menor… e assim por diante;

79) Esse é o barulho da multidão que não respira!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Parada Desenhos de KG Ferreira



Bom, tenho um sobrinho que vai fazer 20 anos no próximo dia 2 de junho. Ele é um cara legal, meio acanhado, meio estranho, bicho do mato, mas um cara legal. Quando ele tinha 2 anos implorou para ver o Drácula do Coppolla. Assistiu apesar dos preconceitos dos meus pais.
O guri desde aquele momento não parou mais de querer desenhar. Isso faz exato 18 anos e eu tinha uns 22 anos ou 21 anos na época. Eu perdido dando os meus primeiros escorregões buscando um lugar no mundo. Buscando ser artista e o batalhão zumbi da sagrada famíglia argumentando para eu ir a busca de um emprego seguro em um banco, ou cursar uma falcudade ou um concurso público. Para quem sabe, depois da aposentadoria fazer o meu hobbie de desenhista.

Bom, mandei todos a merda e segui o curso da minha atrapalhada tragicômica odisseia de gaúcho, brasileiro e latino-americano quadrinhista. Agora, vou meio que me tornando um arauto, um velho monge, um louco para os meus familiares. Mas sigo os meus sonhos na tormenta da vida e vou colhendo os reais frutos de viver o que realmente vale nesse labirinto de mentiras: Vale fazer o seu próprio destino, cavar o seu real¨eu¨ das entranhas.

O kid Gabriel precisa se encontrar, mas o bom é saber que o talento dele já o encontrou. Vida longa!

King Monge Kid

sexta-feira, 12 de março de 2010

Glauco is dead!


Ok, não uso colantes aqui. Nem possuo super poderes. Chega dessse papo nerd, mas esse é o clichê do vocabulário de um quandrinhista. A lábia sempre passa pelo universo dos super. Sim, lábia. Estou te dando esse pirulito, neném. O docinho é para te convencer que o meu veneno é um bom negócio.
Hoje o Glauco morreu e fiquei puto com isso. Essa foi a minha primeira reação porque o mundo, nação ou estado é cada vez mais uma lixeira e nós, humanos, lavas que vão dançando sobre os nossos alimentos. Veja! Somos seres humanos desfilando nossos egos fálicos (quis dizer flácidos) nos espelhos dos shoppings . Viu que estou sem cuecas e me masturbo? Meu ego é do caralho e o seu podre!
Ponha o dedinho no cu, seu covarde de merda. Glauco morreu! Um cara da paz e baita ser humano. Sem esses nossos metrequefes sábios de inteligência superior. Glauco era um cara na dele e a primeira vez que eu vi a sua magia foi na risada do meu amigo Leandro Adriano. Isso lá pelos meados dos anos 80. Risco dizer 84 ou 85. Década foda essa. Década valente e Glauco um dos Cavalheiros dessa década. Humor ácido e foda! Mataram um gênio.
O covarde que o furou com 4 tiros é um cão doido perverso! Destruiu o bem. Glauco fez bem ao país(na dele), isso sem restrição, sem idade e época . Confesso estar de mal humor. Com vontade de ser o Cavaleiro das Trevas. Partir ossos. Por favor, preciso de uma desculpa para farelar um covarde. Ariel, fica em paz, o papo aqui não é contigo. Não vou ser tão doido em dizer filho da puta. Mundo Cão!
...
Passado a raiva...preciso saber se há um sentido, amigo.
No fundo do coração eu sinto que tu diz que há. Não foi em vão.
Vaya com Diós, muchacho!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

domingo, 7 de fevereiro de 2010

domingo, 31 de janeiro de 2010

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Atacama



Amigos, estou no deserto do Atacama. Fui para o deserto por motivos profissionais. Por enquanto vou deixar o assunto sob o manto do mistério, mas em breve contarei sobre a jornada da aventura, do horror, magia e claro...humor!
Agora, deixo uma foto com clima de "Lawrence da Arábia" para esquentar um pouco o blog.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Do blog do Grampá esse urro!

"Hoje em dia eu tenho uma certa restrição em aceitar desenhar o que me pedem, seja uma editora ou um admirador. Deve ser porque trabalhei minha vida inteira com publicidade e quando sou “mandado” ou tenha um cliente para aprovar, já torço o nariz na hora. Quando o trabalho é legal, com gente legal envolvida, tipo ilustrar o conto do Ruben Fonseca pra Playboy, faço feliz da vida. Apesar de eu não gostar do resultado desse trabalho – da minha parte eu digo – foi legal de fazer porque a galera da Playboy é classe A! Mas geralmente na publicidade ou até mesmo na área editorial, sempre me frustrei com as direções dos diretores de arte. 99% não sabem NADA e são cegamente arrogantes a ponto de nunca deixarem o artista com quem estão trabalhando sugerirem um caminho melhor do que eles mesmos estão propondo, que quase sempre é uma idéia vaga – aí fica aquela malandragem de fazer o artista desenhar MIL sugestões sem liberdade criativa e refações até ficar parecido com algo que eles já tenham visto, é claro – ou uma cópia mal encoberta de alguma outra coisa. Eu já trabalhei como diretor de arte durante anos e sei bem do que eu estou falando. Então, um recado para os diretores de arte: Primeiro, escolham BEM o artista que vocês querem trabalhar. Segundo, vocês precisam aprender com os artistas. Vocês só são diretores de arte porque amam arte – a maioria nem tanto na verdade, amam o status e o cartão com o “diretor” escrito, o que não significa porra nenhuma se o cara não tem a mãnha- e queriam muito ser artistas também – e muitos tem alma de artista e geralmente são esses que entendem do que estão falando- então, sejam humildes e deixem o artista cooperar criativa e artisticamente em vez de tratá-lo apenas como mão de obra pra justificarem o status de diretor. Assim o trabalho só vai melhorar e talvez sua carreira também melhore. E parem de copiar os gringos, isso é feio e todo mundo do seu meio sabe que você está copiando.

Pensando bem, acho que o segredo é sempre se focar no fluxo de criatividade e na experiência da aprendizagem pra fazer desenhos encomendados. O desenho pode não ser uma expressão pessoal sua no fim das contas, mas ninguém te tira o que você aprendeu com aquele desenho e com certeza essa experiência vai aprimorar o seu trabalho pessoal."

domingo, 22 de novembro de 2009

Zero!

Há dez anos, eu tive a ideia que hoje é até banal. A ideia era fazer um webquadrinhos. Por favor, não me entendas mal. Não estou dizendo que criei essa plataforma virtual. Ao contrário, eu na época fiquei curioso sobre essa tal internet, e pensei que estava na hora de me recriar começar do zero como autor de quadrinhos. Não só em um veículo, como em estilo. Buscar um novo jeito, um novo caminho de produzir quadrinhos. Então criei um novo personagem, falo de Zero. Eu não só queria fazer uma hq na web como queria falar do meu território e época. O fim dos anos 90 foi uma época peculiar na minha vida. Era o fim dos meus vinte e poucos anos. Fim do século, fim do milênio, fim de um relacionamento...
Mas também uma época que tudo começou e se consolidou. Ano de 1999, foi um ano que me integrei com a turma que fazia cinema de Super 8, as nossas reuniões regradas a tragos fenomenais no Ossip, depois finais de noites no Garagem Hermética, ou as vezes o destino era Quarta Quebrada e outras festinhas malucas no Ocidente com uma mulherada doida e confusa. Muitas drogas, sexo e rock and roll.
Coletei várias histórias psicodélicas e entre essas histórias nasceu Zero.
Para comemorar os 10 anos do Zero, vou postar essa hq aqui nos Quadrinhos Criticados. Boa leitura!

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Continua...

Músicos

sábado, 21 de novembro de 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Amigos! ASSISTAM!



Interessante oportunidade de assistir ao documentário sobre a precursora da astrologia no Rio Grande do Sul, a Dona Emma de Mascheville. Direção de Rene Goya Filho.

Guilherme Pilla

- “Luz e Sombra no Paralelo 30” é uma história emocionante, da precursora da Astrologia no Rio Grande do Sul - explica o diretor, Rene Goya Filho.

Assistam no Histórias Curtas deste sábado, 21 de novembro, as 12h20, mais um documentário do Núcleo de Especiais da ESTAÇÃO ELÉTRICA. Agora é a vez de LUZ E SOMBRA NO PARALELO 30, dirigido por Rene Goya Filho. (Confira outros horários e canais além da equipe técnica no flyer anexo!)

A história de Emma de Mascheville, astróloga alemã que veio para Porto Alegre em 1930 e viveu na cidade até a sua morte, em 1981. Com uma vasta obra humanitária e intelectual, Emma criou teorias e é precursora da astrologia no Rio Grande do Sul. A partir de um estudo profundo da natureza humana e dos planetas, ela tornou-se conselheira de muitas pessoas. O documentário traz trechos de uma entrevista inédita da astróloga e depoimentos de alunos, parentes e amigos.

Lançamento do livro do Gilmar Rodrigues

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Como não escrever um roteiro – ou Apertem os Cintos que Deu a Louca no Império dos Super-Comics


(Parte I de 3)

Com quanta canoa se quebra o pau com a Marvel Comics?


Podemos começar com uma figura mais conhecida, V, aquele livro aberto botando o terror num sistema horroroso. A lenda ilustrada conta que ele mantinha uma galeria subterrânea repleta de cartazes, discos... ah, e livros, é claro. Com a dinâmicas das fixações nos artigos que se chamavam de culturais, atualizava seu repertório. Analogamente, a leitura do próprio seriado ou álbum é um caminho atravessado de informações. Só não deveriam restringir drasticamente o nosso horizonte – essa linha, nem tanto ao céu, nem tanto à terra, disputada e controversa. A decoração, composição de estímulos e lembranças, criava janelas, rotas de fuga e brechas para novos combates.

Decorar pode não ser bolinho, mas ler Histórias em Quadrinhos era deleite pelo qual me balançava com alguma informação, me aculturava no estrangeiro e me alfabetizava em línguas maternas e estrangeiras. Pois se não conheci a “terra do sol nascente” e do mangá, estive no hemisfério norte do “velho” e do “novo” mundo, pegando o bonde da escolaridade andando, aproveitando acervos públicos (e privados, familiares) de Bandas Desenhadas (como dizemos as nossas HQs no velho mundo), e ainda recomendo alguns estilos dessas leituras, nem que seja para a apreciação e o conhecimento de repertórios de uma língua – assim informada por tais e quais produções. Se estranhava, é verdade, a compenetração suscitada por uma literatura apoiada em imagens “prontas”, com tanta bagagem literária para se aprumar. Estranho o estranhamento buscando rebatê-lo com informação sem fronteiras, apanhados dela e composições, acercando-me de potenciais elos instigantes de um curso deste mundo da vida presentes na tortuosa formação de uns quantos hábitos de leitura e quiçá relações.

Um desses “elos” ou agentes culturais pelos quais um olhar inquisitivo poderia fazer algumas descobertas é outro que faleceu de tanto fumar, aos 60 anos, em Las Vegas, quando aguardava um transplante (10 de fevereiro de 2008). A longa e importante trajetória de Stephen Ross Gerber traz alguns méritos bem relevantes à discutível história dos Quadrinhos norte-americanos (os famosos Comics), reciclando e criando personagens, e zelando por uma etiqueta com respeito às suas escalações, com repercussões que seguem para mais além das próprias obras ficcionais e narrativas que escreveu. Mas a mais notória delas, não por acaso coincide com um de seus personagens próprios mais característicos e populares, passando por olímpicas intrigas palacianas que deram-lhe fama de arredio num sistema proprietário que acabou tendo de enfrentar judicialmente por uns quatro anos, após ter se tornado talvez digno de um posto de editor-chefe, ou de decliná-lo, se tivessem lhe oferecido. Foi em 1978 despedido por se dispor a batalhar direitos frente aos Sindicates (distribuidores de tiras para aqueles os jornais que foram o berço das HQs modernas, segundo a bem oficializada história deles, tão frequentemente adotada e globalizada por brasileiros) na justiça. Em 1982 Steve iria finalmente entrar num acordo “pessoal” com a “casa das idéias” Marvel, mas não antes de unir forças com Jack Kirby (o lendário-inigualável campeão-industrioso-olímpico dos desenhos sequenciais da tal linha de pretensa “super-ação”) na produção de Destroyer Duck arrecadando fundos para as batalhas judiciais por seus próprios personagens.

A conveniência de se conhecer e divulgar esta luta por dignidade e condições de trabalho também envolve o interesse por uma opinião profissional menos reverente e mais próxima à figura de Stan Lee (aquela tradicionalmente “apresenta” as narrativas da editora, talvez se interessando mais verdadeiramente por esta forma de mídia do que Walt Disney, que sabidamente se importava mesmo era com desenhos animados e os dispositivos mecânicos de seus notáveis brinquedos cenográficos). Tal curiosidade foi bastante satisfeita no desenvolvimento de uma entrevista de Philippe Garnier para uma legendária revista rockeira de “Bandas Desenhadas”, a métal hurlant (esta métal “berrante” é a publicação que daria origem à mais conhecida “Heavy Metal”) fundada por quatro aficionados da Ficção Científica e da HQ auto-intitulados “os humanóides associados”. Druillet, Moebius, Dionnet e Farkas, entre outros realizadores de narrativas gráficas, resistiram ideologicamente por mais de década aos pós-68, “imaginando”, calando fundo, imprimindo. Eram cem páginas de qualidades cada vez mais desiguais por edição, com um povo botando bronca em banca e os desenhistas querendo conhecer e dando conta de recados, não apenas de suas marcas “tribais”, referências profissionais, idiossincrasias e preferências íntimas, embora logicamente a banda também não se furtasse a passar por aí, bem pelo contrário. Algumas páginas chamavam graficamente a atenção para textos operando ganchos principalmente sob aspectos visuais e editoriais, mas também narrativos e até “publicitário”, bastante notáveis, valendo-se de gírias a granel e dos desenvolvimentos estilísticos mais sintéticos e midiáticos, jornalísticos mesmo, de então. A entrevista encontra-se no número 38, de fevereiro de 1979, com a capa divulgando o retorno de Gir-Moebius às produções do tenente Blueberry entre índios de far-west. A segunda capa veicula um manifesto, junto a mais seis importantes casas editoriais daquelas revistas ilustradas ditas recomendáveis a leitores adultos (incluindo as prestigiosas Casterman (A Suivre), Dargaud (Pilote) e Editions du Square (Charlie, B.D.), entre outras mais notavelmente humorísticas, como a Editions du Fromage (Echo des Savanes) e Editions Audie (Fluide Glacial), além da Elvifrance de Sam Bot, etc.) denunciando mordaças tirânicas de uma pesada proibição legislativa (de 1949, e apenas levemente atenuada em 1973) exercida em nome de uma suposta vigilância às publicações “infanto-juvenis” na França. Talvez nos interessassem mais aqueles artistas, que levavam jeito de tratar, de entoar, de desenhar, refletir, etc., naqueles tempos em que protestar era condição de possibilidade e defesa do direito humano a batalhar uma expressão mais livre e consistente ou consequente. Na página 26, “Réquiem para um Pato ou: Pato no Sangue” – parte dois da entrevista de Philippe Garnier a Steve Gerber em Hollywood – vinha desnudando até o cerne uma famosa corporação multinacional dos enlatados de papel. No epicentro do fenômeno, o pato Howard “aprisionado num mundo que ele jamais construiu!” antes mesmo de ter sua satírica figura de comédia – hoje casualmente em propriedade da Disney Company, com as demais personagens vinculadas ao conglomerado editoral da Marvel – cinematografada. Por sinal, eu soube da transação com a Disney, que oficialmente visa “conteúdo de marcas de qualidade, inovação tecnológica e expansão internacional”, numa coluna de jornal local ilustrada pelo irritadiço Howard avançando decididamente por supostos corredores em que cruzaria com outro pato maluco, agora seu colega, o tiozão, por assim dizer, Donald. Naturalmente que esta notícia me desencadeou uma pequena série de associações recordativas, isto e aquilo dando o estalo de queimar as pestanas e inicializando presentes considerações sobre ficções nossas de cada dia estendendo a palavra ao operário exemplar – e talvez ilustre desconhecido por estas paragens – Steve Gerber.

Ele tentara escapar de lugares manjados como Hollywood e Nova Iorque para a “cidade 24horas” de Las Vegas – voltando, portanto, aos anos 70, parecia interessante, para os seus famosos esquemas excêntricos de horário (famosos por conta de seus cochilos literais, lógico, que contrastavam com sua articulação expressiva com metáforas e competências narrativas destacadas). Um não-lugar? Cura para uma depressão nervosa? O entrevistador Philippe Garnier questiona a verdadeira tentativa de Steve morar ali mais por ter lido o então considerado melhor livro escrito sobre tal cenário, “Vegas”, onde o autor (John Gregory Dunne) relata ter se mudado para lá por um ano a fim de curar justamente sua depressão nervosa.

Encontrar Steve Gerber em Hollywood fora de uma facilidade infantil. O próprio Howard respondera na secretária eletrônica, “ou ao menos uma voz aquática do tipo”. Seguiram-se apenas duas horas de espera. Steve não estava muito cansado de lidar com a imprensa, em grandes crise ou coisa do tipo. Ao menos Philippe Garnier o encontrou muito amigável e tranquilo, além de (por que não dizer?) criativo, autêntico, humano.

A história com a Marvel é que, naquelas alturas, ela tinha tantos títulos que era possível passar um argumento ao artista sem mostrá-lo ao secretário de redação. Exatamente assim nasceu o Howard, em dezembro de 1973 na revista Adventure into Fear # 19: Roy Thomas só foi avisado quando já era tarde. Sobre a clara derramada, ele teria dito: tudo bem, vamos experimentar este número. Mas logo pediram que Steve Gerber desse um jeito de se livrar do personagem, o que ele fez à moda Marvel, ou seja: liquidando-o sem que ficasse morto “de verdade”. Os correios de leitores reagiram de forma surpreendente. A redação chegou a receber um animal morto, por exemplo, de um leitor do Canadá, com uma nota relativa à morte do pato tratando-os por “assassinos”. Obrigaram-se a devolver Howard à circulação das idéias editoriais e à “vida”. Em 1976 ganhou revista própria, que teve seus primeiros 26 números escritos pelo próprio Steve Gerber.

Como um empregado que teria sido o estopim daquela situação excêntrica acabou na prática do controle sobre a revista de linha (“comic-book”) Howard the Duck? Novamente em vista da situação, ninguém sabia precisamente o que se tinha em mente para a personagem, e em função do caráter industrial da Marvel, Gerber chegou à direção de quase todos os aspectos da publicação. “Stan Lee, que na época dava muitas conferências nas Universidades, não parava de perguntar à redação: como é que ele se chama mesmo, o pato de vocês?”

Uma ou duas dificuldades, que dizem respeito à censura: o número dois tinha um diálogo do casal protagonista sob lençóis. Quem gritou mais alto foi o pessoal do “código de ética” (que trabalha(va) só para isso mesmo), e foi preciso redesenhar o painel, de modo que ela permanecia sob cobertas e ele sobre elas (as cobertas), desnudo, mas sobre as cobertas. Como esse pessoal do gibi norte-americano realmente parece ter dado todo um novo sentido à palavra “patético”, vamos pular outro “episódio” desse tipo – cujo antecedente seria “les Stones” no provocativo rock´n Roling: “Let´s Spend the Night Together” (lançado em janeiro de 1966). Mas o curioso é que se esperava que a natureza de pato permitisse dessas liberdades, segundo o seu autor, já bem pouco apelativas para a época. Ele próprio nem se interessava realmente, na verdade, pelo que poderia haver por trás da relação do casal, como “pelas mesmas razões” nunca mostrou o país ou universo paralelo do qual vinha o protagonista.

O entrevistador (Philippe Garnier) repara que os roteiros de Steve Gerber enveredam frequentemente por trilhas inter-galácticas e pergunta se ele gosta de fazer essas coisas ou se é por trabalhar na Marvel. Na resposta há uma convicção de que as coisas neste formato são ideais para apenas “estes dois tipos de história”, decididamente não sendo a praia ideal para o meio de campo dos westerns, policiais ou histórias de guerra, por exemplo – apesar de eventuais produções luxuosas, de textos fartamente ilustrados, já saírem por aí a fora. “Tendo a preferir a história que chega das ruas, e acho que por um momento a Marvel também tomou este rumo, mas com a Marvel precisa sempre atenuar as coisas e dar a elas essa dimensão fantástica. Francamente não sei onde me situo. Estranho por estar absorto em projetos bem diversos, de quadrinhos, filme, livros, etc., mas nalgum sentido são estes projetos que me ajudam a me desembaraçar um pouco destes problemas.” Livros muito orientados ao fantástico, o filme não, mesmo que contenha elementos do fantástico, se passando em Las Vegas, que já é muito fantasiosa, complicando as coisas. Se o roteiro é encomendado? Não: “Nesta cidade, todo mundo sabe, precisa ter algo a se mostrar, então vou mostrar isso. Por sorte a mulher com quem vivo conhece todo mundo e sabe como as coisas acontecem por aqui, o que talvez me impeça de ficar demente.” Indagado pelas produções do velho mundo em “Banda Desenhada”, e mais particularmente a francesa, confessa não encontrar enredo tão atrativo como o possível interesse visual, mas diz estar mal situado para julgar, devolvendo educadamente a pergunta.

Aí chega o questionamento de um método que poderia parecer obviedade para o homem “que trabalha nisso há seis anos, mas para nós é um pouco misterioso, principalmente o lado esteira-de-produção de Marvel. Não há equivalente entre nós, talvez tirando os Studios Hergé nalguma época. Tecnicamente, como se escrevem roteiros de comics?” A usina marvete, em seus bastidores? “Primeiro se escreve uma sinopse, seis ou sete páginas, eventualmente mais. Isto depende com quem se trabalha; quando você conhece o sujeito que vai desenhar a história, você sabe mais ou menos o que ele vai colocar... Depois a sinopse vai para o pencilman, o desenhista que elabora toda a história a lápis conforme tuas instruções; ele acrescenta o seu toque pessoal ou não, conforme a personalidade dos colaboradores. Ele geralmente deixa um terço do quadro desocupado, para a inserção de balões. Depois disto a história volta ao writer, que dialoga. Mas, na prática, este diálogo depende da qualidade do desenho. Se o desenhista é dos bons, ele contou toda a história, então eu só preciso refinar e acrescentar minha própria contribuição, que é o diálogo, e o diálogo não deveria ter que contar a história; por exemplo com (Gene) Colan eu podia me permitir sutilezas que eu não podia com outros... Uma história deve ser desenhada de modo a ser imediatamente legível. O modo com que os quadros são divididos e dispostos é muito importante; é um pouco como a montagem para um filme.” O entrevistador se lembra de diagramações muito particulares de (Frank) Brunner, logo nos primeiros números da revista; e outra vez, com Colan, quando Bong e Howard afundam o assoalho do banheiro e aterrizam sobre os vizinhos de baixo em plena partida de poker: eles passam de quadro para quadro, como uma casa em plano de recorte. O exemplo é de história bem conduzida, mas existe o caso contrário, que chama a atenção para inverossimilhanças como no episódio (parece que) 21, do Soofi, quando Colan deixou o serviço e ele foi finalizado por um tapa-furos interino antes que Mayerik retomasse “a coleira”, um tal de Carmine Infantino, “filipino”. Numa página vê-se Soofi pegar Howard com uma mão; um quadrinho abaixo ele é arremessado pela outra. Por cúmulo, a máquina de lavar em que ele o joga abre de dois lados diferentes, os trincos da porta não estão do mesmo lado nos dois quadros. Quando isto ocorre na mesma página, fica muito ruim. Este é um caso de história não apenas nada inspirada, como um exemplo de história mal contada. Mal conduzida. Quando te chega um negócio desses, é muito difícil contar a história; é preciso costurar, explicar o que acontece. O melhor era não precisar fazer isso. É um pouco como no cinema, quando o/a continuista não faz o serviço, sim, mas para voltar ao processo de fabricação dos gibis, uma vez dialogados, a história e os painéis vão para o arte-finalista (que “dá as tintas”). Eu escrevo os diálogos dizendo página tanto, balão um, dois, três... Mas existe um letreirista para realizar os balões. Que são bastante limitados, quando se pensa a respeito: os balões não mudaram por anos; você tem o balão estático, com os estalactites; o balão relâmpago-explosão, o balão pensador, etc...” (de fato, quando pintam uns balões com personalidade, marcam náipes e estilo de uma revista Sandman, já nos anos 90, na outra editora cosmológica de comics, a DC – criando o selo “Vertigo”) “Voltamos ao que se dizia sobre os limites do gênero: as imagens não se movem, o lugar é muito limitado, o processo de impressão é tão nojento que, mesmo se os artistas fossem capazes de desenhar mais de cinco ou seis expressões, a sutilidade se perderia de qualquer maneira com as chapas – que são de plástico. Acredite em mim se quiser, mas chegaram a tentar fazer chapas de papel para economizar... Não funcionava... E antes, os comics tinham vinte páginas de cartoons; agora estamos reduzidos a dezessete. O que é de longe a pior extensão para contar uma história, eu te garanto que é.”

Redação e traduções para nosso Português: Ethon S. A. da Fonseca

Na próxima parte: o plasma do Kiss tem poder (nas HQs)? Chaves, fechaduras e trânsitos das cidades, seus proprietários e guardas zelosos (principalmente Stan Lee: descobrimo-lhe um autêntico surto de crise da consciência na famosa jogada publicitária com sangue derramado em que se viu envolvido!). Aguardem...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Mais um desenhista desabafa:

Olá a todos.

Recebi hoje, o link para um blog onde estava postado um comentário muito interessante a respeito de algo que eu e, acredito, a grande maioria de ilustradores que conheço, sofre desde o início da carreira. Em geral, as pessoas admiram muito nosso talento. Gostariam "de saber desenhar assim". Mas as pessoas esquecem que, quando se desenha, se desenha desde os 06 anos de idade, praticando todos os dias; observando uma maçã e a reproduzindo mil vezes até chegar num bom resultado; cursando uma faculdade de artes; fazendo vários cursos para administrar diferentes técnicas; que se gasta investindo em bons papéis; em bons pincéis; em computadores com estrutura suficiente para rodar os programas que damos jeito de aprender a usar, para podermos realizar, com cada vez mais competência, a nossa 'PROFISSÃO'. As pessoas esquecem que talentos precisam ser desenvolvidos e que merecem ser não apenas elogiados, mas também pagos. Perdi as contas de quantas pessoas acham que "é fácil" me sentar e desenhar um rosto em segundos. Ou ainda, de quantos "acham" válido pegarmos trabalhos de risco, ou mesmo não remunerados, só para ganharmos "visibilidade". A única coisa que explica essa atitude pra mim, é o fato de que as pessoas não entendem que desenhar é TRA-BA-LHO, ou seja: que além de prazeiroso é também árduo, exaustivo e que consome horas de dedicação como todo tipo de trabalho faz. Graças a Deus, eu e muitos dos meus colegas de área não estamos dispostos a não sermos devidamente valorizados e/ou remunerados.
Abaixo, o texto do link que recebi, bem como o próprio link, para quem quiser visitar o blog do autor do texto.
Abraços,
Tatiana Tesch

Não deixem de ler esse texto do Maringoni!!!

Tocaia, quadrinhos e elitização da cultura
Gilberto Maringoni

Acabo de lançar um livro de histórias em quadrinhos. Chama-se "Tocaia", tem 110 páginas (algumas coloridas) e 14 histórias. Custa 45 reais. Não vou ficar aqui falando do que penso serem as qualidades do livro, o que seria o cúmulo do cabotinismo. Todo autor gosta de ter seu livro vendido, lido e comentado. Espero que todos comprem o livro.

Meu livro não é barato. Cada vez mais os quadrinhos deixam de serem veiculados em gibis e ganham as páginas de livros. Mais que uma mudança de forma, o que está em pauta é uma alteração no mercado de entretenimento, que se elitizou ao longo das últimas três décadas.

Um aficionado por histórias em quadrinhos dos anos 1980 que tomasse um túnel do tempo e fosse catapultado para uma grande banca de jornais dos dias de hoje, estranharia muita coisa. A primeira delas seria estar diante de uma pequena loja de conveniências. Doces, brinquedos, sorvetes, refrigerantes, CDs, DVDs e bugigangas várias teriam quase o mesmo destaque das publicações em papel. A segunda é que quase não encontraria gibis para adultos. Constataria o virtual desaparecimento daquelas publicações baratas, geralmente em branco e preto e impressas em papel jornal. Caso desejasse outras opções, além de quadrinhos infanto-juvenis, teria de ir atrás de uma livraria e gastar algo como dez vezes o que desembolsaria em um gibi.

O espantado leitor de 1980 descobriria que os gibis, com preços equivalentes a uma passagem de ônibus e tiragens acima de 100 mil exemplares, estariam basicamente limitados às edições dos personagens Disney e Mauricio de Sousa. Se formos rigorosos, veremos que apenas este último mantém acesa a velha tradição. É, disparado, o campeão de vendas. Mônica, Cebolinha e sua turma, cada qual em gibis próprios, tiram individualmente mais de 150 mil exemplares por mês, enquanto as revistinhas do criador de Mickey e cia. mal alcançam dez mil cópias cada uma.

Para tentar compreender a profundidade das mudanças, é preciso recuar um pouco mais. Peguemos emprestado o túnel do tempo daquele leitor.

Mercado editorial
O Brasil criou um mercado editorial em expansão quase constante entre 1930 e 1980, coincidente com o mais longo ciclo de crescimento da economia brasileira. Apesar da grande entrada de material dos Estados Unidos, as demandas e ofertas dos dois países não estavam sintonizadas. O maior exemplo disso aconteceu na década de 1950, quando surgiram gibis de terror, suspense e mistério. Enquanto nos EUA, o macartismo ensejou uma feroz censura às revistinhas, criando um código de ética que impediu o desenvolvimento de produções voltadas para o leitor adulto, relegando o gênero à eterna adolescência, aqui ocorreu o inverso.

Com a quebra da produção estadunidense, de repente, as editoras nacionais se viram desabastecidas de conteúdo e tiveram de apelar para artistas nacionais. Desenvolveu- se, entre o início dos anos 1950 e o final dos anos 1970, embora precariamente, o que se poderia chamar de uma escola brasileira de história em quadrinhos. No âmbito do terror, conseguiu-se sair das vertentes góticas europeizantes e gerar adaptações coladas à mitologia popular brasileira, farta em almas penadas, lobisomens, botos etc. Estes conviviam nas bancas com patos, ratos e heróis mascarados.

A partir do início dos anos 1980, contudo, o crescimento avassalador da indústria de entretenimento estadunidense se impõe em todo o mundo, ao mesmo tempo em que a economia brasileira fica estagnada por um longo período. Gibis chegavam aqui com o filme, os brinquedos e com toda uma parafernália de produtos retratando os heróis prediletos da garotada. O mundo editorial brasileiro ficou a reboque do mercado norte-americano. A vertente de quadrinho popular adulto é esmagada pela concorrência assimétrica.

A grande beneficiária das mudanças é a editora Abril. Em 1981, ela domina o mercado, detendo os direitos dos super-heróis das grandes editoras dos EUA, dos personagens Disney e Maurício, além de outros títulos. O padrão era o formatinho (13,5 X 19 cm.), com revistas muito baratas e de altas tiragens. Nessa época, título que vendesse abaixo de 40 mil exemplares era cancelado pela empresa dos Civita.

Por influência das tendências do mercado dos EUA, na segunda metade da década de 1980, aprofunda-se a mudança nos rumos editoriais do gênero no Brasil.

Gibis de luxo
A série de quatro revistas O cavaleiro das trevas, uma releitura de Batman feita pelo norte-americano Frank Miller, um autor nitidamente de direita, torna-se a marca da época, vendendo cerca de 60 mil exemplares.

O plano Collor teve um efeito devastador no mercado editorial brasileiro. Houve uma queda abrupta no poder aquisitivo da população e as vendas desabaram. As redações de quadrinhos das grandes editoras são extintas. Somado a isso, o próprio mercado internacional enfrentava novos concorrentes. A chegada de outras mídias, voltadas para o público infanto-juvenil – como jogos eletrônicos, internet, o DVD e outros – reduziu o interesse desse segmento para histórias em quadrinhos. Praticamente acabam as revistas em formatinho – a exceção são os títulos infantis – e o preço nas bancas sobe significativamente. Há uma clara opção das editoras por um público mais elitizado, o que sustenta tiragens menores, por volta de 10 a 12 mil exemplares.

Para os grandes monopólios da mídia, aos quais as editoras dos Estados Unidos estão vinculadas, o interesse maior é o de ter as revistas como ponto de venda e campos de experimentação para os filmes de ação, que vêm caracterizando a produção hollywoodiana. O paradoxo é que, apesar das fantásticas bilheterias de películas do gênero, a vendagem das revistas empacou.

Elitização do lazer
A elitização do mercado de quadrinhos acompanha uma tendência que se verifica no cinema e no teatro. Os preços dos ingressos aumentaram cerca de cinco vezes em termos reais nos últimos 30 anos, buscando uma equivalência com os valores pagos nos países ricos. Assim, a migração do leitor adulto das bancas para as livrarias, consumindo álbuns de tiragens de dois a três mil exemplares, é decorrência dessa mudança de perfil. Migração que passa por um apertado funil econômico, é bom lembrar.

Qual a saída para um público crescente, de baixo poder aquisitivo, ávido por produtos culturais? Tem sido a busca de outras mídias, especialmente músicas e filmes, que podem ser baixados da Internet ou pirateados. Os DVDs vendidos por camelôs custam exatamente o preço de uma passagem de ônibus ou metrô, a referência do gibi e do cinema de outros tempos.

Possivelmente aquele leitor de 1980, mencionado no início desta matéria, deixasse de lado as bancas e se animasse com o farto comércio informal das calçadas. E chegasse à conclusão que as cruzadas contra a pirataria são parte da elitização do mercado de entretenimento.



Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).